
O beijo de Messi, a notícia falsa e o 'quilombo' que Jorge armou
Uma apresentadora argentina anunciou a morte do pai de Lionel Messi em direto; a família desmentiu, o pai brincou e o ecossistema de streaming implodiu.
O fotógrafo Eduardo Biscayart, no estádio dos Kansas City Chiefs, viu Lionel Messi correr para uma câmara de televisão, lançar um beijo e dizer "Te amo, papá". As lágrimas do capitão argentino após o hat-trick contra a Argélia já tinham intrigado o mundo, mas a frase, captada pela lente de Biscayart, só ganhou sentido dias depois, quando se soube que Jorge Messi enfrentava um problema de saúde. A comoção do jogador, que confessou ter passado "dias difíceis" por algo alheio ao futebol, acendeu os rumores nas redes sociais argentinas.
Na quinta-feira, 18 de junho, durante o programa "El Show del Verano" do canal de streaming Luzu TV, a atriz e apresentadora Florencia Peña interrompeu a transmissão para anunciar: "Não quero dar uma má notícia, mas acaba de morrer o pai de Messi". A informação, que lhe chegara pelo ponto eletrónico, era falsa. Minutos depois, a produção admitiu o erro, mas o estrago estava feito. A família Messi emitiu um comunicado a desmentir a morte e a expressar "profundo mal-estar pela falta de sensibilidade, respeito e escrúpulos". Jorge Messi estava internado, a recuperar-se favoravelmente. A Luzu TV despediu a equipa de produção e Peña anunciou a sua saída do canal. O programa foi cancelado.
O episódio expôs as fragilidades do ecossistema mediático argentino, onde o streaming disputa audiências com a televisão tradicional e as fronteiras entre entretenimento e jornalismo se diluem. Na perspetiva de analistas em Buenos Aires, o caso reacendeu o debate sobre a verificação de informação em direto. O presidente Javier Milei chamou Peña de "chimentera de poca monta" e declarou que "se te metés con Messi, te metés con todos". O ministro da Economia, Luis Caputo, apelidou-a de "boluda". Para a família Messi, a dor privada tornou-se um espetáculo público, mas a reação de Jorge, a partir da clínica, desarmou a tensão: "Qué quilombo que armé", disse, com humor, enquanto via televisão com a mulher, Celia.
A notícia falsa correu o mundo. No Brasil, a imprensa destacou o "erro inadmissível" e a demissão da apresentadora, enquanto comentadores portugueses sublinharam a vulnerabilidade dos formatos de streaming à desinformação. Em Itália, o caso foi lido como um sintoma da espetacularização da vida privada, com o jornal La Repubblica a notar a intervenção presidencial. Nos Estados Unidos, a NBC News descreveu o pedido de desculpas como "humilhante". Até no Irão, o Khabar Online noticiou o despedimento. A esposa de Messi, Antonela Roccuzzo, deixou de seguir no Instagram as contas de Luzu TV, de Nico Occhiato e de Florencia Peña, num gesto silencioso que foi interpretado como uma tomada de distância definitiva.
No meio do turbilhão, a frase de Jorge Messi — "Qué quilombo que armé" — transformou a anedota num instante de humanidade. O pai do melhor jogador do mundo, internado, acompanhava o escândalo pela televisão e ria de si mesmo. A família, que pedira "responsabilidade, prudência e humanidade", encontrou na ironia do patriarca uma forma de desdramatizar o episódio. Enquanto Messi se preparava para o jogo seguinte contra a Áustria, a imagem que perdurou não foi a do erro jornalístico, mas a de um homem que, mesmo doente, soube desarmar o caos com uma piada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O anúncio ao vivo da falsa morte do pai de Messi provocou indignação pública e forçou a apresentadora a renunciar. O episódio expôs a fragilidade da informação em tempo real e o linchamento digital contra quem erra, enquanto a família do craque mostrou compreensão, mas exigiu respeito. O debate se ampliou para o duplo padrão com que a sociedade julga as figuras públicas e a necessidade urgente de verificar cada notícia antes de divulgá-la.
Uma apresentadora de TV argentina renunciou após noticiar por engano a morte do pai de Messi, culpando informações não verificadas recebidas pelo ponto eletrônico. O incidente gerou críticas generalizadas e destacou os perigos das transmissões ao vivo sem a devida checagem dos fatos.
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