
Inflação recua na zona euro com trégua no Estreito de Ormuz
França, Itália e Alemanha registam quedas expressivas em junho, mas analistas alertam que alívio pode ser temporário com o fim de subsídios e a reaceleração esperada dos preços da energia.
A inflação homóloga nas três maiores economias da zona euro caiu de forma generalizada em junho, surpreendendo analistas e aliviando momentaneamente a pressão sobre famílias e empresas. Em França, o índice de preços no consumidor recuou para 1,8%, depois de ter atingido 2,4% em maio, regressando a um patamar abaixo da referência de 2% pela primeira vez desde março. A Itália registou uma desaceleração mais modesta, de 3,2% para 3,0%, enquanto a Alemanha viu a taxa descer de 2,6% para 2,3%. A variação mensal foi nula em Itália e negativa em França (-0,1%) e na Alemanha (-0,3%).
O movimento reflete sobretudo o forte abrandamento dos preços da energia, em particular dos combustíveis, após o protocolo de acordo entre Washington e Teerão que pôs fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz. Em França, a inflação energética caiu de 16,8% em maio para 11,2% em junho; na Alemanha, a subida homóloga dos preços da energia passou de 6,6% para 3,4%. Ainda assim, os valores permanecem elevados e a trégua é considerada frágil por observadores em Frankfurt e Paris, que apontam para a possibilidade de novas tensões geopolíticas reacenderem a escalada dos custos energéticos.
O alívio foi amplificado por medidas nacionais temporárias. Na Alemanha, o desconto governamental nos combustíveis (Tankrabatt), em vigor até ao final de junho, conteve artificialmente os preços na bomba, um efeito que se dissipará em julho. Em França, o calendário dos saldos, com mais dias de descontos em junho do que no ano anterior, contribuiu para a queda dos preços dos produtos manufacturados. Já em Itália, a moderação resultou do abrandamento dos alimentos não processados e dos serviços de transporte e lazer, enquanto os preços da electricidade e do gás aceleraram, com as componentes reguladas a subirem 9,3% e as não reguladas 12,9%.
Apesar da melhoria pontual, as perspetivas para os próximos meses são de nova aceleração. O instituto francês Insee projeta que a inflação atinja 2,7% em dezembro, e o banco central alemão estima que o fim do desconto nos combustíveis adicione pressão já em julho. Em Itália, as associações de consumidores calculam um impacto anual de quase mil euros por família, e advertem que a descida só será consistente quando a reabertura do estreito for total e duradoura. Para economias lusófonas importadoras de energia, como Portugal e Brasil, a redução das cotações do petróleo oferece um respiro temporário, mas a volatilidade permanece como risco central para as cadeias de abastecimento globais.
O Banco Central Europeu, que em junho subiu a taxa diretora pela primeira vez em quase três anos, de 2,0% para 2,25%, vê os novos dados como um sinal de que a pressão inflacionista pode estar a ceder, mas mantém a vigilância. O próximo indicador a observar será a inflação de julho, quando os efeitos dos subsídios alemães e do calendário francês se inverterem, oferecendo uma leitura mais limpa da tendência subjacente dos preços na região.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Na Argentina, as consultorias privadas projetam inflação de junho abaixo de 2%, dando continuidade à desaceleração desde o pico de março, impulsionada pela queda nos preços de alimentos e bebidas. A imprensa latino-americana voltada ao mercado vê isso como um sinal de alívio das pressões de preços na região.
A inflação francesa caiu inesperadamente para 1,8% em junho, mas especialistas alertam que o risco de uma nova crise inflacionária ainda não está afastado, devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio. A imprensa europeia continental mantém-se cautelosa, observando que a queda é impulsionada principalmente pela energia e que as pressões subjacentes persistem.
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