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Quando dois líderes tocam bateria ao som de K-pop: a vaga coreana que já não cabe no ecrã

O filme 'K-Pop Demon Hunters' completa um ano como o título mais visto da Netflix, mas o fenómeno cultural sul-coreano expande-se para museus, rotinas de beleza e acordos farmacêuticos.

Em janeiro de 2026, durante uma cimeira bilateral, a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi e o presidente sul-coreano Lee Jae Myung sentaram-se lado a lado perante uma bateria e tocaram juntos os acordes de “Golden”, o tema central do filme de animação “K-Pop Demon Hunters”. A imagem, partilhada globalmente, não era apenas um gesto de distensão diplomática: era a confirmação de que uma canção nascida de um argumento sobre idols que combatem demónios se tornara um idioma partilhado por audiências e governantes. Um ano após a estreia na Netflix, a 20 de junho de 2025, a produção da Sony Pictures Animation mantém-se como o título original mais popular da plataforma, o único a permanecer 52 semanas consecutivas no Top 10 Global.

O filme, que acompanha o trio HUNTR/X — Mira, Zoey e Rumi — entre coreografias e batalhas sobrenaturais, acumulou mais de 600 milhões de visualizações e entrou no Top 10 de 93 países. Nos Estados Unidos, foi o filme mais visto em streaming em 2025, com 20,5 mil milhões de minutos, segundo a Nielsen. A banda sonora liderou a Billboard 200 durante duas semanas, e “Golden” venceu o Óscar de Melhor Canção Original, feito inédito para uma canção de K-pop. A realizadora Maggie Kang tornou-se a primeira mulher de ascendência coreana a ganhar o Óscar de Melhor Filme de Animação. A Netflix já confirmou uma sequela, enquanto se negoceia uma digressão global para 2027. Para observadores em São Paulo e Lisboa, onde as comunidades de fãs são numerosas e organizadas, o fenómeno ilustra como a plataforma transformou um produto de nicho num idioma cultural de massas, sem exigir do espectador a descodificação de referências coreanas.

Porém, a vaga coreana não se esgota no ecrã. No coração de Seul, o National Museum of Korea tornou-se em 2025 o terceiro museu mais visitado do mundo, atrás do Louvre e dos Museus do Vaticano, e prepara-se para ultrapassar os sete milhões de visitantes em 2026. O museu não se apresenta como contraponto à cultura pop, mas como o seu “arquétipo”, segundo os seus responsáveis: um laboratório que traduz objetos antigos, formas cerâmicas e motivos decorativos para o presente, oferecendo ao K-pop uma profundidade que o diferencia de um produto global genérico. Nas salas, impressiona a quantidade de jovens — casais, grupos de amigos, adolescentes — que fotografam detalhes e se demoram diante de peças que dialogam com a estética que consomem nos ecrãs. Este movimento coincide com uma inflexão nas rotinas de beleza: as jovens coreanas, que popularizaram os ritualísticos dez passos de skincare, estão a migrar para o “skip-care”, uma rotina de apenas quatro etapas que elimina produtos redundantes. A atriz Kim So Hyun e a cantora Jihyo, do grupo Twice, tornaram-se porta-vozes informais desta simplificação, que não é descuido, mas uma escolha consciente por eficácia e sustentabilidade.

A expansão da onda toca setores inesperados. No Líbano, a Coreia do Sul foi incluída na lista de países de referência para o registo de medicamentos, abrindo caminho para a entrada de produtos farmacêuticos e biossimilares coreanos, além dos já conhecidos cosméticos K-Beauty. O embaixador sul-coreano em Beirute resumiu a ambição com uma frase que correu os media locais: “A beleza coreana brilhará nos rostos libaneses”. Ao mesmo tempo, a Netflix integra o K-pop em produções locais, como a série indonésia “Night Shift for Cuties” (2026), que acompanha caixas de supermercado fãs de K-pop e lançou um álbum completo de canções originais inspiradas no género. O gesto sugere que a vaga já não é apenas exportada: é apropriada e reconfigurada por criadores de outras geografias. No final da cimeira de janeiro, Takaichi e Lee Myung levantaram-se e trocaram um sorriso cúmplice, ainda com as baquetas na mão — a imagem fixou-se como emblema de um momento em que a cultura popular deixou de ser mero entretenimento para se tornar uma língua franca, capaz de viajar de uma sala de museu em Yongsan a uma prateleira de beleza em Beirute, sem pedir licença a fronteiras.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A onda coreana continua quebrando recordes globais: um filme de animação K-pop tornou-se o primeiro na história da Netflix a permanecer no Top 10 por um ano inteiro. A evolução do K-pop na plataforma, de documentários a reuniões históricas, mostra como a cultura coreana se tornou um fenômeno de entretenimento sem fronteiras.

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distaccopragmatismo

Enquanto a K-beauty conquistou o mundo com rotinas de 10 passos, as próprias jovens coreanas estão reduzindo drasticamente o uso de cosméticos, adotando um 'skip-care' de 4 etapas. Essa mudança levanta questões sobre a sustentabilidade das tendências de beleza importadas e sua real adoção em países como a Índia.

