
Beccacece deixa o Equador após eliminação para o México e encerra ciclo de renovação e controvérsias
Treinador argentino confirmou a saída logo após a derrota por 2 a 0 no Estádio Azteca, encerrando uma passagem de dois anos que levou a Tri ao vice‑campeonato das Eliminatórias e a uma vitória histórica sobre a Alemanha, mas que também acumulou críticas e um desfecho precoce no Mundial de 2026.
A eliminação do Equador nos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026, na noite de terça‑feira, selou o fim da era de Sebastián Beccacece no comando da seleção. O treinador argentino, de 45 anos, confirmou que não renovaria o vínculo que expirava com o encerramento da participação equatoriana no torneio, minutos depois de sua equipe ser superada por 2 a 0 pelo anfitrião México, no Estádio Azteca. Gols de Julián Quiñones e Raúl Jiménez, somados à expulsão do zagueiro Piero Hincapié, construíram a despedida de um ciclo que, segundo analistas sul‑americanos, oscilou entre a solidez defensiva e a frustração ofensiva.
A campanha no Mundial refletiu essa dualidade. O Equador estreou com derrota por 1 a 0 para a Costa do Marfim, empatou sem gols com o estreante Curaçao e, sob forte pressão, ressurgiu com uma vitória por 2 a 1 sobre a Alemanha — resultado que garantiu a classificação como um dos melhores terceiros colocados e provocou cenas de emoção do treinador, que escalou o alambrado para beijar a esposa na tribuna. Antes desse jogo, a imprensa equatoriana noticiava insultos à família de Beccacece e o ex‑jogador Jefferson Montero havia pedido publicamente sua renúncia. O próprio técnico admitira que deixaria o cargo se a equipe caísse na primeira fase.
A passagem de Beccacece, iniciada em agosto de 2024 após a saída de Félix Sánchez Bas, teve números expressivos: em 24 partidas, foram nove vitórias, doze empates e apenas três derrotas — duas delas justamente no Mundial. Sob seu comando, a Tri terminou as Eliminatórias Sul‑Americanas na segunda colocação, atrás apenas da Argentina, mesmo partindo de uma punição de três pontos pelo caso Byron Castillo. Na perspetiva de observadores em Buenos Aires e no Rio de Janeiro, o treinador conseguiu imprimir uma identidade de jogo baseada na pressão alta e na valorização de jovens como Moisés Caicedo, Kendry Páez e o próprio Hincapié, mas a falta de contundência nos momentos decisivos limitou o alcance do projeto.
Na despedida, Beccacece descreveu o vestiário como “uma família” e afirmou não ter reprovações: “Os resultados são os que mandam. Levo comigo o carinho, o respeito e a admiração desse grupo”. A federação equatoriana, por sua vez, inicia a busca por um novo treinador enquanto se despede também de pilares como o goleiro Hernán Galíndez e o atacante Enner Valencia, que encerraram seus ciclos na seleção. O legado, avaliam analistas em Quito, fica na base de uma geração que, apesar da eliminação precoce, alcançou a segunda classificação consecutiva às oitavas de final — feito que o país só repetira desde 2006 — e que agora terá de encontrar um novo condutor para a caminhada até 2030.
| Imprensa europeia continental | −0.10 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.50 | critical |
O México afasta um Equador repleto de queixas, e o atraso do treinador vira piada para a pontualidade alemã.
O foco nos detalhes grotescos – atrasos, reclamações, caos da viagem – transforma a derrota num esquete sobre a desorganização sul-americana.
Chega de desculpas: Beccacece é o bode expiatório de um fracasso que não pode ficar sem punição. O Equador merece um líder à altura do seu orgulho.
A derrota é personalizada e atribuída inteiramente ao técnico, transformando a narrativa em um drama de culpa e redenção.
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