
Japão quintuplica taxa de visto; Veneza propõe ingresso diário de até 50 euros
Medidas visam conter turismo de massa e ajustar preços à inflação; novos custos afetam viajantes brasileiros e repercutem entre observadores lusófonos.
O governo japonês decidiu aumentar, a partir de julho, pela primeira vez em 48 anos, as taxas de emissão de vistos para estrangeiros. O visto de entrada única passa de 3.000 ienes (cerca de 18 euros) para 15.000 ienes (90 euros), enquanto o visto de múltiplas entradas sobe de 6.000 ienes (36 euros) para 30.000 ienes (180 euros). Na mesma semana, o novo prefeito de Veneza, Simone Venturini, propôs decuplicar a taxa de acesso de visitantes diários à cidade lagunar em dias de pico, elevando o valor dos atuais 5 a 10 euros para 30 a 50 euros. As duas iniciativas sinalizam um movimento de revisão de custos de entrada em destinos turísticos pressionados pelo volume de visitantes e pela desvalorização cambial.
A revisão japonesa reflete a inflação acumulada desde 1978 e a forte depreciação do iene, aproximando as taxas das praticadas por outros países do G7, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi. O governante afirmou não esperar impacto imediato no turismo internacional, mas a medida insere-se num pacote mais amplo de aumento de encargos migratórios, que inclui elevar o limite legal para pedidos de residência permanente de 10.000 ienes para 200.000 ienes (1.200 euros) até março de 2027. As verbas adicionais financiarão o reforço dos serviços de imigração, o ensino do japonês e o combate à permanência irregular.
Em Veneza, a taxa de entrada para excursionistas foi introduzida em 2024 como experiência-piloto e já vigora em 60 dias deste ano. Venturini, que liderou a implementação da medida como vereador, defende agora um “superticket” para travar o turismo de massas, mas enfrenta forte oposição. O ex-autarca Massimo Cacciari classificou a ideia como “barbárie”, e o constitucionalista Ludovico Mazzarolli alertou para o risco de restrição à liberdade de circulação. A proposta depende de negociação com o governo italiano, uma vez que o teto atual da taxa está fixado por lei nacional.
Para o público lusófono, os encargos adicionais têm pesos diferentes. Cidadãos portugueses estão isentos de visto para o Japão, mas os brasileiros, principais viajantes da América do Sul ao país asiático, passam a pagar o novo valor da taxa consular. Em relação a Veneza, a taxa afeta todos os visitantes que não pernoitam na cidade, incluindo os fluxos crescentes de turistas do Brasil e de Portugal. Observadores em Brasília e Lisboa acompanham estas tendências, que podem influenciar a competitividade dos destinos tradicionais e estimular debates sobre taxas turísticas em cidades lusófonas com forte pressão de visitantes.
As novas taxas japonesas entram em vigor em 1.º de julho para todos os pedidos submetidos a partir dessa data. Em Veneza, a proposta de aumento será discutida com o governo central nos próximos meses, sem calendário fixo para entrada em vigor. O desfecho destas medidas servirá de referência para outras cidades que enfrentam o desafio de equilibrar receitas turísticas, preservação urbana e acesso democrático ao património.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The reports highlight the sharp increase in Japanese visa fees, noting it is the first hike since 1978 due to inflation and yen depreciation. They convey a cautious tone, repeating the foreign minister's assurance that the move is not expected to immediately affect tourism. However, the substantial rise—from 3,000 to 15,000 yen—is presented as a significant change for travelers from the region.
The European coverage focuses on Venice's proposal to increase the entry fee for day-trippers up to 50 euros, a tenfold rise from the current 5-10 euros. The tone is critical and alarmed, highlighting the mayor's controversial suggestion and the heated public debate it has sparked. The framing emphasizes the potential deterrent effect on tourism and the ethical questions around pricing access to the city.
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