
Eliminação alemã na Copa é seguida de buscas na federação por suspeita de corrupção na Euro-2024
Poucas horas após a queda precoce no Mundial, a polícia alemã vasculhou a sede da DFB e prefeituras em investigação sobre distribuição irregular de ingressos e convites durante o Europeu de 2024.
A Alemanha, tetracampeã mundial, foi eliminada nos pênaltis pelo Paraguai na fase de 32 avos de final da Copa do Mundo de 2026, na América do Norte, na noite de 30 de junho. A derrota prolongou uma sequência de três edições sem passar das fases iniciais — depois do título em 2014, os alemães caíram na fase de grupos em 2018 e 2022. Apenas 36 horas após o desembarque da delegação em Frankfurt, a crise ganhou contornos judiciais: mais de 150 agentes da polícia criminal da Renânia do Norte-Vestfália cumpriram mandados de busca na sede da Federação Alemã de Futebol (DFB) e em administrações municipais de nove cidades-sede da Euro-2024.
As diligências, noticiadas inicialmente pelo tabloide Bild e confirmadas pelo Ministério Público de Bochum, investigam suspeitas de corrupção ativa e passiva na distribuição de ingressos e pacotes de hospitalidade durante o Campeonato Europeu realizado na Alemanha dois anos antes. O alvo central é a Euro 2024 GmbH, empresa de propósito específico criada pela DFB e pela UEFA para organizar o torneio. Segundo os investigadores, um cidadão alemão de 66 anos, então funcionário de uma prefeitura anfitriã, e um cidadão francês de 46 anos, que atuava como responsável pelas relações com as cidades-sede na Euro 2024 GmbH, são suspeitos de terem operado um esquema de concessão de vantagens indevidas. O francês teria convidado dirigentes locais para partidas de alto perfil, enquanto o alemão, ex-funcionário da administração de Gelsenkirchen, teria obtido benefício financeiro de cerca de 2.400 euros ao receber ingresso, viagem e hospedagem para a semifinal entre Espanha e França, em Munique.
A operação atingiu prefeituras e órgãos municipais de Gelsenkirchen, Dortmund, Düsseldorf, Colônia, Hamburgo, Berlim, Frankfurt, Stuttgart e Munique, além de três empresas privadas. Em Leipzig, foi expedida uma ordem de entrega de documentos. O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, reagiu com dureza: “Um bilhete de futebol não é parte do salário. Quem estende a mão no serviço público recebe a nossa visita”. A imprensa alemã, como o Süddeutsche Zeitung, recorda que a DFB acumula investigações recentes — do escândalo de subornos na Copa de 2006 à condenação por sonegação fiscal em 2024 — e que a nova suspeita agrava a crise de credibilidade da entidade.
Na perspetiva de observadores em Lisboa, o caso ecoa os alertas sobre a opacidade na governança do futebol europeu, enquanto analistas no Brasil notam o contraste com a imagem de eficiência organizativa que a Alemanha projetou durante o torneio continental. A mídia árabe, como os jornais An-Nahar e Al Ittihad, sublinhou a coincidência temporal entre a eliminação no Mundial e a divulgação das buscas, sugerindo um momento de fragilidade institucional. Já a imprensa italiana, como o Libero Quotidiano, classificou o episódio como uma “bomba” sobre o futebol alemão, destacando que milhares de ingressos podem ter sido alocados ilegalmente a convidados preferenciais.
A DFB confirmou que sua sede foi alvo das buscas, mas não se pronunciou sobre o mérito. Os suspeitos ainda não foram ouvidos formalmente e gozam da presunção de inocência, segundo o Ministério Público. A eliminação no Mundial deixa a seleção alemã sem calendário competitivo imediato, enquanto a federação enfrenta o risco de um novo processo penal que pode respingar na UEFA e nas cidades-sede, exatamente quando o país tentava virar a página dos fracassos recentes dentro de campo.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +1.00 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
The Arab world rejoices in Paraguay's redemption, a symbol of the periphery defeating the center.
Transforms a football match into a geopolitical metaphor, amplifying the Paraguayan president's rhetoric and ignoring the match's technical details.
Completely omits the corruption scandal that engulfed the DFB and the controversy over the disallowed goal.
Continental Europe reaffirms the correctness of the refereeing decisions and frames Germany's elimination as part of the game.
Relies on official sources (Collina) and a technical-legal lexicon to defuse the emotional charge of the defeat.
Does not delve into the Euro-2024 ticket scandal or the corruption context preceding the match.
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