
Kate Middleton, as crianças de Reggio Emilia e o apelo por conexão humana numa era digital
Numa visita à cidade italiana, a Princesa de Gales observou o método educativo dos “cem linguagens” e, num ensaio, defendeu que o afeto e a natureza são antídotos ao mundo mediado por ecrãs.
Na Piazza Grande de Reggio Emilia, uma mulher loira, vestida com um casaco claro, ajoelhou-se para ficar à altura de uma criança. A multidão de três mil pessoas, contida por grades, observava em silêncio enquanto Kate Middleton ouvia o que um pequeno aluno tinha a dizer. Depois, abraçou uma rapariga com deficiência e, a outro menino que a reclamava, prometeu: “Tornerò”. A cena, registada em maio de 2026 durante a primeira viagem ao estrangeiro da Princesa de Gales após o tratamento oncológico, não foi um gesto protocolar. Foi a expressão física de uma busca que, semanas mais tarde, se transformaria num ensaio sobre a infância, a escuta e o que significa estar verdadeiramente presente.
O texto, publicado no site da Royal Foundation Centre for Early Childhood, reflete os dois dias que Kate passou a estudar o Reggio Emilia Approach, a filosofia educativa nascida no pós-guerra pelas mãos do pedagogo Loris Malaguzzi. Ali, as crianças são tratadas como membros plenos da sociedade e encorajadas a exprimir-se através dos seus “cem linguagens” — os múltiplos modos, verbais e não verbais, de comunicar. No ensaio, a princesa escreve que “num mundo cada vez mais digitalizado, onde grande parte da vida é mediada por ecrãs, a necessidade de uma conexão humana genuína nunca foi tão grande”. E acrescenta que competências como a empatia, a humildade e o amor “não podem ser digitalizadas”, mas cultivadas na natureza e na criatividade.
As suas palavras surgem num momento em que várias sociedades reavaliam a exposição de crianças e adolescentes aos dispositivos digitais. No Reino Unido, o governo de Keir Starmer anunciou a proibição do acesso às redes sociais para menores de 16 anos, prevista para a primavera de 2027. Nos Emirados Árabes Unidos, uma decisão semelhante para menores de 15 anos foi acompanhada por alertas de pediatras e psicólogos: o córtex pré-frontal, responsável pelo controlo de impulsos, ainda está em formação, e as plataformas sociais foram desenhadas para ativar circuitos de dopamina que podem gerar dependência, ansiedade e perturbações do sono. Em consultórios norte-americanos, investigadores da Universidade de Iowa já tinham verificado que, aos dois anos, 90% das crianças possuem uma capacidade moderada de usar um tablet, e psicoterapeutas descrevem casos de “birras tecnológicas” quando o dispositivo é retirado. Ao mesmo tempo, uma tendência entre millennials e a Geração Z no Reino Unido e nos Estados Unidos mostra jovens a adquirir um segundo telefone, mais básico, para se desintoxicarem digitalmente — uma estratégia pessoal que ecoa o mesmo desejo de reconexão.
A ressonância do ensaio ultrapassou o círculo da realeza. Em Itália, a imprensa local e agências noticiosas cobriram a visita e a publicação com um tom de orgulho discreto, sublinhando o reconhecimento internacional do modelo de Reggio Emilia. Nos Emirados, a Academia Nacional para o Desenvolvimento da Infância citou a decisão governamental como parte de uma prioridade nacional pelo bem-estar infantil, alinhada com a necessidade de uma literacia digital apoiada em evidências. Para muitos pais, o eco mais íntimo veio de uma conversa que Kate relatou no final do ensaio: uma mãe na escola dos seus filhos perguntou-lhe o que fariam se pudessem escolher apenas uma coisa. A resposta foi “dar prioridade ao amor — um amor tranquilo e incondicional, construído com tempo e paciência”.
Antes de deixar a Emília-Romanha, Kate Middleton visitou um agriturismo nas colinas do Parmense. Enfiou um avental e, sob o olhar divertido dos presentes, transformou-se em “rezdora” — a dona de casa emiliana — para amassar tortelli de ervette. As mãos reais, cobertas de farinha, moldavam a massa com a mesma atenção que dedicara às crianças na praça. Era um gesto sem ecrãs, sem intermediários digitais, apenas a matéria e o toque. A imagem ficou como uma tradução silenciosa do que o ensaio tentava dizer: há qualquer coisa de essencial que só se recupera quando nos sujamos as mãos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A visita da princesa a Reggio Emilia torna-se um apelo para redescobrir a conexão humana genuína num mundo saturado de ecrãs. O seu ensaio alerta que as crianças precisam de experiências do mundo real para prosperar, ecoando as crescentes preocupações com a sobrecarga digital. A narrativa sugere uma abordagem equilibrada e pragmática da tecnologia, enfatizando a esperança e as qualidades humanas.
A viagem da Princesa de Gales a Reggio Emilia celebra a renomada filosofia da primeira infância da cidade. O seu ensaio, publicado após a visita, destaca a abertura natural das crianças e o modelo educativo que a promove. A história centra-se no encontro entre a realeza e uma tradição local de infâncias felizes.
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