
Vance adia ida à Suíça para conversações com Irã, e incerteza ronda nova fase do acordo
A Casa Branca citou entraves logísticos e o Irã condicionou o envio de sua delegação à suspensão dos ataques israelitas no sul do Líbano, lançando dúvidas sobre o calendário das negociações técnicas.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, não embarcou na noite de quinta-feira (18) para a Suíça, onde estava prevista uma cerimónia de assinatura do memorando de entendimento com o Irão e o arranque das negociações técnicas. A Casa Branca justificou o adiamento com a complexidade logística de um processo que “nunca foi simples ou previsível”, sublinhando que a delegação norte-americana continua pronta a partir assim que houver condições. Em Teerão, a agência Tasnim indicou que “nada foi confirmado” sobre a viagem da equipa iraniana, e o canal Al Mayadeen, próximo do Hezbollah, noticiou que o Irão suspendeu a partida em resposta à continuação dos bombardeamentos israelitas no sul do Líbano — operações que Teerão considera uma violação do acordo-quadro já firmado.
O impasse ocorre dias depois de os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian terem assinado eletronicamente o memorando, que estabelece um cessar-fogo em todas as frentes, o levantamento do bloqueio naval norte-americano ao Irão e um período de 60 dias para negociar um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano. O guia supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, revelou ter autorizado o texto apesar de “uma visão diferente”, após receber garantias de Pezeshkian. Em paralelo, o enviado Steve Witkoff informou ao Congresso que o Irão convidará a Agência Internacional de Energia Atómica a inspecionar as suas instalações nucleares, um gesto que Washington interpreta como sinal de verificação. Trump, por seu lado, defendeu a estratégia negocial e alertou que uma escalada militar fecharia o Estreito de Ormuz, podendo desencadear uma “depressão mundial”.
A arquitetura do entendimento provisório enfrenta resistências em várias frentes. No campo republicano, cresce a crítica a um acordo que, na leitura de alguns congressistas, concede demasiado a Teerão sem exigir o desmantelamento total do programa nuclear. Vance rebateu que “palavras não importam, o que importa é a verificação” e condicionou o acesso do Irão a um fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares ao fim do enriquecimento de urânio e a um regime robusto de inspeções. As tensões com Israel também se agravaram: o vice-presidente repreendeu membros do governo israelita que criticam o acordo, lembrando que “atacar o único aliado poderoso que Israel ainda tem no mundo” é um erro estratégico. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, contudo, manteve que as tropas israelitas permanecerão na zona-tampão no sul do Líbano “enquanto as necessidades de segurança o exigirem”.
Na perspetiva de Brasília, o adiamento introduz uma dose adicional de volatilidade num processo que já mexia com os mercados globais de energia. A reabertura do Estreito de Ormuz, por onde já voltaram a passar mais de 12,5 milhões de barris de petróleo numa única noite, é observada com interesse por países lusófonos produtores como Angola e o Brasil, que beneficiam de preços estáveis e de cadeias logísticas desobstruídas. Observadores em Lisboa notam que o sucesso das conversações técnicas — centradas em limites ao enriquecimento de urânio, mecanismos de verificação e garantias de que o Irão não financiará grupos armados com as receitas do petróleo — será determinante para a credibilidade do acordo. A incerteza quanto à data do encontro na Suíça reflete, porém, a fragilidade de um acerto que depende simultaneamente da contenção militar israelita, da disciplina negocial iraniana e da capacidade de Washington para gerir as divisões internas enquanto mantém a pressão diplomática.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O adiamento da viagem de Vance à Suíça sublinha a imprevisibilidade das negociações com o Irão; relatos sugerem que a equipa iraniana criou obstáculos, alimentando o cepticismo sobre a solidez do acordo e suscitando preocupações de segurança.
O vice-presidente Vance defendeu o acordo com o Irão, alertando que Teerão tem de cumprir para obter benefícios; ainda planeia viajar para a Suíça para transformar o entendimento num pacto de longo prazo, sendo o atraso atribuído a questões logísticas.
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