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Economia e Mercadossexta-feira, 26 de junho de 2026

Aumentos de preços da Apple e Microsoft expõem custos da IA e derrubam bolsas globais

Ações de tecnologia lideraram perdas generalizadas após gigantes repassarem alta dos semicondutores ao consumidor, enquanto o adiamento do IPO da OpenAI intensificou o ceticismo sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial.

As bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas no final da semana, com o índice Kospi, de Seul, a recuar 5,8% e a acionar um circuit breaker que interrompeu as negociações durante 20 minutos. O movimento alastrou-se a Tóquio, onde o Nikkei 225 cedeu 4,2%, e a Taiwan, com o Taiex a perder 3,66%. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 0,67%, enquanto em Nova Iorque o Nasdaq caiu 0,24% na sessão, acumulando uma perda semanal superior a 4,6%. O estopim imediato foi a decisão da Apple de aumentar os preços de MacBooks e iPads, justificada pela subida dos custos de memória e armazenamento, seguida por um anúncio semelhante da Microsoft para as consolas Xbox.

A subida de preços tornou visível um desequilíbrio que analistas em Wall Street e na Europa descrevem como uma indústria de IA em formato de K: as fabricantes de chips, como a Micron, beneficiam de uma procura explosiva que elevou as suas ações, enquanto as empresas que desenvolvem e aplicam os modelos de inteligência artificial enfrentam custos de infraestrutura cada vez mais pesados, sem retorno imediato. A este cenário somou-se a notícia, divulgada pelo New York Times, de que a OpenAI estuda adiar a sua oferta pública inicial para 2027, receando que a volatilidade do setor dificulte a obtenção da avaliação desejada de um bilião de dólares. O índice de semicondutores de Filadélfia caiu 4,7% na sexta-feira, com perdas que se estenderam a nomes como Samsung Electronics, SK Hynix e TSMC.

Na perspetiva de investidores asiáticos, a liquidação reflete um questionamento mais amplo sobre a sustentabilidade das valorizações elevadas num contexto de taxas de juro ainda altas nos Estados Unidos. Dados de inflação norte-americana acima de 4% em maio mantiveram viva a possibilidade de novas subidas pela Reserva Federal, o que penaliza particularmente as empresas tecnológicas, dependentes de crédito barato. Em contrapartida, a queda dos preços do petróleo — o Brent recuou para abaixo dos 73 dólares, com a retoma de carregamentos no terminal de Ras Tanura, na Arábia Saudita — aliviou parcialmente as pressões inflacionistas e permitiu ganhos em setores defensivos, como saúde e consumo básico.

No Brasil, o efeito foi distinto. A combinação da queda do petróleo com um IPCA-15 de junho abaixo das expectativas e o tom do Relatório de Política Monetária reforçaram as apostas num novo corte da Selic em agosto. As taxas dos contratos de DI recuaram de forma expressiva, com o vértice para janeiro de 2029 a cair de 14,34% para 14,21%, enquanto o real se valorizou face ao dólar. Observadores em Lisboa notam que o PSI-20, embora menos exposto a tecnológicas, acompanhou a cautela europeia, mas sem o sobressalto vivido na Ásia.

O próximo marco para os mercados será o início da temporada de resultados trimestrais nos Estados Unidos, dentro de duas semanas, que testará a capacidade das empresas de tecnologia de converterem o investimento massivo em IA em lucros concretos. Até lá, os investidores monitorizam também as decisões da Reserva Federal e os desenvolvimentos no Estreito de Ormuz, cuja reabertura progressiva continua a influenciar os preços da energia.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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O comércio de IA está passando por um momento de verificação, com investidores questionando se os enormes gastos em inteligência artificial trarão retornos em breve. As ações de semicondutores lideram a queda, mas o mercado mais amplo se mantém graças à força de outros setores, como saúde e bens de consumo. A retração é vista como uma correção saudável após um longo rali, e não como pânico.

