
De Seattle a Hollywood: 'Elle' e 'Minions' reinventam origens em julho
Enquanto a série 'Elle' revisita a adolescência da loira de 'Legalmente Loira', os Minions viajam aos anos 1920 em 'Minions & Monstros', ambos estreando em 1º de julho.
Perdida num mar de flanela escura, piercings no nariz e capuzes negros, Elle Woods, 16 anos, tenta decifrar um mundo onde Bikini Kill não é uma marca de biquíni e lantejoulas não melhoram o sorriso do Nirvana. A cena, descrita na imprensa australiana, abre a série 'Elle', que estreia a 1 de julho na Prime Video e transporta a icónica protagonista de 'Legalmente Loira' para a Seattle de 1995, muito antes de Harvard. No mesmo dia, os Minions regressam aos cinemas com 'Minions & Monstros', uma aventura que os leva à Hollywood dos anos 1920, onde se tornam estrelas do cinema mudo antes de, acidentalmente, libertarem monstros reais pelo mundo.
Ambas as produções partilham o impulso de revisitar origens. 'Elle', com produção executiva de Reese Witherspoon e a estreante Lexi Minetree no papel principal, divide a crítica: nos Estados Unidos, há quem a considere 'um deleite cor-de-rosa' e quem objete que 'cor-de-rosa não é personalidade'. Na Austrália, a crítica descreveu a série como 'completamente desnecessária, mas muito divertida'. Já no Brasil, a CNN destacou a aposta do Prime Video em 'séries teens de sucesso', inserindo 'Elle' numa vaga que inclui adaptações literárias e dramas adolescentes.
Enquanto isso, 'Minions & Monstros' aposta na nostalgia cinéfila. Realizado por Pierre Coffin — que também dá voz às criaturas amarelas —, o filme é, nas suas palavras, 'uma carta de amor à era de ouro de Hollywood', com referências que vão de Charlie Chaplin a 'E.T.'. Em declarações à imprensa italiana, Coffin comentou ainda o debate sobre inteligência artificial: 'Chamam-lhe "o futuro", mas entretanto destrói tudo o que toca', afirmou, sublinhando que a tecnologia pode ser útil, mas questionando os investimentos desproporcionados. A linguagem dos Minions, um 'minionês' que mistura espanhol, inglês, francês e até japonês, continua a ser um dos trunfos globais da franquia, dispensando traduções e unindo espectadores de Lisboa a Maputo.
O fascínio por estas personagens transcende gerações e geografias. No México, a imprensa recorda que os Minions 'não precisam de tradução' e que a sua forma de comunicar, baseada na entoação e no contexto visual, os torna compreensíveis em qualquer canto do mundo. Já 'Elle' revisita a adolescência com uma banda sonora que inclui Garbage e uma protagonista que, segundo a crítica, 'imita Reese Witherspoon na perfeição'. Para o público lusófono, a estreia simultânea nas plataformas e salas reforça um calendário de julho que inclui ainda 'Enola Holmes 3' e a terceira temporada de 'Silo'.
Resta a imagem de duas máquinas de nostalgia a operar em sentidos opostos: de um lado, o rosa-choque de Elle Woods a infiltrar-se no cinzento grunge de Seattle, numa afirmação de que a personalidade pode ser mais do que uma cor; do outro, o caos amarelo dos Minions a semear o pânico num estúdio de cinema mudo, provando que o silêncio também pode ser ensurdecedor.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A série prequela de Legalmente Loira é uma adição desnecessária à franquia, mas surpreende com humor e charme. A nostalgia sozinha teria garantido público, mas a série conquista seu espaço com diversão genuína. A crítica reconhece a redundância e ainda assim a recomenda como um agradável entretenimento de verão.
O novo filme dos Minions é apresentado como uma homenagem afetuosa à era de ouro de Hollywood, mas o diretor usa a ocasião para soar o alarme sobre a inteligência artificial. Ele alerta que a IA, aclamada como o futuro, está destruindo tudo o que toca, ameaçando a própria criatividade da qual o cinema depende. O filme torna-se assim um símbolo de resistência contra a invasão tecnológica na arte.
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