
Patinadores russos voltam às competições internacionais sob bandeira neutra na temporada 2026/27
União Internacional de Patinação anuncia readmissão com critérios rigorosos de neutralidade, reacendendo o debate sobre o regresso de atletas de países sancionados ao desporto global.
O gelo volta a ser palco para russos e bielorrussos. O Conselho da União Internacional de Patinação (ISU) anunciou esta terça-feira que os atletas dos dois países poderão competir em todas as provas do circuito mundial de patinagem artística, velocidade e pista curta a partir da época 2026/27, exclusivamente sob estatuto de neutralidade. A decisão, que abrange competições individuais e coletivas, determina que os patinadores atuarão sem bandeiras, hinos ou qualquer símbolo nacional, integrando uma equipa neutra designada como AIN.
A readmissão está longe de ser automática. O ISU definiu um crivo individual que exclui quem presta serviço militar ou integra forças de segurança, quem participou ativamente em ações bélicas contra a Ucrânia após fevereiro de 2022 e quem manifestou publicamente apoio à ofensiva. A avaliação do cumprimento destes critérios caberá ao próprio Conselho da federação, que poderá delegar a análise a uma comissão independente. Árbitros e dirigentes desportivos da Rússia e da Bielorrússia continuam, para já, impedidos de marcar presença nos eventos, com o ISU a adiar qualquer decisão sobre o seu regresso para depois do final da temporada.
O levantamento parcial do veto surge três anos após o afastamento total imposto em março de 2022, na sequência da invasão em larga escala da Ucrânia. A única exceção ocorrera no ciclo olímpico de Milão-Cortina 2026, quando a federação permitiu a participação de um grupo restrito de atletas neutros nas provas de qualificação e nos próprios Jogos. Na ocasião, competiram os patinadores artísticos Adelia Petrosyan e Petr Gumennik, os especialistas de pista curta Alena Krylova e Ivan Posashkov, e as velocistas Ksenia Korzhova e Anastasia Semenova, todos sem insígnias nacionais.
Na perspetiva de Moscovo, a reação foi de satisfação contida. A tricampeã olímpica e deputada Irina Rodnina afirmou não se surpreender com a ausência de símbolos, sublinhando que “todos saberão que é a equipa da Rússia” e que não vê problema nesse formato. A treinadora Tatiana Tarasova classificou o momento como importante para o desporto do país. Já observadores em Kiev e em várias capitais europeias criticaram a decisão, ecoando o desconforto manifestado anteriormente quando federações de ginástica e esgrima readmitiram russos com direito a bandeira e hino — um contraste com o modelo mais restritivo agora adotado pela ISU.
O movimento insere-se numa vaga mais ampla de reavaliações. O Comité Olímpico Internacional recomendara em dezembro a reintegração de atletas russos e bielorrussos em competições juvenis com símbolos nacionais e, em maio, levantou todas as restrições aos bielorrussos. A ISU alinha-se agora com a recomendação olímpica, mas mantém a simbologia suspensa. A próxima etapa concreta será a análise individual dos pedidos de elegibilidade, que definirá quantos e quais patinadores estarão efetivamente na linha de partida quando a nova temporada arrancar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A decisão da ISU marca o retorno triunfal dos patinadores russos ao cenário internacional. A proibição de bandeira e hino é tratada como um detalhe técnico contornável, enquanto a federação russa é descrita como uma das mais influentes do mundo. O foco está totalmente na próxima temporada competitiva e na chance de voltar a vencer.
A ISU readmite com cautela os patinadores russos e bielorrussos como atletas neutros sob condições rigorosas. Aqueles que apoiaram a guerra contra a Ucrânia ou serviram nas forças armadas permanecem excluídos, e o retorno de juízes e oficiais é adiado. A medida é apresentada como um passo condicional, sujeito a avaliações contínuas de segurança e integridade.
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