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Economia e Mercadosterça-feira, 30 de junho de 2026

Dívida bruta do Brasil atinge 81,1% do PIB, maior nível em cinco anos, com juros a pressionar

O endividamento público subiu para R$ 10,6 bilhões em maio, impulsionado por um déficit primário acima do esperado e por uma carga de juros que já consome 8,48% do PIB em doze meses.

A dívida bruta do governo geral brasileiro alcançou 81,1% do Produto Interno Bruto em maio, o patamar mais elevado desde outubro de 2022, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado, que representa um aumento de 0,9 ponto percentual face a abril, superou as projeções de analistas e equivale a R$ 10,62 bilhões. Pela métrica do Fundo Monetário Internacional, que inclui os títulos do Tesouro na carteira da autoridade monetária, o indicador é ainda mais expressivo: 94,3% do PIB, muito acima da média de 77,2% projetada para economias emergentes em 2026.

A deterioração foi alimentada por dois vetores simultâneos. O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões no mês, valor superior aos R$ 53,5 bilhões esperados pelo mercado e mais severo do que o rombo de R$ 33,7 bilhões de maio do ano anterior. O governo central respondeu pela quase totalidade do desequilíbrio, com um saldo negativo de R$ 55,2 bilhões, enquanto estados e municípios tiveram um déficit de R$ 1,2 bilhão. Ao mesmo tempo, a despesa com juros nominais somou R$ 107,5 bilhões em maio, elevando a conta acumulada em doze meses para R$ 1,1 bilhão, ou 8,48% do PIB — o maior peso desde fevereiro de 2016, período de recessão severa.

Na perspetiva de Brasília, o resultado acentua a pressão sobre o arcabouço fiscal, cuja meta central para 2026 admite um défice de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual. O déficit acumulado no ano até maio é de R$ 24,9 bilhões, mas a antecipação de precatórios distorce a comparação com o superávit de R$ 69,1 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Observadores em São Paulo notam que o prémio de risco se mantém elevado, refletindo a exigência dos investidores por compensação face ao aumento dos gastos públicos. Em contraste, o Banco Central da Rússia reviu em baixa a estimativa da dívida externa do país para 299,1 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, uma redução de 2,5% face ao final de 2025, ilustrando trajetórias divergentes entre economias emergentes.

O impacto da taxa Selic, estacionada em 14,25% ao ano, é central. Simulações da autoridade monetária indicam que uma redução de um ponto percentual na taxa, mantida por doze meses, diminuiria a dívida líquida em R$ 65 mil milhões e a bruta em R$ 59,3 mil milhões. O próximo marco a acompanhar será a divulgação dos dados fiscais de junho, que revelarão se a trajetória de deterioração se mantém e qual a margem de manobra do governo para cumprir a meta anual sem alterações adicionais no quadro fiscal.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A dívida bruta do Brasil atingiu 81,1% do PIB em maio, o maior nível em cinco anos e acima das expectativas do mercado. O gasto com juros foi o mais elevado desde 2016, impulsionado pelo déficit primário e pelos juros ainda altos. Os dados do banco central apontam para uma erosão gradual, porém constante, das contas públicas.

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A dívida fora de controle do Brasil soa o alarme para todos os mercados emergentes. Com os custos de juros no nível mais alto desde 2016 e um déficit primário crescente, Brasília arrisca uma perda acentuada de confiança dos investidores. A trajetória fiscal parece insustentável sem reformas dolorosas, e o tempo está se esgotando.

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terça-feira, 30 de junho de 2026

Dívida bruta do Brasil atinge 81,1% do PIB, maior nível em cinco anos, com juros a pressionar

O endividamento público subiu para R$ 10,6 bilhões em maio, impulsionado por um déficit primário acima do esperado e por uma carga de juros que já consome 8,48% do PIB em doze meses.

A dívida bruta do governo geral brasileiro alcançou 81,1% do Produto Interno Bruto em maio, o patamar mais elevado desde outubro de 2022, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado, que representa um aumento de 0,9 ponto percentual face a abril, superou as projeções de analistas e equivale a R$ 10,62 bilhões. Pela métrica do Fundo Monetário Internacional, que inclui os títulos do Tesouro na carteira da autoridade monetária, o indicador é ainda mais expressivo: 94,3% do PIB, muito acima da média de 77,2% projetada para economias emergentes em 2026.

A deterioração foi alimentada por dois vetores simultâneos. O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões no mês, valor superior aos R$ 53,5 bilhões esperados pelo mercado e mais severo do que o rombo de R$ 33,7 bilhões de maio do ano anterior. O governo central respondeu pela quase totalidade do desequilíbrio, com um saldo negativo de R$ 55,2 bilhões, enquanto estados e municípios tiveram um déficit de R$ 1,2 bilhão. Ao mesmo tempo, a despesa com juros nominais somou R$ 107,5 bilhões em maio, elevando a conta acumulada em doze meses para R$ 1,1 bilhão, ou 8,48% do PIB — o maior peso desde fevereiro de 2016, período de recessão severa.

Na perspetiva de Brasília, o resultado acentua a pressão sobre o arcabouço fiscal, cuja meta central para 2026 admite um défice de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual. O déficit acumulado no ano até maio é de R$ 24,9 bilhões, mas a antecipação de precatórios distorce a comparação com o superávit de R$ 69,1 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Observadores em São Paulo notam que o prémio de risco se mantém elevado, refletindo a exigência dos investidores por compensação face ao aumento dos gastos públicos. Em contraste, o Banco Central da Rússia reviu em baixa a estimativa da dívida externa do país para 299,1 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, uma redução de 2,5% face ao final de 2025, ilustrando trajetórias divergentes entre economias emergentes.

O impacto da taxa Selic, estacionada em 14,25% ao ano, é central. Simulações da autoridade monetária indicam que uma redução de um ponto percentual na taxa, mantida por doze meses, diminuiria a dívida líquida em R$ 65 mil milhões e a bruta em R$ 59,3 mil milhões. O próximo marco a acompanhar será a divulgação dos dados fiscais de junho, que revelarão se a trajetória de deterioração se mantém e qual a margem de manobra do governo para cumprir a meta anual sem alterações adicionais no quadro fiscal.

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A dívida bruta do Brasil atingiu 81,1% do PIB em maio, o maior nível em cinco anos e acima das expectativas do mercado. O gasto com juros foi o mais elevado desde 2016, impulsionado pelo déficit primário e pelos juros ainda altos. Os dados do banco central apontam para uma erosão gradual, porém constante, das contas públicas.

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A dívida fora de controle do Brasil soa o alarme para todos os mercados emergentes. Com os custos de juros no nível mais alto desde 2016 e um déficit primário crescente, Brasília arrisca uma perda acentuada de confiança dos investidores. A trajetória fiscal parece insustentável sem reformas dolorosas, e o tempo está se esgotando.

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