
Relatórios oficiais na Europa e América do Sul revelam escalada de violência com jovens no centro
Dados de agências de segurança da Alemanha, Rússia, Brasil e Argentina, divulgados esta semana, mostram aumento de crimes cometidos por adolescentes, radicalização de menores e persistência da violência doméstica e de género.
A divulgação quase simultânea de relatórios oficiais na Alemanha, Rússia, Brasil e Argentina expôs, esta semana, um panorama de agravamento da violência com jovens no centro das dinâmicas, seja como autores ou como vítimas. O serviço de informações interno alemão (BfV) contabilizou 58.700 pessoas com tendências de extrema‑direita em 2025, mais 8.450 do que no ano anterior, e classificou este extremismo como a “maior ameaça” à ordem democrática. Em Moscovo, o Comité de Investigação da Rússia reportou que a criminalidade juvenil cresceu 9% no primeiro trimestre de 2026, com a duplicação de crimes de cariz extremista e terrorista entre menores. Do outro lado do Atlântico, o Ministério da Saúde brasileiro registou um salto de 125% nas notificações de violência contra crianças e adolescentes em cinco anos, enquanto organizações argentinas documentaram 99 femicídios diretos no primeiro semestre de 2026, a maioria cometidos por parceiros ou ex‑parceiros no domicílio da vítima.
Na perspetiva das autoridades alemãs, o crescimento do potencial extremista está diretamente ligado à expansão do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que conta já com 70 mil filiados e é mantido sob vigilância como “caso suspeito” de extremismo. O relatório do BfV sublinha que a cena da extrema‑direita está a “trabalhar sistematicamente para radicalizar a próxima geração”, recorrendo a plataformas como Instagram, TikTok e Telegram para aliciar adolescentes com promessas de pertença e respostas a crises pessoais. Em simultâneo, a violência de extrema‑esquerda também aumentou, com um crescimento de 61% nos atos violentos, incluindo ataques incendiários a infraestruturas críticas em Berlim. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, anunciou a intenção de reforçar os poderes dos serviços secretos para operações encobertas, enquanto o tribunal administrativo mantém suspensa a classificação da AfD como “caso confirmado” de extremismo.
A leitura a partir de Brasília e de Buenos Aires acrescenta camadas sociais a este quadro. O estudo da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, baseado em dados do Sinan, revela que o ambiente doméstico concentra a maioria das agressões a menores no Brasil, com a mãe identificada como agressora em 34% dos casos e o pai em 26%. A região Nordeste liderou a variação percentual de notificações, com um salto de 1.200% no período analisado, o que, segundo especialistas, reflete tanto o agravamento do problema como a melhoria dos canais de denúncia. Na Argentina, o observatório “Ahora sí que nos ven” apurou que uma mulher foi assassinada por razões de género a cada 37 horas, e que 15% das vítimas tinham feito denúncias prévias. Organizações como a Ni Una Menos pressionam por respostas institucionais mais eficazes, num contexto em que 120 crianças e adolescentes ficaram órfãos devido a estes crimes só no primeiro semestre.
Em Moscovo, o presidente do Comité de Investigação, Alexander Bastrykin, associou o aumento da delinquência juvenil à “negligência” de funcionários responsáveis pela prevenção e determinou a abertura de auditorias às despesas regionais com políticas de juventude. O organismo investigou mais de 11 mil crimes cometidos por adolescentes em 2026, com um crescimento de 10% nos crimes violentos. A tendência de envolvimento de menores em atividades de diversão e fraude, frequentemente orquestradas por grupos organizados, é apontada como uma das faces mais preocupantes do fenómeno. Os próximos passos incluem a discussão no Parlamento alemão sobre a ampliação das competências dos serviços de informação, a conclusão das auditorias ordenadas pelo Comité de Investigação russo e a pressão de movimentos sociais latino‑americanos por planos nacionais de prevenção que articulem saúde, educação e justiça.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades russas relatam um aumento de 9% na criminalidade juvenil em 2026, com mais de 11.000 casos investigados. O foco permanece estritamente nos desafios domésticos, ignorando as alegações ocidentais de interferência. A narrativa sugere que Moscou tem suas próprias prioridades de segurança a tratar.
Os serviços de inteligência alemães alertam para uma crescente radicalização juvenil, alimentada por plataformas digitais e pela influência de potências estrangeiras como a Rússia. O extremismo de direita, em particular, regista um forte aumento, com milhares de novos seguidores recrutados online. As instituições democráticas estão sob pressão e são necessárias contramedidas imediatas.
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