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A bolha da inteligência artificial parece estar murchando, provocando fortes vendas nos mercados asiáticos e arrastando o Nasdaq para baixo. O índice Kospi da Coreia do Sul despencou tão violentamente que os circuit breakers foram acionados, enquanto Japão e Taiwan também sofreram perdas pesadas. Os investimentos massivos em IA estão gerando ansiedade, pois as empresas gastam bilhões sem lucros imediatos, aumentando os temores de uma crise tecnológica mais ampla.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Aumentos de preços da Apple e Microsoft expõem custos da IA e derrubam bolsas globais

Ações de tecnologia lideraram perdas generalizadas após gigantes repassarem alta dos semicondutores ao consumidor, enquanto o adiamento do IPO da OpenAI intensificou o ceticismo sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial.

As bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas no final da semana, com o índice Kospi, de Seul, a recuar 5,8% e a acionar um circuit breaker que interrompeu as negociações durante 20 minutos. O movimento alastrou-se a Tóquio, onde o Nikkei 225 cedeu 4,2%, e a Taiwan, com o Taiex a perder 3,66%. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 0,67%, enquanto em Nova Iorque o Nasdaq caiu 0,24% na sessão, acumulando uma perda semanal superior a 4,6%. O estopim imediato foi a decisão da Apple de aumentar os preços de MacBooks e iPads, justificada pela subida dos custos de memória e armazenamento, seguida por um anúncio semelhante da Microsoft para as consolas Xbox.

A subida de preços tornou visível um desequilíbrio que analistas em Wall Street e na Europa descrevem como uma indústria de IA em formato de K: as fabricantes de chips, como a Micron, beneficiam de uma procura explosiva que elevou as suas ações, enquanto as empresas que desenvolvem e aplicam os modelos de inteligência artificial enfrentam custos de infraestrutura cada vez mais pesados, sem retorno imediato. A este cenário somou-se a notícia, divulgada pelo New York Times, de que a OpenAI estuda adiar a sua oferta pública inicial para 2027, receando que a volatilidade do setor dificulte a obtenção da avaliação desejada de um bilião de dólares. O índice de semicondutores de Filadélfia caiu 4,7% na sexta-feira, com perdas que se estenderam a nomes como Samsung Electronics, SK Hynix e TSMC.

Na perspetiva de investidores asiáticos, a liquidação reflete um questionamento mais amplo sobre a sustentabilidade das valorizações elevadas num contexto de taxas de juro ainda altas nos Estados Unidos. Dados de inflação norte-americana acima de 4% em maio mantiveram viva a possibilidade de novas subidas pela Reserva Federal, o que penaliza particularmente as empresas tecnológicas, dependentes de crédito barato. Em contrapartida, a queda dos preços do petróleo — o Brent recuou para abaixo dos 73 dólares, com a retoma de carregamentos no terminal de Ras Tanura, na Arábia Saudita — aliviou parcialmente as pressões inflacionistas e permitiu ganhos em setores defensivos, como saúde e consumo básico.

No Brasil, o efeito foi distinto. A combinação da queda do petróleo com um IPCA-15 de junho abaixo das expectativas e o tom do Relatório de Política Monetária reforçaram as apostas num novo corte da Selic em agosto. As taxas dos contratos de DI recuaram de forma expressiva, com o vértice para janeiro de 2029 a cair de 14,34% para 14,21%, enquanto o real se valorizou face ao dólar. Observadores em Lisboa notam que o PSI-20, embora menos exposto a tecnológicas, acompanhou a cautela europeia, mas sem o sobressalto vivido na Ásia.

O próximo marco para os mercados será o início da temporada de resultados trimestrais nos Estados Unidos, dentro de duas semanas, que testará a capacidade das empresas de tecnologia de converterem o investimento massivo em IA em lucros concretos. Até lá, os investidores monitorizam também as decisões da Reserva Federal e os desenvolvimentos no Estreito de Ormuz, cuja reabertura progressiva continua a influenciar os preços da energia.

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A bolha da inteligência artificial parece estar murchando, provocando fortes vendas nos mercados asiáticos e arrastando o Nasdaq para baixo. O índice Kospi da Coreia do Sul despencou tão violentamente que os circuit breakers foram acionados, enquanto Japão e Taiwan também sofreram perdas pesadas. Os investimentos massivos em IA estão gerando ansiedade, pois as empresas gastam bilhões sem lucros imediatos, aumentando os temores de uma crise tecnológica mais ampla.

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