
Trump afirma que seu poder 'não tem limites' e se compara a Hitler e Napoleão após acordo com Irã
Em entrevista, presidente dos EUA diz que guerra com Irã mostrou que não há barreiras à sua autoridade, enquanto livro revela que ele se vê como o mais poderoso da história.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em entrevista ao site Axios que a guerra com o Irã lhe ensinou que o seu poder 'não tem limites'. A afirmação surge num momento em que um novo livro, 'Regime Change', dos jornalistas Maggie Haberman e Jonathan Swan, revela que Trump tem comparado a sua autoridade à de figuras como Hitler, Estaline, Napoleão e Genghis Khan, argumentando que a tecnologia moderna o torna mais poderoso do que qualquer conquistador do passado. Segundo fontes em Washington, o presidente leu aos autores um documento — que mais tarde publicou na rede Truth Social — cuja conclusão o descreve como 'a pessoa mais poderosa que já caminhou sobre este planeta'.
O contexto imediato das declarações é o memorando de entendimento assinado com Teerão, que pôs fim a um conflito iniciado em fevereiro com a exigência de 'rendição incondicional' do regime iraniano. O acordo, com 14 disposições, prevê a passagem livre de navios pelo Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval norte-americano e o acesso do Irã a pelo menos 300 mil milhões de dólares em financiamento, com o levantamento de sanções condicionado a um pacto definitivo. Na perspetiva de Teerão, o líder supremo Mojtaba Khamenei terá tido uma visão negativa do texto, mas autorizou o presidente Masoud Pezeshkian a assiná-lo. Trump, por seu lado, insistiu que o resultado equivale a uma 'rendição incondicional' e a uma 'mudança de regime', justificando o recuo face às exigências iniciais com o risco de uma depressão económica global.
A reação entre republicanos não foi unânime. Senadores como Bill Cassidy classificaram o acordo como um 'erro colossal de política externa', argumentando que o Irã sai fortalecido. Em contrapartida, Trump descreveu os críticos como 'extremistas' e apontou para a queda dos preços do petróleo e a subida das bolsas como prova do acerto da sua decisão. Na entrevista, o presidente também abordou a relação com Israel — 'se não fosse por mim, Israel não existiria hoje' — e afirmou que é preciso 'manter Netanyahu um pouco são'. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a retórica de poder absoluto ecoa num momento de fragilidade negocial, em que o desfecho ficou aquém dos objetivos proclamados.
O livro 'Regime Change' detalha ainda que o documento que coloca Trump acima de ditadores históricos foi, na realidade, redigido por um antigo assistente do golfista Gary Player, e não por um historiador presidencial como o presidente alegou. A revelação alimenta o debate sobre a construção da imagem de força que Trump procura projetar. O dossier permanece em aberto: o memorando dá início a um período de negociação de 60 dias para um acordo permanente, enquanto o Congresso norte-americano e aliados internacionais avaliam os termos e as implicações estratégicas do entendimento com Teerã.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump reivindica poder ilimitado, comparando-se aos ditadores mais brutais da história. A imprensa iraniana retrata-o como um megalómano perigoso, notando que até os seus próprios linha-dura criticam o acordo com o Irão, expondo os limites do seu poder. A narrativa enquadra o Irão como uma nação resiliente perante um agressor delirante.
Trump insiste que o seu poder não tem limites, mas o acordo com o Irão conta uma história diferente — uma que abre 300 mil milhões de dólares para Teerão. A imprensa indiana foca-se no fosso pragmático entre a retórica e a realidade, tratando o episódio com ceticismo distanciado e um olhar nas consequências económicas.
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