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Quando dois líderes tocam bateria ao som de K-pop: a vaga coreana que já não cabe no ecrã

O filme 'K-Pop Demon Hunters' completa um ano como o título mais visto da Netflix, mas o fenómeno cultural sul-coreano expande-se para museus, rotinas de beleza e acordos farmacêuticos.

Em janeiro de 2026, durante uma cimeira bilateral, a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi e o presidente sul-coreano Lee Jae Myung sentaram-se lado a lado perante uma bateria e tocaram juntos os acordes de “Golden”, o tema central do filme de animação “K-Pop Demon Hunters”. A imagem, partilhada globalmente, não era apenas um gesto de distensão diplomática: era a confirmação de que uma canção nascida de um argumento sobre idols que combatem demónios se tornara um idioma partilhado por audiências e governantes. Um ano após a estreia na Netflix, a 20 de junho de 2025, a produção da Sony Pictures Animation mantém-se como o título original mais popular da plataforma, o único a permanecer 52 semanas consecutivas no Top 10 Global.

O filme, que acompanha o trio HUNTR/X — Mira, Zoey e Rumi — entre coreografias e batalhas sobrenaturais, acumulou mais de 600 milhões de visualizações e entrou no Top 10 de 93 países. Nos Estados Unidos, foi o filme mais visto em streaming em 2025, com 20,5 mil milhões de minutos, segundo a Nielsen. A banda sonora liderou a Billboard 200 durante duas semanas, e “Golden” venceu o Óscar de Melhor Canção Original, feito inédito para uma canção de K-pop. A realizadora Maggie Kang tornou-se a primeira mulher de ascendência coreana a ganhar o Óscar de Melhor Filme de Animação. A Netflix já confirmou uma sequela, enquanto se negoceia uma digressão global para 2027. Para observadores em São Paulo e Lisboa, onde as comunidades de fãs são numerosas e organizadas, o fenómeno ilustra como a plataforma transformou um produto de nicho num idioma cultural de massas, sem exigir do espectador a descodificação de referências coreanas.

Porém, a vaga coreana não se esgota no ecrã. No coração de Seul, o National Museum of Korea tornou-se em 2025 o terceiro museu mais visitado do mundo, atrás do Louvre e dos Museus do Vaticano, e prepara-se para ultrapassar os sete milhões de visitantes em 2026. O museu não se apresenta como contraponto à cultura pop, mas como o seu “arquétipo”, segundo os seus responsáveis: um laboratório que traduz objetos antigos, formas cerâmicas e motivos decorativos para o presente, oferecendo ao K-pop uma profundidade que o diferencia de um produto global genérico. Nas salas, impressiona a quantidade de jovens — casais, grupos de amigos, adolescentes — que fotografam detalhes e se demoram diante de peças que dialogam com a estética que consomem nos ecrãs. Este movimento coincide com uma inflexão nas rotinas de beleza: as jovens coreanas, que popularizaram os ritualísticos dez passos de skincare, estão a migrar para o “skip-care”, uma rotina de apenas quatro etapas que elimina produtos redundantes. A atriz Kim So Hyun e a cantora Jihyo, do grupo Twice, tornaram-se porta-vozes informais desta simplificação, que não é descuido, mas uma escolha consciente por eficácia e sustentabilidade.

A expansão da onda toca setores inesperados. No Líbano, a Coreia do Sul foi incluída na lista de países de referência para o registo de medicamentos, abrindo caminho para a entrada de produtos farmacêuticos e biossimilares coreanos, além dos já conhecidos cosméticos K-Beauty. O embaixador sul-coreano em Beirute resumiu a ambição com uma frase que correu os media locais: “A beleza coreana brilhará nos rostos libaneses”. Ao mesmo tempo, a Netflix integra o K-pop em produções locais, como a série indonésia “Night Shift for Cuties” (2026), que acompanha caixas de supermercado fãs de K-pop e lançou um álbum completo de canções originais inspiradas no género. O gesto sugere que a vaga já não é apenas exportada: é apropriada e reconfigurada por criadores de outras geografias. No final da cimeira de janeiro, Takaichi e Lee Myung levantaram-se e trocaram um sorriso cúmplice, ainda com as baquetas na mão — a imagem fixou-se como emblema de um momento em que a cultura popular deixou de ser mero entretenimento para se tornar uma língua franca, capaz de viajar de uma sala de museu em Yongsan a uma prateleira de beleza em Beirute, sem pedir licença a fronteiras.

Divergência das fontes

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Como se dividem

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Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A onda coreana continua quebrando recordes globais: um filme de animação K-pop tornou-se o primeiro na história da Netflix a permanecer no Top 10 por um ano inteiro. A evolução do K-pop na plataforma, de documentários a reuniões históricas, mostra como a cultura coreana se tornou um fenômeno de entretenimento sem fronteiras.

Stampa indiana e sudasiatica
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Enquanto a K-beauty conquistou o mundo com rotinas de 10 passos, as próprias jovens coreanas estão reduzindo drasticamente o uso de cosméticos, adotando um 'skip-care' de 4 etapas. Essa mudança levanta questões sobre a sustentabilidade das tendências de beleza importadas e sua real adoção em países como a Índia.

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