
IA muda o trabalho, mas impacto no emprego ainda é modesto, mostra estudo
Análise do Yale Budget Lab indica que a inteligência artificial altera funções mais do que as elimina, ecoando padrões de revoluções tecnológicas anteriores, enquanto empresas enfrentam custos crescentes e trabalhadores relatam ansiedade.
Nos Estados Unidos, a inteligência artificial generativa não está a provocar uma vaga de desemprego em massa. Uma análise do Yale Budget Lab conclui que, desde o lançamento do ChatGPT em 2022, o impacto da IA no mercado de trabalho americano tem sido modesto, alterando mais a natureza das funções do que eliminando postos — um padrão semelhante ao observado com a introdução dos computadores nos anos 1980 e da internet nos anos 1990. A exposição à IA, segundo os investigadores, não apresenta “conexão” com variações no emprego ou no desemprego.
Apesar da estabilidade agregada, a tecnologia está a reconfigurar exigências profissionais. Um relatório global da PwC, baseado em mais de mil milhões de anúncios de emprego, revela que empresas mais expostas à IA aumentaram o número de funcionários em 52% desde 2018, contra 36% nas menos expostas, e os salários subiram 24% face a 17%. Contudo, funções de entrada altamente expostas à IA estagnaram, enquanto as que incorporaram competências tradicionalmente seniores cresceram 35%. Em paralelo, um estudo publicado na revista Human Systems Management associa a perceção de ameaça pela IA a níveis mais elevados de burnout, com menor segurança psicológica para expressar dúvidas ou admitir erros.
No Brasil, a adoção de IA no comércio eletrónico ilustra a transformação em curso. Analistas do BTG Pactual, em São Paulo, apontam que o tráfego de IA generativa para sites de retalho saltou 4.700% no último ano e projetam que agentes autónomos viabilizem 25% das transações até 2030. Plataformas como Mercado Livre e Magazine Luiza adaptam as suas arquiteturas para interações mediadas por IA, enquanto a infraestrutura do Open Finance cria as bases para que agentes negociem em nome do consumidor. O conceito de “M.AI.Bundling”, discutido no setor de pagamentos, descreve um cenário em que o cliente delega decisões financeiras a um agente de IA, forçando instituições a competir nos bastidores.
O entusiasmo, porém, esbarra em custos operacionais. Gigantes tecnológicos como Meta, Microsoft, Uber e Walmart impuseram limites ao consumo de tokens após as faturas de computação superarem, em alguns casos, os gastos com pessoal. A OpenAI reconheceu que o custo da IA se tornou um “problema enorme” para muitos clientes em 2026. Enquanto empresas como a Amazon e a Intuit anunciam despedimentos associados à automação, o debate desloca-se para a capacidade humana de desenvolver competências que a IA não replica plenamente: empatia, ética, colaboração. O próximo marco a observar será a evolução dos modelos de tarifação dos fornecedores de IA e a resposta dos reguladores, num momento em que o mercado de trabalho dá sinais de recuperação, mas a pressão sobre funções repetitivas se intensifica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As empresas que adotam IA em larga escala estão aumentando o número de funcionários, não reduzindo. Os trabalhadores que usam IA ganham 'superpoderes' e se tornam mais valiosos. O futuro do trabalho é sobre aumento, não substituição.
A disseminação da IA está alimentando o burnout e a ansiedade entre os trabalhadores que temem ser substituídos. O custo psicológico da automação está se tornando uma preocupação séria, à medida que os funcionários se sentem cada vez mais precários. Os ganhos de produtividade prometidos vêm com um custo oculto para a saúde mental.
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