
Veneza propõe taxa de 50 euros para conter turismo; Irão regista disparada dos custos de viagem
Enquanto o novo autarca de Veneza defende um agravamento da taxa de acesso para travar o excesso de visitantes, no Irão a subida dos preços dos transportes e das taxas de saída ameaça excluir a classe média das viagens.
O recém-eleito presidente da Câmara de Veneza, Simone Venturini, anunciou a intenção de solicitar ao Governo italiano um aumento substancial da taxa de entrada na cidade para visitantes diários, que poderá atingir os 50 euros em dias de pico. Atualmente, o bilhete de acesso custa 5 euros para quem reserva com pelo menos três dias de antecedência e 10 euros para os turistas de última hora, mas os dados da administração municipal revelam um efeito dissuasor limitado: nos primeiros 42 dias de aplicação, 48% dos pagamentos foram efetuados com a tarifa reduzida e 52% com a tarifa normal, gerando uma receita de 3,9 milhões de euros. Venturini, que enquanto secretário do Turismo ajudou a implementar a medida há dois anos, considera-a “o único instrumento eficaz para controlar o número diário de visitantes” numa cidade que recebe entre 25 e 30 milhões de pessoas por ano. A proposta, porém, depende de uma alteração legislativa nacional, já que o tecto máximo da taxa é fixado por Roma, e enfrenta reservas jurídicas: o constitucionalista Ludovico Mazzarolli advertiu que uma cobrança de 50 euros poderia ser interpretada como restrição à liberdade de circulação.
Paralelamente, no Irão, o encarecimento das viagens internas e internacionais está a comprimir o orçamento das famílias. O preço dos bilhetes de autocarro interurbano subiu oficialmente 21% após decisão do Conselho Superior de Transportes, colocando trajetos como Teerão–Isfahan (cerca de 450 km) em valores entre 647 mil e 680 mil tomans, e ligações mais longas, como Bandar Abbas–Rasht, perto dos 2,8 milhões de tomans. Para um estudante que regresse a casa uma vez por mês, a despesa mensal só em transporte rodoviário pode aproximar-se dos três milhões de tomans. No setor aéreo, a combinação de uma frota envelhecida, limitações operacionais e custos crescentes elevou os bilhetes para patamares que afastam a classe média: um voo Isfahan–Mashhad pode custar entre 6,5 e 9 milhões de tomans, e uma família de três pessoas pagaria cerca de 54 milhões de tomans por uma viagem de ida e volta à cidade santa. A isto soma-se o agravamento da taxa de saída do país para estrangeiros, fixada na lei orçamental de 1405: a primeira saída passou de 675 mil para 900 mil tomans, a segunda de 1,125 milhões para 1,5 milhões e a terceira e seguintes de 1,3 milhões para 2,2 milhões.
Na perspetiva de Roma, a investida de Venturini insere-se numa estratégia mais ampla de regulação do turismo de massa através de barreiras tarifárias, mas a eficácia da medida divide especialistas. Os números de Veneza indicam que a mera diferenciação de 5 para 10 euros não alterou significativamente os fluxos, e o salto para 50 euros levanta dúvidas sobre a proporcionalidade e a compatibilidade com o direito comunitário. Em Teerão, analistas apontam que a escalada dos custos de mobilidade reflete a erosão do poder de compra e a degradação da infraestrutura de transportes, num contexto em que a oferta de autocarros e aviões não acompanha a procura e os operadores preferem servir rotas mais rentáveis, como as industriais e turísticas, em detrimento das ligações regulares.
Para os países lusófonos, os dois movimentos têm leituras distintas. O eventual aumento da taxa veneziana encareceria a estadia de turistas brasileiros, que figuram entre os visitantes frequentes da Itália, e é acompanhado com atenção em Lisboa, onde autarquias como a da capital debatem mecanismos para mitigar a pressão turística sem estrangular a acessibilidade. Já o caso iraniano, embora distante da realidade da África lusófona, ilustra uma tendência global de exclusão progressiva das camadas médias do consumo turístico, num momento em que a subida generalizada dos custos de transporte e das taxas administrativas redefine o perfil de quem pode viajar. O dossiê veneziano aguarda agora a redação de uma proposta formal e a negociação com o Governo central, enquanto no Irão as novas tarifas rodoviárias e a taxa de saída já se encontram em vigor.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O prefeito de Veneza propõe aumentar a taxa de entrada para visitantes diários para até 50 euros em dias de pico, argumentando que a tarifa atual de 5-10 euros não reduziu suficientemente o número de visitantes. Dados mostram que menos da metade reservou antecipadamente a tarifa com desconto, e a administração vê o bilhete como a única ferramenta eficaz para gerir as chegadas diárias. O pedido ao governo nacional visa proteger a cidade do overtourism.
Os preços disparados de ônibus e voos estão excluindo as viagens do orçamento da classe média iraniana, com passagens de ônibus intermunicipais custando agora milhões de tomans e voos de curta distância chegando a 54 milhões. Ao mesmo tempo, o governo aumentou as taxas de saída para viajantes estrangeiros, com a primeira saída subindo para 900.000 tomans e as viagens subsequentes ainda mais. Esses aumentos são retratados como um novo choque que isola ainda mais os iranianos comuns e os visitantes da mobilidade acessível.
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