
Trump declara fim do cessar-fogo com o Irão e ameaça nova ofensiva noturna
Presidente dos EUA afirma que o memorando de entendimento 'acabou', após troca de ataques no Estreito de Ormuz, e admite retomar o bloqueio naval e atingir a ilha de Kharg.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou esta quarta-feira, à margem da cimeira da NATO em Ancara, que o cessar-fogo com o Irão 'acabou' e que negociar com Teerão é 'uma perda de tempo'. A decisão foi anunciada horas depois de as forças norte-americanas terem bombardeado mais de 80 alvos no Irão, em retaliação por ataques a três navios comerciais no Estreito de Ormuz, e de a Guarda Revolucionária iraniana ter respondido com mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait. Trump ameaçou ainda novos ataques 'duros' durante a noite e admitiu a possibilidade de retomar o bloqueio naval e de ocupar a ilha de Kharg, por onde transita cerca de 90% das exportações de crude iraniano.
Na perspetiva de Washington, a ofensiva iraniana contra os petroleiros — entre os quais um navio qatari de gás natural liquefeito e um petroleiro saudita — constituiu uma violação clara do memorando de entendimento assinado a 17 de junho. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou que os ataques visaram 'impor custos pesados' e degradar a capacidade iraniana de ameaçar a navegação internacional. Em paralelo, o Departamento do Tesouro revogou a licença que permitia a venda de petróleo iraniano, restabelecendo sanções que tinham sido suspensas ao abrigo do acordo provisório. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, classificou a ação militar norte-americana como 'absolutamente necessária'.
Teerão, por seu lado, acusou os EUA de 'violação flagrante' do memorando e de má-fé negocial. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que a revogação da licença petrolífera e os bombardeamentos tornaram 'ineficazes' partes essenciais do entendimento. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, denunciou ainda o que descreveu como 'violações graves' por parte de Washington, incluindo a reimposição de sanções e a interferência nos 'ajustes iranianos' no Estreito de Ormuz. A televisão estatal iraniana citou uma fonte de segurança a advertir que qualquer novo ataque dos EUA será respondido com o dobro da intensidade e que o estreito poderá ser novamente fechado.
A escalada ocorre num momento de particular sensibilidade: as cerimónias fúnebres do líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, decorrem até quinta-feira, e as negociações para um acordo definitivo estavam suspensas durante o luto. Trump afirmou que o Irão pedira uma pausa para os funerais e que os EUA a concederam, mas que Teerão 'começou a disparar rockets contra navios'. Apesar de ter declarado o cessar-fogo terminado, o presidente norte-americano admitiu que os seus negociadores — Steve Witkoff e Jared Kushner — podem continuar a dialogar, embora tenha manifestado ceticismo quanto aos resultados.
Para as economias lusófonas dependentes de importações de petróleo, como Brasil e Portugal, a nova vaga de hostilidades representa uma pressão inflacionária adicional. O preço do barril de Brent disparou mais de 5%, ultrapassando os 78 dólares, e a Organização Marítima Internacional apelou aos navios para evitarem o Estreito de Ormuz. Observadores em Lisboa notam que a instabilidade no Golfo Pérsico pode atrasar a normalização dos custos energéticos na Europa, enquanto analistas em Brasília alertam para o impacto nos preços dos combustíveis e na política monetária. O desfecho imediato permanece em aberto: os contactos diplomáticos prosseguem, mas a retórica de Trump e a resposta militar iraniana reduziram drasticamente as expectativas de um acordo duradouro.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
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| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
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Trump declares the ceasefire over, calling Iran 'scum' and 'sick', while oil markets react with a 5% surge.
The bloc amplifies Trump's own confrontational language and frames the oil price spike as a direct consequence of his declaration, creating a sense of immediate crisis.
The bloc omits any detailed discussion of Iran's perspective or the context of the initial ceasefire agreement, focusing solely on Trump's words and market reaction.
Trump says the ceasefire is over 'as I see it', leaving room for doubt, while the oil price rise is mentioned without alarm.
The bloc uses Trump's own hedging language ('as I see it') to present the ceasefire's end as a subjective opinion rather than a definitive fact, thereby lowering the temperature of the narrative.
The bloc omits the specific details of the military strikes and the scale of the oil price surge, focusing instead on the diplomatic ambiguity.
Trump unilaterally ends the ceasefire with Iran, blaming Tehran, while the oil price rise is a secondary concern.
The bloc emphasizes the date of the original ceasefire to highlight its short duration and Trump's role in breaking it, subtly shifting responsibility onto the US.
The bloc omits any mention of Iran's attacks on ships that triggered the US strikes, focusing instead on the US decision to end the ceasefire.
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