
Calor extremo e segurança máxima marcam celebrações dos 250 anos dos EUA
Com temperaturas acima dos 38°C e um dispositivo de segurança sem precedentes, as comemorações da independência americana decorrem sob tensão política e alertas de poluição atmosférica.
As celebrações do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos arrancaram esta sexta-feira com um discurso do presidente Donald Trump no Monte Rushmore, Dakota do Sul, e culminam no sábado com um megaevento no National Mall, em Washington. A festa, que inclui o que a organização apelida de “o maior espetáculo de fogo de artifício da história”, decorre sob um calor extremo que afeta mais de 180 milhões de pessoas. Segundo o Serviço Meteorológico Nacional, as temperaturas podem ultrapassar os 38°C em cidades como Nova Iorque, Filadélfia e a capital, com sensações térmicas acima dos 46°C. As redes elétricas estão sob pressão — a PJM Interconnection, que serve um quinto da população, opera em emergência pelo terceiro dia consecutivo — e as autoridades pedem poupança de energia e hidratação constante.
A dimensão do evento levou à sua classificação como National Special Security Event, o nível mais elevado de segurança, geralmente reservado a tomadas de posse presidenciais. Cerca de cinco mil soldados da Guarda Nacional foram mobilizados, e o perímetro do National Mall está vedado com quilómetros de grades, com controlos semelhantes aos de um aeroporto. A agente especial dos Serviços Secretos, Tara McLeese, afirmou que “centenas, senão milhares, de profissionais da lei” planeiam a operação há meses. Em paralelo, documentos internos do Serviço de Parques Nacionais, revelados pela imprensa norte-americana, alertam para níveis de poluição por partículas finas (PM2.5) que podem atingir valores “muito insalubres” durante e após o fogo de artifício, recomendando o uso de máscaras N95 e a permanência em espaços fechados.
A vertente política é incontornável. Trump transformou a efeméride numa plataforma pessoal, promovendo o evento como “o mais espetacular comício TRUMP de todos”. A organização Freedom 250, alinhada com a Casa Branca, assumiu o controlo das celebrações, rivalizando com a America250, comissão bipartidária criada pelo Congresso há uma década. Vários estados governados por democratas, como Massachusetts e Connecticut, recusaram montar pavilhões na feira Great American State Fair, cuja afluência tem sido reduzida. Uma sondagem da AP-NORC indica que apenas quatro em cada dez adultos se sentem “orgulhosos” com a data. Na perspetiva de analistas brasileiros, a instrumentalização do aniversário reflete a tentativa de Trump de se equiparar aos presidentes esculpidos no Monte Rushmore, enquanto observadores europeus sublinham o contraste entre a grandiosidade do evento e as divisões internas que marcam o país.
O ponto alto está marcado para a noite de sábado, com o discurso do presidente — que prometeu ser “muito longo” — e o lançamento de mais de 850 mil engenhos pirotécnicos a partir de dez locais. As autoridades de saúde insistem nos riscos para grupos vulneráveis, agravados pela possível formação de uma inversão térmica que retenha o fumo junto ao solo. A FIFA, por seu lado, mantém pausas de hidratação obrigatórias nos jogos do Campeonato do Mundo que decorrem em simultâneo na Costa Leste. Prevê-se que o calor persista durante o fim de semana, com possibilidade de trovoadas severas no Centro-Oeste, enquanto o dispositivo de segurança permanecerá ativo até à desmobilização gradual dos efetivos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As celebrações do 250º aniversário estão sendo ofuscadas por uma onda de calor extremo e crescentes preocupações com a segurança. A presença de Trump no Monte Rushmore é retratada como um substituto modesto para ambições maiores, enquanto críticos o acusam de transformar um feriado nacional em um comício político. Os organizadores lutam para lidar com as temperaturas escaldantes que ameaçam as grandes multidões.
Os Estados Unidos comemoram seu 250º aniversário com uma cerimônia oficial no Monte Rushmore liderada por Trump, mas uma celebração rival em Los Angeles destaca as divisões do país. Os eventos paralelos são apresentados como um contraste entre a visão do presidente e uma comemoração alternativa repleta de estrelas. A reportagem mantém um tom distanciado, observando a cisão sem tomar partido.
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