
Toy Story 5: quando os brinquedos se deparam com o domínio silencioso dos ecrãs
A quinta entrega da saga troca a classificação livre por um raro PG e coloca Jessie no centro de uma batalha contra um tablet, num enredo que ecoa ansiedades contemporâneas sobre a infância digital.
Numa das cenas mais silenciosas de Toy Story 5, a vaqueira Jessie e o cavalo Bullseye espreitam através de uma janela um grupo de crianças que não correm, não gritam, não inventam mundos. Curvadas sobre ecrãs, não trocam uma palavra. A imagem, descrita pela imprensa indonésia, condensa o desconforto que percorre o filme: a ascensão da tecnologia como concorrente afetiva, capaz de apagar o lugar do brinquedo físico num quarto cada vez mais iluminado por luz azulada.
Pela primeira vez nos 31 anos da série principal, um filme da franquia recebeu da Motion Picture Association a classificação PG (para maiores de 6 anos acompanhados), devido a “elementos temáticos e humor grosseiro”. A quebra de um padrão que se mantinha imaculado desde 1995 sinaliza uma mudança de tom, ancorada na nova ameaça: Lilypad, um tablet inteligente em forma de rã que monopoliza a atenção de Bonnie, a dona dos brinquedos. Woody e Buzz Lightyear, agora em papéis secundários, cedem o protagonismo a Jessie, que revive antigos traumas de abandono enquanto lidera a resistência dos objetos físicos contra um algoritmo que promete conhecer melhor a criança do que qualquer companheiro de pano ou plástico.
A recepção do público refletiu esse transe geracional. Na plataforma Rotten Tomatoes, o longa atingiu 95% de aprovação da audiência — o índice mais alto da história da franquia — embora a crítica, com 93%, tenha sido a menos entusiasta entre os cinco títulos. No Brasil, a animação estreou em 17 de junho e, segundo dados preliminares da imprensa local (UOL), gerou um volume de buscas inferior aos dos lançamentos anteriores, o que analistas atribuem, em parte, ao desgaste natural de uma saga que, para alguns fãs, já havia encontrado o seu encerramento perfeito no terceiro capítulo. Ainda assim, a cineasta e professora Ale McHaddo sustenta que a longevidade da franquia reside na força dos seus personagens: “O bom personagem trafega pela mídia, por histórias e pelo tempo”, afirmou.
Do outro lado do Atlântico, a versão dobrada para a América Latina ganhou contornos locais com a participação de Belinda na voz de Lilypad e de Arturo Mercado Jr. como Woody, reafirmando o peso cultural da série entre as audiências hispanófonas e lusófonas. Em Portugal, onde o filme também estreou em meados de junho, o debate nas redes ecoou a nostalgia de uma primeira geração de espectadores — hoje pais — que se vê confrontada com o mesmo dilema que angustia Jessie: como competir com o fascínio de um ecrã que nunca se apaga?
Ao contrário do que se poderia esperar, Toy Story 5 não demoniza a tecnologia de forma monolítica. Lilypad, inicialmente convencida de que sabe o que é melhor para Bonnie, acaba por reconhecer os limites da interação digital vazia e sacrifica-se para ajudar os brinquedos a reconduzir a menina à alegria do jogo partilhado. O gesto, que na produção quase foi substituído por um reencontro presencial entre Jessie e a sua primeira dona, Emily — hoje uma idosa que apresenta a boneca à neta —, cedeu lugar, na montagem final, a uma homenagem mais elíptica: Emily deu à sua filha o nome de Jessie. É este legado discreto que fecha o arco da vaqueira e deixa a plateia, entre créditos onde surge a voz de Bad Bunny como um óculos de pizza esquecido, com a sensação de que o verdadeiro encanto não está no objeto, mas na memória que ele guarda.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O retorno de Woody e Buzz em Toy Story 5 foi um triunfo de bilheteria, mostrando que os brinquedos resistem à tecnologia digital. Mais de trinta anos após o primeiro filme, os personagens mantêm seu carisma e continuam conectando gerações de espectadores.
Toy Story 5 explora o choque entre brinquedos e a era digital, destacando a luta para permanecer relevante quando as crianças preferem tablets. O enredo convida à reflexão sobre como a tecnologia está remodelando a infância.
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