
Trump insiste em vitória total sobre o Irão e rejeita limites ao seu poder
Presidente dos EUA afirma que Teerão perdeu capacidade militar e não receberá 'nem dez cêntimos', enquanto negociações técnicas são adiadas devido a exigências iranianas sobre o Líbano.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na sexta-feira que o Irão está “acabado” e que o memorando de entendimento assinado com Teerão equivale a uma “rendição incondicional”, ao mesmo tempo que as primeiras conversações técnicas previstas para a Suíça foram adiadas. A suspensão ocorreu depois de o Irão ter exigido garantias de que Israel cessará a campanha militar contra o Hezbollah no Líbano, conforme fontes diplomáticas citadas pela CNN. Trump, em publicações na rede Truth Social e numa entrevista ao site Axios, afirmou que a guerra “diminuiu” o Irão, que o país já não dispõe de força aérea, marinha ou sistemas de defesa antiaérea, e que Washington não desembolsará “nem dez cêntimos” para Teerão.
Na perspetiva de Washington, a administração Trump apresenta o acordo como uma demonstração de força militar e rejeita qualquer leitura de recuo. O presidente sustentou que o bloqueio naval imposto pelos EUA foi absoluto — “nenhum navio conseguiu passar” — e que prolongar o conflito poderia ter desencadeado uma depressão económica mundial, ao manter fechado o Estreito de Ormuz. Na mesma entrevista, Trump afirmou não ter aprendido “nenhuma lição” sobre os limites do seu poder: “Não há limites”. Em Teerão, o Líder Supremo Mojtaba Khamenei revelou ter autorizado o Presidente Masoud Pezeshkian a assinar o memorando apesar da sua “opinião negativa”, segundo a imprensa estatal iraniana, e condicionou a continuidade das negociações ao fim das hostilidades israelitas no Líbano.
O memorando de entendimento, assinado digitalmente por Trump e Pezeshkian, contém catorze disposições, incluindo a livre passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval norte-americano e o acesso do Irão a pelo menos 300 mil milhões de dólares em financiamento, com o levantamento de sanções dependente de um acordo final ainda por negociar. Trump negou, contudo, que os EUA efetuem qualquer pagamento direto, classificando as notícias sobre uma transferência de 300 mil milhões como “notícias falsas”. Críticos no Congresso norte-americano, como o líder democrata Chuck Schumer e o senador republicano Bill Cassidy, consideram o acordo um “fracasso” e um “erro histórico”, argumentando que o Irão saiu fortalecido e que os objetivos iniciais de desmantelamento do programa nuclear iraniano foram abandonados.
Analistas europeus notam que o desfecho contrasta com a exigência inicial de Trump de uma “rendição incondicional” e com a insistência anterior no fim do enriquecimento doméstico de urânio. O texto do memorando prevê que as discussões sobre o futuro do programa nuclear e dos stocks de urânio enriquecido prossigam durante um período de negociação de sessenta dias. Para os países lusófonos, a estabilidade do Estreito de Ormuz é particularmente relevante: o Brasil, enquanto grande exportador de petróleo, beneficia de preços estáveis nos mercados globais, ao passo que Portugal e as economias africanas importadoras de crude acompanham com atenção os riscos de disrupção no abastecimento. A próxima etapa do dossiê depende da resolução da exigência iraniana sobre o Líbano; os mediadores trabalham para retomar as conversações técnicas, mas não foi anunciada uma nova data.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump alega que não há limites para seu poder, mas o acordo com o Irã que ele assinou é muito mais restrito do que a rendição incondicional que exigia, e libera US$ 300 bilhões para Teerã. A imprensa enquadra isso como uma contradição, sugerindo que ele não aprendeu nenhuma lição sobre os limites do poder americano.
Trump declara que não há limites para seu poder, chama o acordo com o Irã de derrota militar total e acrescenta que Netanyahu deve ser mantido são. A imprensa enquadra isso como uma demonstração de hybris sem limites, observando as críticas republicanas ao acordo limitado.
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