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Geopolítica & Políticaquinta-feira, 18 de junho de 2026

Vance repreende Israel e avisa que Trump é o único aliado que resta

Vice-presidente dos EUA critica ministros israelitas que rejeitam acordo com o Irão e recorda que dois terços das armas defensivas de Israel são fabricadas e pagas pelos contribuintes americanos.

A relação entre Washington e Telavive atingiu um ponto de tensão inédito na quinta-feira, quando o vice-presidente norte-americano, JD Vance, usou o púlpito da Casa Branca para advertir membros do governo israelita que atacaram o memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irão. “Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que simpatiza com a nação de Israel neste momento”, afirmou Vance, acrescentando que, se estivesse no gabinete israelita, “não atacaria o único aliado poderoso que me resta no mundo”. A reprimenda, classificada por analistas como um desenvolvimento surpreendente, expôs uma fratura profunda entre os dois aliados históricos, apenas quatro meses depois de terem lançado conjuntamente uma ofensiva militar contra o Irão.

O acordo, firmado por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian à margem da cimeira do G7 em Versalhes, prevê um cessar-fogo abrangente, a reabertura do estreito de Ormuz e o início de negociações de 60 dias para um pacto definitivo. Em Israel, porém, a perceção dominante é de que o texto não responde às preocupações com o programa nuclear e de mísseis balísticos de Teerão, ao mesmo tempo que restringe a liberdade de ação militar contra o Hezbollah no Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu evitou críticas diretas, mas os ministros da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e das Finanças, Bezalel Smotrich, rejeitaram publicamente o memorando. Ben-Gvir respondeu a Vance com uma publicação na rede social X, equiparando o Irão aos nazis do século XXI e defendendo que Israel não se considera vinculado ao acordo.

A dureza do recado de Vance ecoou também entre as monarquias do Golfo. Fontes dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrein e do Kuwait manifestaram “deceção total” com um entendimento que, na sua avaliação, não impõe limites aos programas de drones e mísseis iranianos e ainda oferece alívio de sanções e fundos de reconstrução a Teerão. Do lado iraniano, o líder supremo, ayatollah Mojtaba Khamenei, descreveu o gesto de Trump como um ato de “desespero”, enquanto o governo dos EUA insistia que o acordo destrói o programa nuclear iraniano e cria um quadro para verificar a mudança de comportamento. Em Brasília e Lisboa, diplomatas acompanham com atenção o impacto da trégua nos mercados de petróleo, uma vez que a reabertura de Ormuz alivia a pressão sobre os preços dos combustíveis, com consequências diretas para economias lusófonas dependentes de importações energéticas.

A administração Trump tenta equilibrar a defesa do memorando com a contenção dos danos na aliança com Israel. Vance sublinhou que dois terços das armas defensivas que protegeram o território israelita nos últimos meses foram “construídas por mãos americanas e pagas com dólares dos contribuintes americanos”, e que o problema de Israel “não é Donald J. Trump”. O próprio presidente reforçou a mensagem na sua rede Truth Social, apelando a um “cessar-fogo completo em todas as frentes, incluindo o Líbano, o Hezbollah e Israel”. Nos bastidores, porém, a irritação é mútua: Trump já classificou Netanyahu como “louco” e criticou os bombardeamentos israelitas em Beirute, enquanto a imprensa próxima do primeiro-ministro israelita apelidou Vance de “canalha”.

O desfecho das negociações que se iniciam em Genebra, com mediação do Paquistão e do Catar, determinará se a atual crispação se transforma numa reconfiguração duradoura da arquitetura de segurança regional. Observadores em Lisboa notam que a rutura pública entre Washington e Telavive, sem precedentes na memória recente, testa os limites de uma aliança que durante décadas pareceu inabalável. Se o processo diplomático conseguir conter o programa nuclear iraniano e estabilizar o sul do Líbano, a aposta de Trump poderá redefinir o equilíbrio de forças no Médio Oriente; se fracassar, o isolamento de Israel e a desconfiança entre aliados tenderão a agravar-se, com repercussões que vão muito além da região.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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O vice-presidente dos EUA lançou um alerta severo a Israel, chamando sua reação ao acordo com o Irã de 'pânico estranho' e lembrando que os Estados Unidos são seu único aliado poderoso restante. Aos membros do gabinete israelense foi dito para 'acordar e sentir o cheiro da realidade' e parar de atacar o acordo. A mensagem sublinha a frustração de Washington e enquadra a relação como um patronato indispensável.

