
Menopausa ocupa um terço da vida, e campanha italiana quer reescrever as regras
Iniciativa em Itália e programas nos Emirados Árabes refletem nova abordagem integrada à saúde feminina, da adolescência à pós-menopausa, com foco em prevenção e bem-estar.
Uma campanha nacional apresentada na Câmara dos Deputados em Roma propõe combater os estereótipos associados à menopausa, fase que, juntamente com a pós-menopausa, pode ocupar um terço da vida da mulher. O projeto 'Menopausa, riscriviamo le regole' inclui um portal informativo, um livro e um congresso, e envolve ginecologistas, endocrinologistas e médicos de família. A iniciativa parte da constatação de que as alterações hormonais deste período — como a queda de estrogénio e progesterona — aumentam o risco de osteoporose, doenças metabólicas e cardiovasculares, mas a informação e a prevenção continuam a ser insuficientes.
A transição hormonal não é o único fator a exigir atenção. Dados indicam que a prediabetes, condição assintomática que antecede a diabetes tipo 2, afeta uma proporção significativa de adultos e, sem intervenção, entre 25% e 70% dos casos evoluem para a doença. Especialistas do Hospital Clínic Barcelona sublinham que a deteção precoce por análises de sangue é essencial, e que a modificação do estilo de vida — alimentação equilibrada, exercício físico, perda de peso e redução do stresse — pode reduzir para menos de metade o risco de progressão. Paralelamente, a exposição crónica ao cortisol, hormona do stresse, manifesta-se em sintomas como insónia, irritabilidade, cicatrização lenta e fadiga persistente, conforme descrevem endocrinologistas norte-americanos. No campo da saúde mental, estudos revistos pela comunidade científica indicam que a meditação pode ser tão eficaz quanto a medicação para algumas pessoas com ansiedade crónica, uma condição que afeta cerca de 19% dos adultos, mas para a qual mais de 60% não recebem tratamento.
Perante este quadro, sistemas de saúde no Médio Oriente têm estruturado respostas integradas. Nos Emirados Árabes Unidos, hospitais como o Burjeel Medical City, Medcare, HealthHub, Aster e Zulekha lançaram programas dedicados à saúde da mulher que articulam ginecologia, endocrinologia, saúde mental, nutrição e cuidados neonatais. A abordagem cobre todo o ciclo de vida, desde a adolescência — com foco na educação menstrual e na deteção de síndromes como o ovário poliquístico — até à menopausa e ao envelhecimento saudável. A vigilância da gravidez de alto risco, impulsionada pelo aumento da idade materna e de doenças crónicas, é outra prioridade, com recurso a testes genéticos não invasivos e monitorização fetal avançada.
A prevenção oncológica é parte indissociável desta estratégia. O presidente da Associação Italiana de Oncologia Médica, Massimo Di Maio, recorda que após os 50 anos aumentam os tumores da mama, cólon e pulmão, e que a adesão aos rastreios e a adoção de estilos de vida ativos são determinantes. Nos Emirados, as recomendações de rastreio incluem citologia cervical a partir dos 21 anos, mamografia a partir dos 40 e densitometria óssea após os 65, adaptando os calendários ao perfil de risco individual. O próximo passo da campanha italiana será a disponibilização do portal e a distribuição do livro, enquanto os programas nos Emirados continuam a expandir a sua rede de clínicas comunitárias, procurando reduzir a barreira do tempo que muitas mulheres enfrentam para cuidar da própria saúde.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Nos Emirados Árabes Unidos, a saúde da mulher está a ser redefinida através de ecossistemas de cuidados integrados que acompanham a mulher da adolescência à menopausa, reunindo fertilidade, obstetrícia, genética e bem-estar sob o mesmo teto. A deteção precoce e a prevenção são integradas de forma harmoniosa numa experiência de alto nível centrada na paciente, concebida para que cada mulher se sinta vista, apoiada e segura. O Golfo posiciona-se assim como pioneiro de um modelo de saúde holístico e preditivo, onde o luxo da integração se torna o novo padrão.
Enquanto outras nações avançam nos cuidados preditivos e integrados para as mulheres, o sistema de saúde público do Canadá está a ruir sob tempos de espera insuportáveis e uma escassez crónica de médicos de família. A promessa de um exame de sangue para prever o cancro parece um sonho distante quando até o acesso básico a um médico de cuidados primários se tornou um luxo. A crise já não é um debate político abstrato, mas uma experiência profundamente pessoal de dor, esperas nas urgências e sentimento de abandono.
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