
Tribunal dos EUA suspende base de dados eleitorais de Trump e trava expurgo de eleitores
Decisão judicial considera ilegal a concentração de informações pessoais de milhões de americanos, usada para verificar cidadania e que já levou a remoções indevidas de eleitores.
Uma juíza federal em Washington bloqueou na segunda-feira a utilização, pela administração Trump, de uma base de dados que agrega informação privada de milhões de cidadãos norte-americanos para verificar a elegibilidade eleitoral. A magistrada Sparkle L. Sooknanan considerou que o sistema SAVE, originalmente concebido para confirmar estatutos migratórios em serviços públicos, foi reformulado de forma ilegal ao incorporar registos da Segurança Social e dados de cidadãos nascidos nos EUA. A decisão surge depois de vários estados terem usado a plataforma para cruzar listas de recenseamento, resultando na remoção indevida de eleitores com cidadania válida, sobretudo naturalizados, cujos dados estavam desatualizados ou incompletos.
Segundo a administração Trump, a expansão da base de dados respondia a uma ordem executiva do presidente e visava modernizar a partilha de informação entre agências federais, cumprindo uma diretiva do Congresso para eliminar silos burocráticos. O Departamento de Segurança Interna criticou a sentença e anunciou resistência judicial, enquanto o Departamento de Justiça argumentara em tribunal que apenas um número reduzido de eleitores seria afetado por imprecisões. Do lado oposto, organizações de defesa do voto e da privacidade sustentaram que a concentração de dados violava três leis federais — a Lei da Segurança Social, a Lei da Privacidade e a Lei do Procedimento Administrativo — e punha em risco o direito de voto. A juíza deu-lhes razão, escrevendo que o governo “pisoteou conscientemente os direitos de privacidade dos cidadãos americanos”.
O bloqueio judicial representa um revés para a estratégia de Trump de ampliar o controlo federal sobre eleições tradicionalmente geridas pelos estados, a poucos meses das intercalares de novembro, em que os republicanos defendem maiorias mínimas nas duas câmaras do Congresso. A iniciativa insere-se num padrão mais amplo de condicionamento de fundos federais a reformas eleitorais: novas diretrizes para subsídios de segurança interna preveem a retenção de 20% das verbas a estados que não adotem auditorias manuais, boletins de papel e o cruzamento de listas com a base SAVE. Em paralelo, o Departamento de Saúde atrasou a aprovação de milhares de milhões em bolsas de investigação, sujeitando os pedidos a um filtro de inteligência artificial que sinaliza termos como “cultura” e “género”. Observadores em Brasília e Lisboa notam que o caso ecoa debates locais sobre a centralização de dados eleitorais e a proteção da privacidade, num momento em que vários países lusófonos discutem a modernização dos seus sistemas de registo civil e eleitoral.
A administração deverá recorrer da sentença, e um tribunal superior poderá repor temporariamente a base de dados antes das eleições. O processo insere-se numa ofensiva legal mais vasta: tribunais de pelo menos três estados já rejeitaram tentativas federais de aceder a listas de eleitores estaduais, e a ordem executiva que exigia prova de cidadania para o recenseamento foi parcialmente suspensa. A disputa sobre o SAVE permanece em aberto, enquanto o Executivo mantém a retórica de fraude eleitoral por não-cidadãos, fenómeno que estudos independentes classificam como extremamente raro.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um juiz federal bloqueou a base de dados centralizada de cidadania de eleitores da administração Trump, decidindo que ela violava leis de privacidade e levou à remoção indevida de eleitores elegíveis. A decisão é um grande revés para a estratégia de integridade eleitoral da Casa Branca, protegendo os dados pessoais sensíveis de milhões de americanos.
Um tribunal dos EUA suspendeu uma ferramenta central da agenda eleitoral de Trump, uma base de dados com informações sensíveis de milhões de americanos. A decisão representa um revés significativo para os esforços da administração em apertar os controlos de registo de eleitores.
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