
Itália cancela visita oficial aos EUA após Trump alegar que Meloni 'implorou' por fotografia
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, suspendeu a deslocação a Washington em reação às declarações do presidente americano, classificadas como 'graves e ofensivas' para todo o país.
O Governo italiano cancelou na sexta-feira uma visita oficial de alto nível aos Estados Unidos, depois de o presidente Donald Trump ter afirmado, numa entrevista telefónica ao canal La7, que a primeira-ministra Giorgia Meloni o "implorou" para tirarem uma fotografia juntos durante a cimeira do G7 em Évian, França. Meloni respondeu com um vídeo nas redes sociais, classificando as declarações como "totalmente inventadas" e sublinhando que "nem eu nem a Itália imploramos jamais". O ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, anunciou de imediato o cancelamento da viagem que faria a Miami nos dias 21 e 22 de junho, onde copresidiria a um fórum empresarial com o secretário de Estado Marco Rubio, argumentando que as palavras de Trump "ofendem toda a Itália".
A reação em Roma foi transversal. O subsecretário da presidência do Conselho de Ministros, Giovanbattista Fazzolari, acusou Trump de "arrasar as relações históricas entre os Estados Unidos e a Europa", enquanto o ministro da Defesa, Guido Crosetto, ironizou que não imagina Meloni a pedir uma foto "nem sob ameaça". A oposição, incluindo o Partido Democrático e o Movimento 5 Estrelas, manifestou solidariedade institucional à chefe do Governo, embora líderes como Giuseppe Conte e Matteo Renzi tenham aproveitado para criticar a anterior proximidade de Meloni com Trump. Do lado norte-americano, a Casa Branca não emitiu comentários oficiais até ao fecho desta edição. A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, questionou por que razão o embaixador dos EUA em Roma não foi convocado, contrastando com a rapidez com que Moscovo foi chamado após declarações de um jornalista russo.
O episódio agravou uma relação que já vinha a deteriorar-se. Meloni, que foi a única líder europeia presente na tomada de posse de Trump em 2025, distanciou-se do presidente americano após a guerra no Irão. Itália recusou autorizar a utilização de bases aéreas para operações militares dos EUA no Médio Oriente e, em abril, Meloni classificou como "inaceitáveis" os ataques de Trump ao Papa Leão XIV, que condenara o conflito. Trump respondeu então que estava "chocado" com a primeira-ministra e que pensara que ela "tinha coragem". A cimeira do G7 parecera ter atenuado as tensões, com imagens de ambos em conversa prolongada, mas a entrevista de Trump reacendeu a crispação.
Na perspetiva de analistas europeus, o incidente revela a volatilidade das alianças pessoais de Trump e a dificuldade de os parceiros tradicionais dos EUA gerirem uma relação em que a humilhação pública pode surgir como instrumento de pressão. Em Itália, o caso unificou momentaneamente o espectro político em defesa da dignidade nacional, mas também expôs divisões sobre a estratégia de "ponte" com Washington que Meloni procurou encarnar. O fórum empresarial de Miami foi cancelado e a confederação industrial italiana retirou-se do evento. O dossiê permanece em aberto, sem indicação de quando ou como os canais diplomáticos poderão recompor a relação.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Donald Trump lançou um ataque verbal gratuito e ofensivo contra a primeira-ministra Giorgia Meloni, alegando que ela implorou por uma foto. A chefe de governo rejeitou firmemente as acusações como totalmente inventadas, enquanto o ministro das Relações Exteriores cancelou uma visita oficial aos Estados Unidos em protesto. O episódio desencadeou uma crise diplomática e uma onda de solidariedade política em torno de Meloni, com duras condenações ao presidente americano.
As tensões entre Donald Trump e Giorgia Meloni aumentaram drasticamente depois que o presidente dos EUA afirmou que a primeira-ministra italiana implorou por uma foto. O chanceler italiano cancelou uma visita planejada a Washington em protesto, classificando as declarações como um insulto a toda a nação. A briga expõe as crescentes divisões entre os aliados ocidentais tradicionais.
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