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A Casa Branca apresenta o acordo com o Irã como uma grande vitória, mas Israel continua insatisfeito com o plano de 14 pontos, temendo que ele conceda alívio econômico a Teerã sem abordar as preocupações nucleares. O vice-presidente americano advertiu severamente Israel a não criticar seu único aliado, em uma repreensão incomumente direta. O relato registra a tensão sem tomar partido.

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Vance repreende Israel e avisa que Trump é o único aliado que resta

Vice-presidente dos EUA critica ministros israelitas que rejeitam acordo com o Irão e recorda que dois terços das armas defensivas de Israel são fabricadas e pagas pelos contribuintes americanos.

A relação entre Washington e Telavive atingiu um ponto de tensão inédito na quinta-feira, quando o vice-presidente norte-americano, JD Vance, usou o púlpito da Casa Branca para advertir membros do governo israelita que atacaram o memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e o Irão. “Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que simpatiza com a nação de Israel neste momento”, afirmou Vance, acrescentando que, se estivesse no gabinete israelita, “não atacaria o único aliado poderoso que me resta no mundo”. A reprimenda, classificada por analistas como um desenvolvimento surpreendente, expôs uma fratura profunda entre os dois aliados históricos, apenas quatro meses depois de terem lançado conjuntamente uma ofensiva militar contra o Irão.

O acordo, firmado por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian à margem da cimeira do G7 em Versalhes, prevê um cessar-fogo abrangente, a reabertura do estreito de Ormuz e o início de negociações de 60 dias para um pacto definitivo. Em Israel, porém, a perceção dominante é de que o texto não responde às preocupações com o programa nuclear e de mísseis balísticos de Teerão, ao mesmo tempo que restringe a liberdade de ação militar contra o Hezbollah no Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu evitou críticas diretas, mas os ministros da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e das Finanças, Bezalel Smotrich, rejeitaram publicamente o memorando. Ben-Gvir respondeu a Vance com uma publicação na rede social X, equiparando o Irão aos nazis do século XXI e defendendo que Israel não se considera vinculado ao acordo.

A dureza do recado de Vance ecoou também entre as monarquias do Golfo. Fontes dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrein e do Kuwait manifestaram “deceção total” com um entendimento que, na sua avaliação, não impõe limites aos programas de drones e mísseis iranianos e ainda oferece alívio de sanções e fundos de reconstrução a Teerão. Do lado iraniano, o líder supremo, ayatollah Mojtaba Khamenei, descreveu o gesto de Trump como um ato de “desespero”, enquanto o governo dos EUA insistia que o acordo destrói o programa nuclear iraniano e cria um quadro para verificar a mudança de comportamento. Em Brasília e Lisboa, diplomatas acompanham com atenção o impacto da trégua nos mercados de petróleo, uma vez que a reabertura de Ormuz alivia a pressão sobre os preços dos combustíveis, com consequências diretas para economias lusófonas dependentes de importações energéticas.

A administração Trump tenta equilibrar a defesa do memorando com a contenção dos danos na aliança com Israel. Vance sublinhou que dois terços das armas defensivas que protegeram o território israelita nos últimos meses foram “construídas por mãos americanas e pagas com dólares dos contribuintes americanos”, e que o problema de Israel “não é Donald J. Trump”. O próprio presidente reforçou a mensagem na sua rede Truth Social, apelando a um “cessar-fogo completo em todas as frentes, incluindo o Líbano, o Hezbollah e Israel”. Nos bastidores, porém, a irritação é mútua: Trump já classificou Netanyahu como “louco” e criticou os bombardeamentos israelitas em Beirute, enquanto a imprensa próxima do primeiro-ministro israelita apelidou Vance de “canalha”.

O desfecho das negociações que se iniciam em Genebra, com mediação do Paquistão e do Catar, determinará se a atual crispação se transforma numa reconfiguração duradoura da arquitetura de segurança regional. Observadores em Lisboa notam que a rutura pública entre Washington e Telavive, sem precedentes na memória recente, testa os limites de uma aliança que durante décadas pareceu inabalável. Se o processo diplomático conseguir conter o programa nuclear iraniano e estabilizar o sul do Líbano, a aposta de Trump poderá redefinir o equilíbrio de forças no Médio Oriente; se fracassar, o isolamento de Israel e a desconfiança entre aliados tenderão a agravar-se, com repercussões que vão muito além da região.

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