
Ministro israelita exige que “todo o Líbano arda” após morte de quatro soldados
Declarações incendiárias de Ben-Gvir e Smotrich elevam tensão enquanto ataques israelitas matam 18 libaneses e negociações EUA-Irão são suspensas.
A morte de quatro soldados israelitas no sul do Líbano, na madrugada de sexta-feira, desencadeou uma vaga de ameaças por parte de membros do governo de Benjamin Netanyahu. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, escreveu na rede social X que “todo o Líbano deve arder” e que “por cada lágrima de uma mãe israelita, mil mães libanesas devem chorar”. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, apelou a que se “abram as portas do inferno”. As forças armadas israelitas responderam com ataques a mais de 80 alvos do Hezbollah, sobretudo na região de Nabatiyé e no vale do Bekaa, e afirmaram ter eliminado “dezenas de terroristas”. Do lado libanês, o Ministério da Saúde contabilizou pelo menos 18 mortos e 33 feridos.
As declarações dos dois ministros, ambos oriundos da ala mais dura da coligação governamental, rejeitam qualquer contenção ditada por considerações diplomáticas. Ben-Gvir afirmou que “com todo o respeito pelos americanos, Israel tem de deixar claro ao mundo que o sangue dos nossos filhos e a segurança dos nossos cidadãos não são negociáveis”. Smotrich classificou a manhã como “difícil” e defendeu que “é tempo de falar com fogo”. O Hezbollah reivindicou uma emboscada com mísseis guiados contra um carro de combate israelita em Kfar Tebnit, que vitimou um comandante de batalhão. As Forças de Defesa de Israel justificam a ofensiva como resposta a “violações repetidas do cessar-fogo” por parte do grupo xiita.
A escalada militar ocorre num momento diplomático sensível. Um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, anunciado a 17 de junho, previa um cessar-fogo, mas as hostilidades persistiram. As negociações previstas para esta sexta-feira em Bürgenstock, na Suíça, foram suspensas. Segundo um diplomata citado pela CNN, o Irão exigiu garantias de que as hostilidades no Líbano cessariam, conforme estipulado no acordo, antes de retomar o diálogo. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, criticou duramente membros do gabinete israelita que se opõem ao entendimento com Teerão, lembrando que dois terços das armas defensivas que protegeram Israel “foram fabricadas por mãos americanas e pagas com dinheiro dos contribuintes americanos”. Vance sublinhou que Donald Trump é “o único aliado poderoso” que resta a Israel.
Na perspetiva de Brasília, fontes diplomáticas acompanham com preocupação a deterioração da segurança regional, atentas à numerosa comunidade libanesa no Brasil e aos riscos de uma conflagração mais ampla. Em Lisboa, analistas inserem a crise no quadro da política externa europeia, que tem procurado mediar canais de diálogo com Teerão. Israel mantém a ocupação de uma vasta faixa do sul do Líbano e Netanyahu já indicou não ter intenção de retirar. O dossiê permanece bloqueado: as conversações indiretas entre EUA e Irão estão suspensas sem data para retoma, enquanto o terreno dita o ritmo de uma crise que ameaça soterrar o frágil entendimento alcançado dias antes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ministro israelense de extrema direita declarou que todo o Líbano deve queimar, ignorando deliberadamente o acordo entre EUA e Irã e os apelos internacionais por desescalada. A narrativa enfatiza que Israel prossegue com sua ofensiva apesar dos esforços diplomáticos, demonstrando desprezo pelo direito internacional e pelas vítimas civis libanesas.
Após o Hezbollah matar quatro soldados israelenses, o ministro da segurança nacional pediu que o Líbano queimasse, enquanto o exército israelense atacava dezenas de alvos do grupo armado. A reportagem equilibra as perdas de ambos os lados, evitando julgar explicitamente a retórica inflamada.
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