
James Burrows, o diretor que levou o elenco de Friends a Las Vegas, morre aos 85 anos
Cocriador de Cheers e realizador de mais de mil episódios de sitcoms como Will & Grace e The Big Bang Theory, deixa um legado que moldou a comédia televisiva.
Antes de as câmaras capturarem o primeiro take do episódio piloto de Friends, em 1994, James Burrows fez algo incomum: levou os seis jovens atores — Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer — a Las Vegas. A viagem, recordada pela imprensa mexicana, não era uma extravagância, mas um gesto calculado de um diretor que compreendia que a química entre intérpretes era o coração de uma sitcom. Burrows queria que aquele grupo se tornasse uma família antes de se tornar um fenómeno global.
Essa intuição acompanhou-o até ao fim. James Burrows morreu na sexta-feira, 19 de junho, aos 85 anos, em paz e rodeado pela família, conforme o comunicado divulgado à revista People e replicado por jornais de Los Angeles a Moscovo. A causa não foi revelada. Ao longo de mais de cinco décadas, Burrows dirigiu mais de mil episódios de televisão, cocriou Cheers — a série do bar onde “todos sabem o teu nome” — e assinou a realização de todos os 246 episódios de Will & Grace. Venceu 11 prémios Emmy e recebeu 47 nomeações, um percurso que levou o New York Times a apelidá-lo de “o Steven Spielberg das sitcoms”.
A sua trajetória confunde-se com a história da comédia televisiva americana. Filho do dramaturgo e argumentista Abe Burrows, vencedor de um Pulitzer, James formou-se na Yale School of Drama e estreou-se na televisão em 1974, dirigindo episódios de The Mary Tyler Moore Show. A partir daí, construiu uma filmografia que inclui Taxi, Frasier, The Big Bang Theory e Two and a Half Men. No Brasil, as suas séries tornaram-se parte da paisagem afetiva de gerações: Cheers foi exibida em horário nobre na TV Globo nos anos 1980, e Friends, com o piloto que Burrows dirigiu, permaneceu décadas em reprises no canal pago Warner e na TV aberta, conquistando uma legião de fãs que hoje lamentam a sua morte em redes sociais. Em Portugal, o impacto foi semelhante: as sitcoms americanas, muitas delas com a assinatura invisível de Burrows, preencheram grelhas da RTP e dos canais de cabo, moldando o humor e as referências de públicos lusófonos.
A família resumiu o seu legado com uma frase que ecoa para além dos estúdios: “Burrows compreendia que a grande comédia nunca se resumia ao riso. Tratava-se de humanidade, conexão e verdade.” Essa convicção materializava-se nos gestos minuciosos de um diretor que, segundo o Sindicato de Realizadores dos EUA, era “um colega incrivelmente generoso”, capaz de lembrar o nome de cada pessoa com quem trabalhava. O ator Eric McCormack, o Will de Will & Grace, escreveu que Burrows “não deixou uma marca, mas uma pegada”. Talvez a imagem mais duradoura seja a do próprio Burrows, descrita nas suas memórias de 2022: a busca incessante por aquele “ponto doce” onde o melhor guião, a melhor interpretação e a melhor química se encontram — e onde, por um instante, o riso se transforma em reconhecimento.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A morte de James Burrows, cocriador de 'Cheers' e diretor de inúmeras sitcoms de sucesso, é tratada como o falecimento de uma lenda da televisão. As reportagens destacam seus 11 prêmios Emmy, seu papel na formação da comédia americana ao longo de décadas e as lembranças afetuosas dos colegas.
A imprensa latino-americana concentra-se na morte súbita de James Barker, produtor de 'Love Island USA', falecido durante as filmagens em Fiji. A história é apresentada como um acidente trágico que chocou o mundo dos reality shows, com linguagem emocional e tom de urgência, enquanto a morte do diretor de sitcoms James Burrows recebe apenas menção secundária.
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