
Vitória de socialista democrata no Colorado aprofunda guinada à esquerda nos EUA
Melat Kiros derrotou a deputada Diana DeGette nas primárias democratas, num ciclo de vitórias progressistas que reconfigura o partido e acirra o debate sobre Israel e o controlo do Congresso.
A advogada e ativista Melat Kiros, de 29 anos, derrotou a deputada Diana DeGette nas primárias democratas do 1.º distrito do Colorado, encerrando três décadas de mandato da incumbente. Kiros, que se define como socialista democrata e foi apoiada pelo senador Bernie Sanders e pelos Democratic Socialists of America, fez campanha pela criação de um sistema público de saúde universal, pela abolição da agência de imigração ICE e pelo fim do auxílio militar dos EUA a Israel. A sua vitória, projetada na noite de terça-feira, insere-se numa vaga de triunfos de candidatos da ala esquerda em distritos urbanos de forte inclinação democrata, depois de resultados semelhantes em Nova Iorque e no Maine.
Na perspetiva dos grupos progressistas, como o Justice Democrats, estas vitórias representam uma rejeição do establishment partidário e um mandato para políticas de rutura. Em contrapartida, setores moderados do Partido Democrata alertam que candidaturas com este perfil podem afastar eleitores centristas em distritos competitivos, comprometendo a reconquista da Câmara dos Representantes. Os republicanos, por seu lado, já classificam os candidatos como “socialistas radicais”, procurando associar toda a legenda democrata à extrema-esquerda. Em Brasília, analistas notam que a retórica anti-establishment e a ênfase na justiça social ecoam ciclos de renovação política na América Latina, enquanto em Lisboa se observa que o debate sobre o embargo de armas a Israel reflete tensões que também atravessam a política externa europeia. Nos países africanos de língua portuguesa, a posição de Kiros sobre a Palestina é lida como alinhada com a tradicional solidariedade africana à causa palestiniana.
A noite de primárias no Colorado, porém, revelou limites à vaga progressista. O senador John Hickenlooper, um centrista, derrotou com facilidade a desafiante Julie Gonzales, que contava com o apoio dos socialistas democráticos. No 8.º distrito, considerado um assento oscilante, o progressista Manny Rutinel venceu a nomeação democrata, mas enfrentará um republicano bem financiado, num teste à viabilidade eleitoral da esquerda fora dos bastiões urbanos. Já na disputa para governador, o procurador-geral Phil Weiser, que se apresentou como um combatente contra a administração Trump, superou o senador Michael Bennet, sugerindo que o sentimento anti-incumbente não se limita à ala esquerda, mas reflete uma procura por oposição mais assertiva.
A vaga anti-incumbente é atribuída por analistas a uma insatisfação profunda com o status quo, alimentada pela pandemia, pela desigualdade económica e pela guerra em Gaza. A trajetória de Kiros — despedida de uma firma de advogados após criticar a posição do setor sobre Israel e depois abraçada pelo movimento socialista — ilustra como a política externa se tornou um critério definidor para os progressistas. Os Democratic Socialists of America preveem eleger pelo menos cinco membros para o Congresso em novembro, contra os atuais dois. O próximo teste ocorre em agosto, quando a ex-deputada Cori Bush tentará reconquistar o seu assento em St. Louis. As eleições gerais de novembro determinarão se este impulso progressista se traduz em poder legislativo, num contexto em que os democratas precisam de um ganho líquido de três lugares para controlar a Câmara.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A vitória da socialista democrática Melat Kiros no Colorado marca mais um triunfo para a ala esquerda do partido, que está a redefinir rapidamente o equilíbrio de poder interno. A vaga progressista, alimentada pelo apoio de Bernie Sanders e dos DSA, envia um sinal urgente ao establishment democrata antes das eleições intercalares.
A vitória nas primárias de Melat Kiros, candidata anti-Israel que classificou as operações em Gaza como genocídio, soa o alarme sobre a influência crescente de vozes hostis no campo progressista americano. Despedida por criticar o silêncio dos escritórios de advogados sobre Israel, a sua ascensão é um alerta para as relações bilaterais.
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