
Zelensky exige que Lukashenko remova retransmissores usados pela Rússia em uma semana ou a Ucrânia agirá
Presidente ucraniano acusa Minsk de permitir que equipamentos na fronteira corrijam disparos russos contra civis e ameaça agir unilateralmente; tensão aumenta após ataque a autocarro com crianças bielorrussas.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, exigiu esta sexta-feira que o líder bielorrusso, Alexander Lukashenko, desative e retire, no prazo de uma semana, os retransmissores instalados junto à fronteira comum que, segundo Kiev, são utilizados pelas forças russas para corrigir ataques com drones e mísseis contra cidades ucranianas. "Se ele não o fizer, fá-lo-emos nós", afirmou Zelensky numa conferência de imprensa em Kiev com o Presidente das Honduras, sem detalhar a natureza da eventual ação militar.
Na perspetiva de Kiev, a presença desses equipamentos em território bielorrusso contradiz as repetidas declarações de Lukashenko de que não deseja envolver-se na guerra. Zelensky recordou que, desde o início da invasão em 2022, mísseis russos foram lançados a partir da Bielorrússia e acusou Minsk de se ter tornado o principal fornecedor de combustível para o exército russo, após os ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera da Rússia. Minsk, por seu lado, rejeita as acusações. Lukashenko afirmou em junho que a extensão do conflito ao seu país seria "totalmente inaceitável" e que Kiev "não tem nada a temer" da Bielorrússia. Contudo, o ambiente deteriorou-se após um ataque com drone ucraniano, a 17 de junho, contra um autocarro que transportava uma equipa de futebol infantil bielorrussa na região russa de Bryansk, que fez vários feridos e uma vítima mortal. O Estado-Maior ucraniano negou responsabilidade, enquanto Lukashenko classificou o episódio como "fascismo aberto" e o Kremlin o descreveu como "ato terrorista".
Em Moscovo, o presidente do comité de assuntos internacionais da Duma, Leonid Slutsky, considerou as ameaças de Zelensky uma "provocação à escalada" e advertiu que ameaças a Minsk, membro do Estado da União com a Rússia, serão tratadas como ameaças diretas à Federação Russa. No parlamento bielorrusso, o deputado Oleg Gaidukevich acusou Kiev de querer arrastar a Bielorrússia e toda a Europa para a guerra, mas garantiu que Minsk "não cederá a provocações". Observadores em Brasília e Lisboa acompanham com preocupação a escalada retórica, temendo que um eventual envolvimento direto da Bielorrússia possa desestabilizar ainda mais a segurança energética e alimentar global, com repercussões para os países lusófonos dependentes de importações.
O ultimato de Zelensky insere-se num contexto de crescente atividade militar na fronteira norte da Ucrânia, que Kiev denuncia desde abril. A Bielorrússia, embora tenha servido de plataforma logística para a ofensiva russa inicial, tem evitado até agora o envio de tropas próprias. O prazo de uma semana termina por volta de 26 de junho, sem que Minsk tenha dado uma resposta oficial. A comunidade internacional, incluindo os membros da CPLP, monitoriza a situação, enquanto se aguardam eventuais gestos diplomáticos que possam evitar uma nova frente de conflito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A mídia estatal russa retrata a declaração de Zelensky como um ultimato agressivo, lançando dúvidas sobre as estações retransmissoras com a palavra 'supostamente'. Justapõem imediatamente a notícia a um ataque de drone ucraniano a um ônibus com crianças, sugerindo que Kiev é o agressor e Minsk a vítima.
Os veículos da Europa continental noticiam a exigência de Zelensky para que Lukashenko remova estações retransmissoras usadas para corrigir ataques russos, observando que, apesar das negativas, Belarus está envolvida na guerra. O prazo de uma semana e a ameaça de ação ucraniana são apresentados como um desenvolvimento factual.
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