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Geopolítica & Políticaquinta-feira, 18 de junho de 2026

Venezuela: ex-deputada opositora regressa do exílio para negociar transição sob pressão dos EUA

Dinorah Figuera, presidente do Parlamento paralelo de 2015, reuniu-se com Jorge Rodríguez em Caracas, num primeiro passo para um roteiro eleitoral apoiado por Washington.

Na quinta-feira, a ex-deputada opositora Dinorah Figuera regressou a Caracas após oito anos de exílio, num movimento orquestrado por Washington para dar início a um diálogo sobre a transição democrática na Venezuela. Figuera, que preside o Parlamento paralelo eleito em 2015 e reconhecido pelos Estados Unidos como a última instituição legítima do país, reuniu-se com Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional controlada pelo chavismo e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez. O Departamento de Estado norte-americano saudou o encontro como “o primeiro passo de um processo planeado para garantir uma sociedade venezuelana livre e aberta”, e anunciou a criação de uma mesa técnica e política paritária com um roteiro de marcos e calendários concretos para fortalecer a democracia.

A visita de Figuera ocorre num contexto de profunda transformação política desde a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA em janeiro passado. Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina sob forte pressão de Washington, que condiciona o alívio das sanções ao avanço de reformas institucionais. Figuera, médica de 65 anos, exilou-se em Espanha em 2018 após denunciar ameaças e perseguições relacionadas com a morte do seu colega de partido Fernando Albán numa prisão do regime. Ao regressar, distanciou-se da líder opositora María Corina Machado — galardoada com o Nobel da Paz e promotora de uma iniciativa negocial própria, o “manifesto do Panamá” — e afirmou responder exclusivamente ao convite do Departamento de Estado para “assumir o desafio” de construir um Conselho Nacional Eleitoral credível.

A agenda definida pelos EUA inclui a reconstrução das instituições democráticas, o fortalecimento do CNE, o restabelecimento de garantias para a participação política e a proteção das liberdades cívicas. O secretário de Estado Marco Rubio declarou no início de junho que a Venezuela precisa de um novo comité eleitoral para realizar “eleições com garantias”. Na reunião, foram ainda discutidos a designação dos magistrados do Supremo Tribunal de Justiça e um caminho para eleições futuras. Este foi o primeiro contacto público entre o governo e a oposição em quase três anos, desde os acordos de Barbados de 2023, que Maduro declarou “mortalmente feridos” e que não impediram a controversa reeleição de 2024, denunciada como fraudulenta pela oposição.

Na perspetiva de Brasília, o protagonismo de Washington neste processo introduz uma nova variável na já complexa equação regional. O Brasil, que manteve canais abertos tanto com Caracas como com a oposição, vê a iniciativa americana com cautela, temendo que uma transição demasiado tutelada possa gerar instabilidade na fronteira norte. Em Lisboa, onde reside uma numerosa comunidade venezuelana, analistas observam com interesse mas também com cepticismo, recordando o historial de negociações fracassadas — incluindo as conversas secretas de 2023 sobre uma eventual renúncia de Maduro em troca do levantamento de acusações de narcoterrorismo. A divisão na oposição, entre a ala institucional representada por Figuera e a ala mais radical de Machado, que reivindica a vitória de Edmundo González Urrutia, acrescenta incerteza. Contudo, a determinação de Washington em impor um calendário de transição, combinada com a presença militar que viabilizou a detenção de Maduro, sugere que o espaço para manobras dilatórias se estreitou.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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O encontro mediado pelos EUA entre governo e oposição é visto como um passo pragmático rumo à transição democrática, mas permanecem dúvidas sobre a sinceridade do governo e a preocupação com os presos políticos.

Stampa atlantica / anglosfera/ progressista
trionfopragmatismo

O encontro representa um triunfo da diplomacia dos EUA e um primeiro passo concreto para restaurar a democracia na Venezuela. O retorno dos exilados e o roteiro acordado sinalizam uma virada histórica.

