
Reino Unido destina mais £15 mil milhões à defesa e aposta em drones e marinha híbrida
Plano de investimento deixa de lado grandes navios e prioriza tecnologia não tripulada, mas críticos alertam para insuficiência de verbas face à ameaça russa.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou esta terça-feira um reforço de 15 mil milhões de libras (cerca de 17,4 mil milhões de euros) para a defesa ao longo dos próximos quatro anos, elevando o investimento total para quase 300 mil milhões de libras. O Defence Investment Plan, apresentado como o legado de um governante de saída, centra-se na aquisição massiva de drones, no desenvolvimento de uma marinha híbrida com navios de comando para sistemas não tripulados e no reforço da dissuasão nuclear. A despesa anual passará dos atuais 54 mil milhões para perto de 80 mil milhões de libras até 2029, o que, segundo o governo, colocará o Reino Unido na trajetória de atingir 3% do PIB em defesa na próxima legislatura.
A decisão surge após meses de diferendo entre o Tesouro e o Ministério da Defesa, que culminaram na demissão do antigo titular da pasta, John Healey. Na perspetiva de Healey e de outros responsáveis militares, o acréscimo fica aquém dos 28 mil milhões de libras considerados necessários para colmatar as lacunas das forças armadas e responder a uma eventual agressão russa a um país da NATO até 2030. A oposição conservadora classificou o plano de “tímido e tardio”, enquanto o secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, o saudou como um passo relevante. Starmer justificou o financiamento com o cancelamento de projetos rodoviários e energéticos, afirmando tratar-se de “escolhas necessárias para proteger a nação”.
Analistas em Brasília observam que a ênfase em drones e sistemas autónomos replica a experiência ucraniana, onde plataformas baratas têm neutralizado alvos de alto valor e encurtado os ciclos de inovação militar. Em Lisboa, diplomatas sublinham que o aumento britânico ocorre sob pressão da administração norte-americana para que os aliados europeus assumam maior peso na defesa coletiva, e que o plano pode influenciar o debate orçamental em países como Portugal, cuja despesa militar se mantém abaixo da meta de 2% do PIB. Observadores no Brasil, onde a Marinha enfrenta constrangimentos orçamentais, acompanham a opção britânica por embarcações híbridas como possível modelo de modernização de custo controlado.
O documento será apresentado por Starmer na cimeira da NATO em Ancara, a 7 e 8 de julho, naquela que deverá ser a sua última grande iniciativa antes de ceder o cargo a Andy Burnham. Burnham já sinalizou que poderá “construir sobre” o plano, mas a margem para revisões é limitada pelo compromisso de não aumentar a dívida pública. O plano final, ainda sujeito a ajustamentos, deixa em aberto a trajetória para cumprir a meta de 3,5% do PIB em 2035, o que, segundo fontes militares, exigiria um esforço financeiro adicional significativo. A próxima revisão estratégica de defesa caberá ao novo executivo.
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