
Zelensky demite ministro da Defesa após seis meses e remodela governo em Kiev
A saída de Mykhailo Fedorov, arquiteto da ofensiva com drones, ocorre em meio a relatos de corrupção bloqueada e conflitos com a cúpula militar, enquanto o Parlamento se prepara para votar novo primeiro-ministro.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, exonerou o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, apenas seis meses depois de o ter nomeado, no âmbito de uma ampla remodelação governamental que inclui a substituição da primeira-ministra. Fedorov confirmou a saída na noite de quarta-feira, elencando conquistas como a expansão do programa de drones e o bloqueio do acesso russo ao sistema Starlink, mas admitindo que não conseguira concluir a reestruturação do ministério segundo os padrões da NATO. O Parlamento deverá votar esta quinta-feira a nomeação do presidente da Naftogaz, Serhiy Koretskyi, para chefiar o novo executivo, enquanto o atual ministro do Interior, Ihor Klymenko, é apontado como sucessor na pasta da Defesa.
Segundo fontes próximas à presidência ucraniana citadas pela imprensa internacional, a decisão de afastar Fedorov resultou de um conflito sistémico com o comandante-em-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, centrado em divergências sobre aquisições de armamento e estratégia militar. O próprio Zelensky terá dito aos deputados da sua bancada que, idealmente, afastaria ambos, mas que tal não era viável no momento. Em paralelo, responsáveis do partido no poder e analistas em Kiev indicam que o ministro bloqueou repetidamente contratos de defesa que favoreceriam empresas pré-selecionadas, o que lhe granjeou adversários entre as elites políticas e militares. A imprensa russa, por seu lado, interpreta a demissão como a remoção de uma figura que dificultava a corrupção no setor, enquanto ativistas e conselheiros do próprio ministério lamentaram a decisão, afirmando que a Ucrânia ficou “mais longe da vitória” e convocando protestos para a manhã de quinta-feira em Kiev e Lviv.
A saída de Fedorov ocorre num momento em que a Ucrânia intensifica os ataques com drones de longo alcance contra infraestruturas energéticas russas e acaba de firmar com a União Europeia uma parceria para a produção conjunta destes sistemas. O novo ministro da Defesa designado, Ihor Klymenko, é um antigo general da polícia que liderava o Ministério do Interior desde 2023, o que, na perspetiva de observadores ocidentais, pode sinalizar uma maior ênfase na mobilização e no controlo dos centros de recrutamento, cuja reforma Zelensky considerou falhada sob a gestão de Fedorov. A remodelação é a terceira desde a invasão russa de 2022 e a quinta mudança na chefia da Defesa nesse período, um dado que analistas em Bruxelas e Washington acompanham com atenção pelo potencial impacto na estabilidade da ajuda militar e na confiança dos doadores.
A nomeação de Koretskyi para primeiro-ministro, formalizada por Zelensky junto do Parlamento, insere-se num esforço para dar “nova energia” ao governo, segundo o presidente, e responde também à necessidade de preparar o setor energético para o inverno. A anterior chefe do governo, Yulia Svyrydenko, demitiu-se no início da semana, provocando a queda automática de todo o gabinete. A votação da nova equipa ministerial está agendada para 16 de julho, devendo a composição final ser conhecida após a reunião da bancada presidencial. Em Lisboa e Brasília, a sucessão de crises políticas em Kiev é observada com prudência diplomática, num contexto em que a continuidade do apoio ocidental permanece decisiva para a resistência ucraniana.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.80 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
O governo ucraniano realiza uma remodelação técnica para se preparar para o inverno, enquanto o ministro cessante reivindica seus sucessos.
A narrativa normaliza a substituição como uma escolha administrativa, evitando aprofundar as acusações de corrupção.
Omite a acusação de que Fedorov foi removido por obstruir a corrupção.
Zelensky elimina o único ministro que se opunha à corrupção, provando que o verdadeiro problema é o próprio regime.
A narrativa inverte a versão oficial, transformando uma demissão em evidência de corrupção sistêmica.
Ignora as razões técnicas relacionadas à preparação para o inverno e à reorganização do governo.
O ministro renuncia após listar seus sucessos e fracassos, sem comentários adicionais.
A notícia é relatada de forma seca, sem atribuir culpa ou justificativa.
Omite as acusações de corrupção e o contexto mais amplo da remodelação governamental.
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