
Tribunal britânico condena romenos por ataque a jornalista iraniano atribuído a Teerão
Sentenças de 8 e 12 anos revelam uso de proxies criminosos pelo Irão em solo britânico, enquanto casal britânico mantém greve de fome em prisão iraniana.
A Justiça britânica condenou, esta sexta-feira, dois cidadãos romenos a penas de prisão de oito e 12 anos pelo esfaqueamento do jornalista Pouria Zeraati, apresentador do canal londrino Iran International, num ataque que a juíza Bobbie Cheema-Grubb afirmou ter sido executado «em nome e para benefício de uma potência estrangeira», referindo-se ao Estado iraniano. O crime ocorreu em março de 2024, quando Zeraati foi abordado à porta de casa, em Wimbledon, e sofreu três golpes de faca na perna.
Segundo a acusação, os condenados Nandito Badea e George Stana integraram uma rede de vigilância que monitorizou a residência da vítima durante semanas, antes de fugirem para a Roménia via Genebra. A ministra do Interior britânica, Yvette Cooper, classificou o ato como «deplorável» e sublinhou que a sentença envia «uma mensagem clara ao regime iraniano e a quem age em seu nome». Teerão, através do seu principal diplomata em Londres, negou envolvimento. O canal Iran International, que já transferira temporariamente operações para Washington devido a ameaças, afirmou que os seus jornalistas são alvo de «uma campanha contínua de intimidação pela República Islâmica do Irão».
Segundo as autoridades de segurança britânicas, o caso insere-se num padrão mais amplo de alegadas operações iranianas em território britânico. O diretor-geral do MI5, Ken McCallum, revelou em outubro passado que mais de 20 planos «potencialmente letais» apoiados pelo Irão foram desmantelados no espaço de um ano. Paralelamente, cresce a apreensão com a situação de Craig e Lindsay Foreman, um casal britânico detido há 18 meses no Irão e em greve de fome há quase dois meses na prisão de Evin, condenado por espionagem — acusação que nega. Peritos em direitos humanos da ONU alertaram para uma «emergência médica» e exigiram a sua libertação imediata, classificando a detenção como um caso de tomada de reféns por parte do Estado.
Na perspetiva de observadores em Lisboa e Brasília, o episódio reforça a vulnerabilidade de jornalistas que cobrem países com forte controlo estatal sobre a informação, ecoando preocupações com a liberdade de imprensa em nações lusófonas onde a intimidação de profissionais da comunicação também é documentada. O terceiro suspeito do ataque em Londres, David Andrei, permanece na Roménia a aguardar processo penal. Já o casal Foreman mantém o protesto, enquanto familiares apelam ao fim da greve de fome por receio de danos irreversíveis. O Governo britânico assegura que continuará a «responsabilizar o regime iraniano» e a acompanhar ambos os dossiês.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um tribunal londrino condenou os agressores de um jornalista iraniano, demonstrando o compromisso do Reino Unido com a justiça. Enquanto isso, cidadãos britânicos passam fome em Teerã devido às políticas do regime iraniano. A notícia destaca o contraste entre o estado de direito ocidental e a repressão iraniana.
A condenação em Londres dos agressores de um jornalista iraniano é um passo positivo, mas a verdadeira história é o sofrimento dos britânicos em Teerã, vítimas das sanções e da arrogância ocidental. O regime iraniano não é responsável; as políticas britânicas causam a fome.
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