
Ataques a Guardas Revolucionários no Irão expõem nova insurgência curda e tensão regional
Uma série de ataques armados no oeste e sudeste do Irão matou pelo menos cinco membros da Guarda Revolucionária, enquanto um novo grupo curdo reivindicou a autoria e Teerão intensifica operações contra separatistas.
Pelo menos cinco membros do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) foram mortos em ataques distintos na segunda-feira, 29 de junho de 2026, nas províncias de Kermanshah, Sistão-Baluchistão e Curdistão, num acender de tensões que as autoridades iranianas atribuem a “atos terroristas”. Em Paveh, junto à fronteira com o Curdistão iraquiano, dois guardas foram abatidos a tiro à porta de casa e outros dois ficaram feridos; um grupo recém-formado, Khori Hiva (Sol da Esperança), reivindicou a ação, acusando uma das vítimas de envolvimento na repressão dos protestos de 2022. No sudeste, em Saravan, um veículo de um membro do IRGC foi alvejado, resultando na morte do militar e da mulher — ataque que a televisão estatal classificou como obra de “mercenários sionistas-americanos”. Em Baneh, homens armados dispararam contra um posto policial, matando dois agentes e ferindo três civis, incluindo uma criança. Paralelamente, o IRGC anunciou ter desmantelado uma célula de seis elementos de “grupos separatistas e antigovernamentais” nas montanhas entre Mahabad e Piranshahr.
Na perspetiva de Teerão, a vaga de violência insere-se numa campanha de desestabilização orquestrada a partir do exterior. A televisão estatal e a agência Sepah News, porta-voz do IRGC, descrevem os ataques como “atos terroristas covardes” e apontam o dedo a grupos curdos apoiados pelos Estados Unidos e por Israel. O Irão exigiu a Bagdade, através do embaixador iraquiano em Teerão, a entrega dos líderes dos partidos curdos da oposição sediados no Curdistão iraquiano ou a sua transferência para um país terceiro, ao abrigo de um acordo de segurança fronteiriça assinado há mais de três anos. A retórica oficial sublinha que as forças de segurança “responderão de forma decisiva” a qualquer tentativa de “insegurança nas fronteiras do noroeste”.
Do lado curdo, o ataque de Paveh foi justificado pelo Khori Hiva como um ato de resistência contra a “repressão sistemática” e a “discriminação étnica” impostas pelo regime iraniano. O grupo, que se apresentou publicamente com o objetivo de “promover a consciência política e fortalecer a identidade nacional curda”, junta-se a uma constelação de organizações armadas e políticas que, desde fevereiro de 2026, formaram a “Coligação das Forças Políticas do Curdistão Iraniano”, incluindo o PJAK (Partido para uma Vida Livre no Curdistão) e o histórico PDKI. Fontes da imprensa israelita e turca indicam que o Presidente Recep Tayyip Erdogan terá dissuadido Donald Trump de envolver as milícias curdas no conflito entre os EUA e o Irão, receando que um levante curdo no Irão fortalecesse o PJAK, ramificação do PKK que Ancara classifica como terrorista. Esta dinâmica coloca a questão curda no centro de um xadrez regional que envolve Ancara, Washington, Teerão e Bagdade.
Para observadores em Lisboa e Brasília, a escalada ocorre num momento de fragilidade do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, com trocas de golpes recentes no Estreito de Ormuz e sanções europeias a altos comandantes navais do IRGC. A morte num acidente de viação, na província de Kerman, do vice-comandante político da Marinha dos Guardas — sancionado pela União Europeia por restringir a liberdade de navegação — adensa as interrogações sobre a segurança interna iraniana, embora as autoridades não tenham estabelecido qualquer ligação com a insurgência. Diplomatas em capitais lusófonas acompanham com preocupação o potencial de contágio a mercados energéticos e a rotas marítimas, num contexto em que a estabilidade do Golfo Pérsico permanece crucial para a economia global.
O dossiê permanece em aberto: as investigações aos ataques de Paveh e Saravan prosseguem, sem que até agora tenha sido reivindicada a ação no sudeste. O IRGC mantém operações de “limpeza” nas zonas montanhosas do noroeste e prometeu “resposta esmagadora” a novas incursões. A pressão diplomática sobre o Iraque deverá intensificar-se nas próximas semanas, enquanto a nova coligação curda tenta capitalizar o descontentamento interno e a atenção internacional gerada pelo conflito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The US-Israeli offensive against Iran has triggered a surge in Iranian cyberattacks, with incidents tripling compared to the previous year. Israeli authorities report a worrying escalation that threatens regional security. Tehran's response manifests through hybrid warfare, not just military means.
Iran prepares to legally pursue the United States for human rights violations and to seize American assets, in response to the aggressions it has suffered. The Iranian judiciary chief announces international legal actions, presenting Tehran as a victim of US crimes. Iranian resistance unfolds on multiple fronts, including the legal one.
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