
Serviço de inteligência russo acusa Ucrânia de colaborar com cartéis mexicanos de droga
SVR alega que portos de Odessa são usados como base de trânsito para narcóticos rumo à Europa, sem apresentar provas.
O Serviço de Inteligência Externa da Rússia (SVR) acusou formalmente as autoridades ucranianas de facilitarem o tráfico de drogas da América Latina para a Europa, em comunicado divulgado a 29 de junho. Segundo o SVR, as forças de segurança ucranianas «conscientemente potenciam» o aumento do trânsito de estupefacientes, incluindo fentanil, utilizando os portos da região de Odessa como principal base de transbordo para rotas que atravessam a Polónia, a Moldávia e a Roménia. A acusação surge num momento de intensificação da campanha antidroga nos Estados Unidos, que, de acordo com a inteligência russa, leva os cartéis latino-americanos a procurarem novos corredores de acesso ao mercado europeu.
Na perspetiva de Moscovo, o interesse de Kiev é duplo: obter receitas adicionais face à insuficiência do apoio financeiro ocidental e beneficiar do auxílio dos cartéis no recrutamento de combatentes estrangeiros para as Forças Armadas ucranianas. O SVR sustenta ainda que o mercado negro de armamento ucraniano representa um atrativo suplementar para as organizações criminosas. A nota do serviço de inteligência não foi acompanhada de qualquer elemento probatório, limitando-se a afirmações genéricas. Observadores em Lisboa e em Brasília notam que o comunicado replica o tom de pronunciamentos anteriores do SVR, que nos últimos meses visaram também a Sérvia e o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, frequentemente sem apresentar evidências.
A acusação insere-se numa série de alegações russas sobre o envolvimento ucraniano no narcotráfico. Em maio, o Conselho de Segurança da Rússia já denunciara a disseminação de drogas na autoproclamada República Popular de Donetsk a partir de território controlado por Kiev. O Ministério do Interior russo tem reportado, desde 2023, um aumento das apreensões de drogas sintéticas com origem na Ucrânia, e o seu titular, Vladimir Kolokoltsev, afirmou em abril desse ano que agentes ucranianos participam na organização de laboratórios clandestinos em território russo. Casos judiciais em Moscovo e Novosibirsk, com condenações por canais de tráfico provenientes da Ucrânia, são citados como exemplos pelas autoridades russas.
Até ao momento, não houve reação oficial de Kiev ou da Cidade do México às declarações do SVR. A ausência de verificação independente mantém as acusações no plano retórico, num contexto em que a Rússia procura projetar a imagem de um Estado ucraniano capturado por interesses criminosos transnacionais. O dossiê permanece sem desenvolvimentos factuais conhecidos, não estando prevista qualquer investigação internacional sobre o alegado corredor de narcóticos.
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A história está ausente do resumo.
O evento simplesmente não é mencionado, não deixando narrativa para analisar.
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