
Israel e Hezbollah acordam cessar-fogo após dia de escalada no Líbano
Trégua mediada por EUA e Catar entra em vigor às 16h locais, mas testa a solidez do memorando entre Washington e Teerão e a contenção de fações israelitas.
Israel e o Hezbollah acordaram um cessar-fogo que entrou em vigor às 16h00 locais desta sexta-feira, segundo um alto funcionário norte-americano citado pela Reuters. O entendimento foi alcançado com a mediação de negociadores dos Estados Unidos e do Catar, que contaram com o auxílio do Irão, e surge após uma jornada de intensos bombardeamentos israelitas no sul do Líbano e no vale do Bekaa. O Ministério da Saúde libanês reportou pelo menos 18 mortos, enquanto outras fontes elevam o número para 30; do lado israelita, quatro soldados morreram numa emboscada reivindicada pelo Hezbollah perto de Kfar Tebnit.
O anúncio da trégua contrasta com a retórica de dirigentes israelitas nas horas anteriores. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmara que Israel cobraria “um preço muito alto” e que as tropas permaneceriam na “zona de segurança” no sul do Líbano “pelo tempo que for necessário”. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, declarou que “todo o Líbano deve arder”. Fontes diplomáticas em Washington indicaram, porém, que os Estados Unidos asseguraram ao Irão, através de mediadores, que os ataques israelitas da madrugada — mais de 80 alvos — constituíam a resposta completa à morte dos soldados e que Israel não prosseguiria com novas ofensivas. Teerão exigira garantias de fim das hostilidades no Líbano antes de retomar as negociações com Washington, que estavam previstas para a Suíça e foram suspensas após a escalada.
O cessar-fogo representa o primeiro teste de campo para o memorando de entendimento assinado entre Estados Unidos e Irão na quarta-feira, que prevê a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e o respeito pela integridade territorial e soberania libanesa. O acordo-quadro estabelece um período de 60 dias para a negociação de um entendimento definitivo, que deverá abranger o programa nuclear iraniano e a arquitetura de segurança regional. Em paralelo, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, entidade autoproclamada por Teerão, anunciou a abertura do Estreito de Ormuz à passagem gratuita de embarcações durante os mesmos 60 dias, sinalizando a interdependência entre a via marítima estratégica e o processo diplomático. Para observadores em Brasília e Lisboa, a estabilidade da região tem reflexos diretos nos mercados de energia e nas cadeias de abastecimento globais, com impacto potencial nos preços dos combustíveis e na segurança da navegação comercial.
A durabilidade da trégua é posta em causa por divergências de fundo. Israel divulgou um mapa da “zona de segurança” que pretende manter no sul do Líbano, numa faixa de cerca de 10 quilómetros a partir da fronteira, e fontes israelitas descreveram como “difíceis” as conversas com os EUA sobre a retirada das tropas. O presidente Donald Trump, que admitiu ter chamado Netanyahu de “louco” numa discussão acesa, pressiona pelo fim dos bombardeamentos e pela desocupação, mas enfrenta resistência do governo israelita. Em Beirute, o anúncio é recebido com prudência, dada a memória de tréguas anteriores rapidamente violadas. O dossiê permanece em aberto: o cumprimento do cessar-fogo nas próximas horas será determinante para a eventual retoma das conversações entre Washington e Teerão, enquanto a comunidade internacional, incluindo os países lusófonos com assento no Conselho de Segurança, acompanha os desenvolvimentos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A mídia israelense relata que um cessar-fogo com o Hezbollah começará na sexta-feira às 16h, segundo um funcionário dos EUA. O acordo foi mediado pelos EUA e Catar com ajuda do Irã, e Washington garantiu a Teerã que Israel interromperá os ataques. A notícia é recebida com cautela, observando que ocorre após uma troca de tiros e sem confirmação israelense.
A imprensa árabe relata que um cessar-fogo no sul do Líbano foi anunciado após um dia de bombardeios israelenses massivos que mataram 30 libaneses e quatro soldados israelenses. A trégua, marcada para as 16h, é vista como consequência direta da violência intensa, com o lado libanês arcando com o maior ônus. A narrativa enfatiza o derramamento de sangue e retrata o cessar-fogo como uma interrupção necessária da agressão israelense.
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