
Justiça francesa confirma que Achraf Hakimi irá a julgamento por violação
Tribunal de Versalhes rejeitou recurso do capitão de Marrocos, que disputa o Mundial 2026, e manteve decisão de levá-lo a tribunal criminal; defesa alega tentativa de extorsão e denunciante vê alívio.
O Tribunal de Apelação de Versalhes confirmou nesta sexta-feira (19) que o futebolista marroquino Achraf Hakimi, defesa do Paris Saint-Germain e capitão da seleção de Marrocos, será julgado por violação. A decisão, anunciada horas antes do segundo jogo de Marrocos no Mundial 2026, contra a Escócia, rejeitou o recurso apresentado pela defesa e manteve a ordem de envio para o tribunal criminal de Hauts-de-Seine, emitida em fevereiro por uma juíza de instrução. A data do julgamento ainda não foi marcada.
A defesa de Hakimi, liderada pela advogada Fanny Colin, sustenta que a investigação revelou “uma multiplicidade de elementos a descargo” que, em qualquer outro caso, teriam levado ao arquivamento. Colin aponta contradições e “declarações falsas” da queixosa, a recusa desta em submeter-se a exames médicos e a testes de ADN, bem como avaliações psicológicas que indicariam ambivalência e falta de clareza sobre os factos. O jogador, que sempre negou as acusações, escreveu na rede social X que a justiça lhe teria dito que “se não fosse conhecido, nunca teria havido um caso” e que se sente “um alvo fácil”. O Club des avocats au Maroc divulgou um comunicado de apoio, classificando o processo como uma “tentativa de extorsão” assente numa “vaculdade material espantosa”.
Do lado da acusação particular, a advogada Rachel-Flore Pardo afirmou que a decisão traz “alívio e esperança” à sua cliente, após mais de três anos de batalha judicial e de ter sido “caluniada e arrastada na lama” pela defesa. A jovem, que em 2023 tinha 24 anos, relatou ter conhecido Hakimi pelo Instagram e ter sido violada na casa do jogador nos arredores de Paris. Em entrevista ao site Mediapart, sob o pseudónimo Jeanne, declarou querer “um julgamento para me defender, para ser ouvida”. Pardo acrescentou que o processo pode “ajudar outras mulheres e enfraquecer a fortaleza de negação e impunidade que rodeia a violência sexual no futebol masculino”.
O caso decorre enquanto Hakimi disputa o Mundial nos Estados Unidos, tendo sido titular no empate a 1-1 com o Brasil. A decisão judicial não impede a sua participação imediata, mas, caso Marrocos avance para fases a eliminar no Canadá ou no México, o jogador poderá enfrentar restrições de entrada, à semelhança do ganês Thomas Partey, impedido de viajar para o Canadá devido a acusações de violação. O Paris Saint-Germain não comentou oficialmente, mas, segundo a imprensa francesa, apoia o atleta com base na presunção de inocência. O testemunho de Kylian Mbappé, amigo e ex-colega de equipa, poderá ser solicitado em tribunal, depois de ter prestado declarações sobre uma conversa com Hakimi na noite dos factos.
O processo regressa agora à jurisdição criminal de Nanterre, onde se aguarda a marcação da audiência. A defesa ainda pode recorrer para a Cour de Cassation, mas não confirmou se o fará. O desfecho do julgamento terá implicações não apenas para a carreira do futebolista, mas também para o debate sobre a responsabilização de figuras públicas em casos de violência sexual, acompanhado com atenção em todo o mundo lusófono, onde o futebol ocupa um lugar central.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Achraf Hakimi acolhe o julgamento como uma oportunidade de refutar publicamente o que chama de acusação falsa. Sua defesa destaca que o próprio tribunal observou que o caso não existiria se ele não fosse uma celebridade. O jogador expressa impaciência por finalmente poder falar.
O tribunal de apelação confirmou que a estrela marroquina será julgada por estupro, uma decisão que surge enquanto ele é capitão de sua equipe na Copa do Mundo. Reportagens exclusivas reconstroem a noite da suposta agressão, apresentando as versões de ambos os lados. O caso é descrito como 'muito grave', com a carreira e a reputação do jogador em jogo.
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