
Vitória histórica do Canadá é ensombrada por fratura grave de Ismaël Koné
O triunfo por 6-0 sobre o Qatar, o primeiro do Canadá em Mundiais, ficou marcado pela lesão que afastou o médio do resto do torneio.
O Canadá conquistou na noite de 18 de junho, em Vancouver, a sua primeira vitória de sempre numa fase final de um Campeonato do Mundo, goleando o Qatar por 6-0. O resultado, que deixa a seleção norte-americana muito perto da qualificação para os dezasseis avos de final, foi porém ofuscado por um lance que gelou o BC Place: aos 51 minutos, o médio Ismaël Koné sofreu uma fratura da tíbia e do perónio na sequência de uma entrada violenta do qatari Assim Madibo.
O lance ocorreu quando Koné, peça central no esquema de Jesse Marsch, recebeu um passe de Jonathan David e foi atingido por trás, com as travas da chuteira de Madibo a impactarem a perna esquerda. O estalido do osso foi audível desde o banco canadiano — “toda a gente o ouviu”, confirmou Marsch, comparando o som ao de uma lesão semelhante sofrida por Tajon Buchanan em 2024. Os jogadores em campo reagiram com desespero, formando um cordão em redor do companheiro enquanto as equipas médicas o assistiam. Após revisão do VAR, o árbitro chileno Cristian Garay elevou o cartão amarelo inicial a vermelho direto, deixando o Qatar reduzido a nove elementos, uma vez que Homam El Amin já fora expulso na primeira parte.
Koné foi retirado de maca sob uma ovação dos 52 mil espectadores e, apesar da gravidade da lesão, acenou e esboçou um sorriso — reação que a imprensa brasileira, com apoio de ortopedistas, atribuiu ao uso de analgésicos inalatórios e à adrenalina do momento. Operado com sucesso na própria noite, o jogador do Sassuolo publicou na manhã seguinte uma mensagem de fé e gratidão no Instagram: “Allah nunca me falhou. Esta batalha é um teste à minha fé e ao meu caráter.” Dirigindo-se aos “irmãos canadianos”, prometeu regressar “muito em breve” e assumir o papel de “treinador adjunto” a partir da linha lateral. O gesto de Madibo também foi relevante: o qatari, visivelmente abalado, dirigiu-se ao balneário do Canadá para pedir desculpa pessoalmente a Koné, atitude confirmada por Marsch, que ainda assim criticou a reação do banco do Qatar por tentar gerar uma discussão sobre a expulsão.
A comoção não impediu o Canadá de ampliar a goleada. Nathan Saliba, que entrara precisamente para o lugar de Koné, marcou o quarto golo aos 64 minutos e celebrou erguendo a camisola 8 do companheiro, num dos momentos mais emotivos da jornada. No final, os jogadores reuniram-se em círculo no relvado para uma oração, e o primeiro-ministro Mark Carney, presente no balneário, sublinhou que “é em momentos assim que se vê o caráter de uma verdadeira equipa”. Marsch definiu Koné como “o coração da nossa equipa” e admitiu que a baixa será “uma perda enorme”, mas elogiou a capacidade do grupo para se manter concentrado.
Com quatro pontos em dois jogos, o Canadá lidera o Grupo B e depende apenas de si para garantir o primeiro lugar e a permanência em Vancouver na fase a eliminar. O próximo compromisso, frente à Suíça, na quarta-feira seguinte, será o primeiro teste sem a influência de Koné. Na perspetiva de observadores em Lisboa, a lesão recorda a fragilidade dos protagonistas mesmo nos momentos de maior euforia coletiva, enquanto a análise da imprensa brasileira se deteve nos detalhes clínicos da fratura e no longo período de recuperação — entre seis e doze meses — que afastará o médio também do início da próxima temporada na Serie A.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um tackle brutal do qatari Assim Madibo fraturou a perna do meio-campista canadense Ismaël Koné, tirando-o da Copa do Mundo. O técnico do Canadá expressou fúria com o incidente e a reação do banco qatari, enquanto o cartão vermelho do jogador foi alvo de protestos. A lesão horrível lançou uma sombra escura sobre a histórica vitória canadense por 6 a 0.
Após sofrer uma grave fratura na perna, o canadense Ismaël Koné enviou uma mensagem comovente de seu leito hospitalar, agradecendo aos torcedores e prometendo se tornar um 'técnico assistente' para os companheiros. A lesão ofuscou a vitória do Canadá na Copa, mas as palavras de Koné destacaram o forte vínculo da equipe. Ele prometeu jamais esquecer o apoio recebido.
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