
SUV e sedã asiáticos estreiam eletrificação e IA em mercados emergentes
Novos modelos da Nissan, Mitsubishi, Hyundai e DFSK chegam à Ásia e à América Latina com motorização híbrida, design renovado e assistentes digitais, mirando diferentes perfis de consumidores.
A revelação simultânea de uma nova geração de utilitários esportivos e sedãs em mercados da Ásia e da América Latina sinaliza uma ofensiva das montadoras japonesas, sul-coreanas e chinesas para consolidar plataformas eletrificadas e cabines digitais fora dos seus países de origem. O movimento abrange desde o inédito Nissan Tekton — derivado do Renault Duster e com estreia global marcada para 9 de julho — até o DFSK E5 Plus, um híbrido plug-in de sete lugares lançado na Argentina por 33.800 dólares, e a oitava geração do Hyundai Elantra, apresentada no Salão da Mobilidade de Busan com sistema operacional Android Automotive e assistente de inteligência artificial.
Na Indonésia, o Mitsubishi Destinator aposta no motor 1.5 turbo de 163 cv associado a câmbio CVT para disputar o segmento de SUVs familiares de sete ocupantes, enquanto o Hyundai Creta local incorpora modos de condução adaptativos e controle de tração para terrenos de neve, lama e areia. Já na Austrália, documentos de homologação indicam que o Mitsubishi Pajero 2027 retornará em quatro versões (GLX, GLS, Exceed e GSR), construído sobre o chassi de longarinas da picape Triton e equipado com motor diesel 2.4 biturbo de 150 kW. A produção do Pajero será concentrada na Tailândia, com lançamento global previsto entre setembro e novembro.
Do ponto de vista tecnológico, a principal inflexão está na arquitetura de software. O Elantra estreia a plataforma Pleos Connect, com telas de até 14,6 polegadas, loja de aplicativos e o assistente de voz generativo Gleo AI, capaz de planejar rotas e executar comandos em linguagem natural. O Tekton, por sua vez, compartilha a base mecânica do Duster, mas adota identidade visual própria, com grade iluminada e lanternas traseiras interligadas, e oferecerá motores 1.0 turbo de 100 cv, 1.3 turbo de 163 cv e um conjunto híbrido pleno de 1,8 litro com potência combinada de 160 cv. O DFSK E5 Plus combina um motor a gasolina 1.5 de ciclo Atkinson (93 cv) a um elétrico de 214 cv, alimentado por bateria de 18 kWh que proporciona autonomia elétrica urbana de 97 km e alcance total de 1.150 km com um tanque de 60 litros.
Para os mercados lusófonos, os lançamentos trazem implicações distintas. O Creta, já consolidado no Brasil, pode se beneficiar da experiência indonésia com modos de condução inteligentes, enquanto o retorno do Pajero interessa a consumidores brasileiros e africanos que valorizam capacidade off-road, embora a Mitsubishi ainda não tenha confirmado a oferta do modelo nessas regiões. A investida da chinesa DFSK na Argentina, com um híbrido plug-in de sete lugares abaixo dos 34 mil dólares, ecoa a estratégia de marcas como BYD e GWM no Brasil, pressionando as fabricantes tradicionais a acelerar a eletrificação de suas linhas. O Elantra, ausente do mercado brasileiro há anos, permanece restrito à Coreia do Sul, mas a plataforma de IA que estreia no sedã deve ser progressivamente incorporada a outros modelos globais da Hyundai.
Os próximos marcos incluem a revelação completa do Nissan Tekton em julho, o início das vendas do Elantra na Coreia do Sul no terceiro trimestre e a chegada do Pajero às concessionárias australianas até o final de 2026, caso o cronograma de homologação se confirme. A trajetória desses veículos nos países emergentes dependerá da capacidade das montadoras de adaptar preços, prazos de entrega e redes de assistência técnica a realidades locais bastante heterogêneas.
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