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Venezuela: ex-deputada opositora regressa do exílio para negociar transição sob pressão dos EUA

Dinorah Figuera, presidente do Parlamento paralelo de 2015, reuniu-se com Jorge Rodríguez em Caracas, num primeiro passo para um roteiro eleitoral apoiado por Washington.

Na quinta-feira, a ex-deputada opositora Dinorah Figuera regressou a Caracas após oito anos de exílio, num movimento orquestrado por Washington para dar início a um diálogo sobre a transição democrática na Venezuela. Figuera, que preside o Parlamento paralelo eleito em 2015 e reconhecido pelos Estados Unidos como a última instituição legítima do país, reuniu-se com Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional controlada pelo chavismo e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez. O Departamento de Estado norte-americano saudou o encontro como “o primeiro passo de um processo planeado para garantir uma sociedade venezuelana livre e aberta”, e anunciou a criação de uma mesa técnica e política paritária com um roteiro de marcos e calendários concretos para fortalecer a democracia.

A visita de Figuera ocorre num contexto de profunda transformação política desde a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA em janeiro passado. Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina sob forte pressão de Washington, que condiciona o alívio das sanções ao avanço de reformas institucionais. Figuera, médica de 65 anos, exilou-se em Espanha em 2018 após denunciar ameaças e perseguições relacionadas com a morte do seu colega de partido Fernando Albán numa prisão do regime. Ao regressar, distanciou-se da líder opositora María Corina Machado — galardoada com o Nobel da Paz e promotora de uma iniciativa negocial própria, o “manifesto do Panamá” — e afirmou responder exclusivamente ao convite do Departamento de Estado para “assumir o desafio” de construir um Conselho Nacional Eleitoral credível.

A agenda definida pelos EUA inclui a reconstrução das instituições democráticas, o fortalecimento do CNE, o restabelecimento de garantias para a participação política e a proteção das liberdades cívicas. O secretário de Estado Marco Rubio declarou no início de junho que a Venezuela precisa de um novo comité eleitoral para realizar “eleições com garantias”. Na reunião, foram ainda discutidos a designação dos magistrados do Supremo Tribunal de Justiça e um caminho para eleições futuras. Este foi o primeiro contacto público entre o governo e a oposição em quase três anos, desde os acordos de Barbados de 2023, que Maduro declarou “mortalmente feridos” e que não impediram a controversa reeleição de 2024, denunciada como fraudulenta pela oposição.

Na perspetiva de Brasília, o protagonismo de Washington neste processo introduz uma nova variável na já complexa equação regional. O Brasil, que manteve canais abertos tanto com Caracas como com a oposição, vê a iniciativa americana com cautela, temendo que uma transição demasiado tutelada possa gerar instabilidade na fronteira norte. Em Lisboa, onde reside uma numerosa comunidade venezuelana, analistas observam com interesse mas também com cepticismo, recordando o historial de negociações fracassadas — incluindo as conversas secretas de 2023 sobre uma eventual renúncia de Maduro em troca do levantamento de acusações de narcoterrorismo. A divisão na oposição, entre a ala institucional representada por Figuera e a ala mais radical de Machado, que reivindica a vitória de Edmundo González Urrutia, acrescenta incerteza. Contudo, a determinação de Washington em impor um calendário de transição, combinada com a presença militar que viabilizou a detenção de Maduro, sugere que o espaço para manobras dilatórias se estreitou.

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O encontro mediado pelos EUA entre governo e oposição é visto como um passo pragmático rumo à transição democrática, mas permanecem dúvidas sobre a sinceridade do governo e a preocupação com os presos políticos.

Stampa atlantica / anglosfera/ progressista
trionfopragmatismo

O encontro representa um triunfo da diplomacia dos EUA e um primeiro passo concreto para restaurar a democracia na Venezuela. O retorno dos exilados e o roteiro acordado sinalizam uma virada histórica.

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