
Suprema Corte dos EUA decide hoje sobre cidadania automática e atletas trans
Tribunal analisa ordem de Trump que restringe cidadania a filhos de imigrantes indocumentados, além de casos sobre desporto escolar e financiamento de campanhas.
O Supremo Tribunal dos Estados Unidos encerra esta terça-feira o seu ano judicial com a divulgação de três decisões de elevado impacto, entre as quais a constitucionalidade da ordem executiva do presidente Donald Trump que visa eliminar a cidadania automática para crianças nascidas em território norte-americano cujos pais não possuam estatuto migratório permanente. A par deste caso — Trump versus Barbara —, são esperadas sentenças sobre a proibição de atletas transgénero em equipas desportivas femininas escolares e universitárias, bem como sobre os limites ao financiamento partidário coordenado com candidatos.
A ordem presidencial, assinada no primeiro dia do segundo mandato de Trump, sustenta que a 14.ª Emenda da Constituição — que confere cidadania a “todas as pessoas nascidas” nos EUA e “sujeitas à sua jurisdição” — não abrange filhos de imigrantes em situação irregular ou com vistos temporários. Para o governo, a cláusula “sujeitas à jurisdição” exige uma ligação de lealdade permanente ao país. A contestação judicial, liderada pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) em nome de uma imigrante hondurenha indocumentada, argumenta que a emenda, ratificada em 1868 para garantir direitos a ex-escravos, sempre foi interpretada como um princípio de jus soli absoluto, confirmado pelo Supremo em 1898 no caso Wong Kim Ark. Na perspetiva de analistas em Washington, a audição de abril revelou ceticismo entre vários juízes, incluindo a progressista Elena Kagan, que recordou que a tradição remonta ao direito comum inglês.
Uma eventual validação da ordem de Trump alteraria um entendimento jurídico consolidado há mais de um século e afetaria, segundo estimativas de organizações de defesa dos imigrantes, centenas de milhares de recém-nascidos por ano, criando uma classe permanente de apátridas. Para o Brasil, onde o jus soli também é a regra constitucional, a decisão é observada com atenção por poder influenciar debates migratórios regionais, embora o contexto jurídico seja distinto. Observadores em Lisboa notam que a maioria dos países da União Europeia adota o jus sanguinis, mas a eventual erosão do princípio no país que historicamente o consagrou pode ter repercussões simbólicas no direito internacional.
O caso insere-se num ano judicial em que o tribunal, de maioria conservadora nomeada por presidentes republicanos, alargou significativamente os poderes presidenciais — na véspera, autorizou Trump a demitir chefes de agências reguladoras independentes, revertendo um precedente de 1935 —, mas também impôs limites pontuais, como a manutenção da governadora da Reserva Federal Lisa Cook e uma decisão desfavorável sobre votos por correspondência. A presença inédita de Trump na audiência de abril foi interpretada por comentadores norte-americanos como uma tentativa de pressão sobre o tribunal. As decisões desta terça-feira, as últimas do período, são aguardadas para as 10h00 de Washington (11h00 de Brasília) e terão aplicação imediata, embora a ordem sobre cidadania permaneça suspensa por decisões de instâncias inferiores até que o Supremo se pronuncie.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The US Supreme Court's ruling upholding bans on transgender athletes in women's sports is a victory for common sense and fairness. The BBC's attempt to frame this as discriminatory is propaganda that the public overwhelmingly rejects. The ruling protects the integrity of women's sports and aligns with the views of the majority.
The US Supreme Court dealt a significant blow to President Trump by rejecting his executive order on birthright citizenship, a key immigration policy. At the same time, the Court allowed states to ban transgender athletes from women's sports, a move that aligns with conservative social values. The decisions highlight the Court's role in checking executive power and shaping social policy.
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