
Petróleo ruma à maior queda trimestral desde 2020 com possível diálogo EUA-Irão
Os preços do Brent e do WTI caíram cerca de 20% em junho, aproximando-se dos níveis pré-conflito, com investidores atentos às negociações em Doha e à retoma dos fluxos no Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros de petróleo Brent e West Texas Intermediate (WTI) encaminham-se para o pior desempenho trimestral desde o início da pandemia de covid-19, em 2020. Na sessão desta terça-feira, o Brent para entrega em agosto recuava para a faixa dos 72 dólares por barril, enquanto o WTI rondava os 70 dólares, níveis muito próximos dos registados antes do início do conflito no Médio Oriente, a 27 de fevereiro. A queda acumulada em junho, de cerca de 20% para o Brent e de 19% para o WTI, reflete a expectativa dos mercados de que um eventual entendimento entre Washington e Teerão possa normalizar o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde transita uma parte substancial da oferta global de crude.
A incerteza domina, contudo, o cenário diplomático. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os dois países se reuniriam em Doha, mas o Irão negou a existência de conversações formais, afirmando que enviará apenas uma delegação técnica. As trocas de mísseis do último fim de semana expuseram a fragilidade do cessar-fogo provisório acordado a 17 de junho. Analistas do setor financeiro descrevem um ambiente de “otimismo cauteloso”, em que os investidores incorporam nos preços a perspetiva de um desfecho positivo, mas mantêm posições defensivas até surgirem sinais mais concretos de desescalada.
Dados de tráfego marítimo indicam que os produtores do Médio Oriente continuam a carregar petróleo e gás natural liquefeito, apesar dos ataques recentes. O banco Goldman Sachs estima que, se o ritmo de recuperação das últimas duas semanas se mantiver, os fluxos no Golfo Pérsico poderão regressar ao nível pré-guerra de 23 milhões de barris por dia já no início de julho. Esta evolução levou o Morgan Stanley a rever em baixa as suas projeções para o Brent, cortando a estimativa para o terceiro trimestre em 15 dólares, para 75 dólares por barril. Em contrapartida, o ING considera a queda de junho excessiva, argumentando que a normalização total da oferta só deverá ocorrer no final do terceiro trimestre.
As bolsas do Golfo refletiram o ambiente de incerteza, com os índices de referência da Arábia Saudita, do Dubai e de Abu Dhabi a registarem ligeiras descidas. O desfecho das conversações em Doha e a evolução do tráfego no Estreito de Ormuz nas próximas semanas serão determinantes para a trajetória dos preços, num contexto em que o acordo de cessar-fogo prevê um roteiro de 60 dias para negociações mais amplas sobre a estabilidade regional.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | +0.40 | aligned |
The drop in oil prices proves that isolating Iran works, but the threat is not over.
A hierarchy of threats is constructed, placing the price drop within a broader narrative of existential Iranian dangers, thereby minimizing the positive economic news and refocusing attention on security.
They omit the role of Saudi Arabia and other Gulf states in stabilizing prices, focusing solely on Iran.
The return of oil prices to pre-conflict levels is a normal market adjustment, without geopolitical implications.
Technical normalization is used to depoliticize the event, presenting it as a market phenomenon rather than a consequence of the conflict.
They omit that the Middle East conflict was the main driver of the price spike and that its de-escalation is the direct cause of the drop.
The drop in oil prices opens new opportunities for investment in the region, demonstrating the strength of Gulf economies.
Optimistic pragmatism is used to reframe a potentially negative development (lower oil revenues) as an opportunity for diversification and long-term planning.
They omit any discussion of the geopolitical tensions that caused the price spike, focusing only on the market outcome.
Amplie o olhar
Trump transforma 250 anos dos EUA em palanque contra 'ameaça comunista'
6 idiomas · 25 veículos
De TechnologyÍndia trava maior atualização do WhatsApp e exige explicações sobre nomes de utilizador
2 idiomas · 6 veículos
De Science & HealthSaúde integral: como pequenas doses de exercício e controlo emocional previnem doenças crónicas
5 idiomas · 11 veículos