
SpaceX estreia em bolsa e Elon Musk torna-se o primeiro trilionário do mundo
A IPO histórica angariou até 85 mil milhões de dólares, mas a valorização recorde já dá sinais de recuo, enquanto se avolumam especulações sobre fusões e investimentos sensíveis.
A SpaceX, empresa de foguetes e inteligência artificial de Elon Musk, protagonizou a maior oferta pública inicial da história, angariando até 85 mil milhões de dólares e avaliando a companhia em 1,2 trilhões de dólares. Musk tornou-se assim o primeiro trilionário do mundo, com um património que excede a riqueza de 46% da população global, segundo a Oxfam. As ações dispararam 30% no primeiro dia e chegaram a ultrapassar os 225 dólares, mas a euforia deu lugar a quedas de quase 10% na quinta-feira, num movimento que analistas em Nova Iorque consideram natural após uma valorização tão intensa.
A empresa, já estabelecida com foguetes reutilizáveis e contratos com a NASA e o Pentágono, atrai investidores sobretudo pelas promessas na inteligência artificial. Planeia emitir 20 mil milhões de dólares em obrigações para financiar centros de dados e infraestruturas de computação. Em São Paulo, start-ups espaciais já procuram seguros para centros de dados de IA em órbita, conceito que Musk apelidou de futuro do setor. Apesar de negócios ainda não rentáveis, os investidores pagam avaliações recordes, confiantes no crescimento. No Canadá, o fundo de pensões dos professores do Ontário embolsou mais de 10 mil milhões de dólares com a valorização — uma ironia, nota a imprensa de Toronto, dado o antagonismo ideológico dos docentes em relação a Musk.
A IPO também expôs tensões geopolíticas. Investidores chineses, incluindo um empresário ligado a contratantes militares, adquiriram participações antes da oferta pública, e uma entidade da família real do Catar também investiu. A SpaceX, que fabrica satélites espiões para o Pentágono, proibiu investidores da China e de Hong Kong na IPO, mas as participações privadas anteriores levantam questões de segurança nacional. Em Washington, o escrutínio aumenta, enquanto em Daca se debate o significado de uma riqueza tão concentrada, vista como sintoma de uma nova era oligárquica. Em Toronto, o sucesso do fundo de pensões reacendeu o debate sobre se a prosperidade é um bolo estático ou expansível.
Em Wall Street, especula-se sobre uma fusão entre a SpaceX e a Tesla, que criaria um conglomerado de 4 trilhões de dólares. A presidente da SpaceX não descartou a ideia. No Brasil, analistas mostram ceticismo, mas reconhecem a partilha de recursos entre as empresas. Em Telavive, investidores procuram a próxima promessa espacial, enquanto em Lisboa se observa que o caso redefine os limites das avaliações tecnológicas e coloca desafios aos reguladores europeus. Para os países lusófonos, a ascensão do primeiro trilionário é um espelho incómodo da desigualdade global. A era dos trilionários começa agora, 110 anos depois do primeiro bilionário.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Elon Musk tornar-se o primeiro trilionário do mundo não é um triunfo, mas um sinal de alarme de uma oligarquia cada vez mais profunda. Uma concentração de riqueza tão extrema, antes reservada aos PIBs nacionais, agora nas mãos de um único indivíduo, ameaça a democracia e a justiça econômica.
O IPO da SpaceX trouxe um ganho inesperado para os fundos de pensão dos professores canadenses, uma ironia considerando suas inclinações políticas. Mais preocupantes são as revelações de que entidades chinesas com conexões militares adquiriram participações secretamente antes da listagem, levantando questões de segurança para uma empresa profundamente vinculada a contratos de defesa dos EUA.
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