
UE anuncia isenção tarifária para 80% das exportações arménias em resposta à pressão russa
Bruxelas disponibiliza 18 milhões de euros adicionais e abre mercado a produtos agrícolas e bebidas, enquanto Moscovo mantém restrições comerciais.
O anúncio da Comissão Europeia, feito em Erevan pela presidente Ursula von der Leyen, prevê a eliminação de tarifas sobre 80% das exportações arménias para a UE, com destaque para produtos hortícolas frescos, bebidas e álcool. A medida é complementada por um desembolso imediato de 18 milhões de euros, parte de um pacote de 52 milhões desenhado para contrariar o que Bruxelas descreve como 'pressão económica significativa' da Rússia. Moscovo impusera, em maio e junho, restrições fitossanitárias a importações de flores, água mineral, frutas, legumes e pescado arménios, num contexto de crescente aproximação de Erevan ao bloco europeu.
As preferências comerciais autónomas, ainda dependentes de aprovação dos Estados-membros e do Parlamento Europeu, abrangerão 99% dos frescos e mais de 90% das bebidas que a Arménia exportava maioritariamente para o mercado russo. Peritos europeus chegarão em meados de julho para auxiliar produtores a adaptarem-se aos padrões comunitários. A iniciativa insere-se numa estratégia de diversificação que inclui a meta de liberalização de vistos até 2029 e a adoção parlamentar de uma lei sobre a intenção de adesão à UE, embora sem convite formal de Bruxelas.
Na perspetiva de Moscovo, as restrições — justificadas oficialmente por motivos sanitários — foram interpretadas por analistas como uma resposta ao alinhamento pró-europeu do primeiro-ministro Nikol Pashinyan, cujo partido venceu as eleições de 7 de junho. O governo russo advertiu que a pertença simultânea à União Económica Eurasiática e a um processo de adesão à UE é incompatível, e que tal escolha teria consequências económicas, incluindo a revisão dos preços do gás. Pashinyan, contudo, afirmou não pretender criar uma crise com Moscovo e garantiu que a Arménia continuará ativa na UEE, considerada economicamente vantajosa.
O impacto económico é relevante: a Rússia absorveu 35% do comércio externo arménio em 2025, contra 11% da UE. A abertura do mercado europeu oferece alternativa, mas a condição de país sem litoral encarece a logística de perecíveis. Observadores em Bruxelas notam que a isenção para bebidas alcoólicas poderá gerar atritos com produtores franceses. O próximo passo será a aprovação formal das medidas pelas instituições europeias, enquanto a missão técnica de julho testará a capacidade de adaptação dos exportadores. A visita de von der Leyen, que incluiu o Azerbaijão, insere-se no esforço de Bruxelas para reforçar a conectividade no Sul do Cáucaso, com um fundo de 200 milhões de euros para corredores de transporte e energia, num tabuleiro onde a influência russa é desafiada por uma presença europeia cada vez mais assertiva.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa russa ignora a decisão da UE de abolir tarifas sobre exportações armênias, concentrando-se em sucessos militares e ameaças externas. Esse silêncio implica que a medida europeia é irrelevante para os interesses russos. A atenção está voltada para a estabilidade interna e a defesa das fronteiras.
A imprensa europeia continental enquadra a decisão da UE como parte de uma estratégia de sanções mais ampla contra a Rússia, enfatizando a responsabilidade russa pelas tensões comerciais. A abolição de tarifas é apresentada como apoio à Armênia contra a pressão russa. O contexto inclui sanções anteriores e medidas legais contra Moscou.
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