
Panteonização de Marc Bloch: Macron critica 'espírito de derrota' em cerimônia com recados políticos
Presidente francês homenageia historiador e resistente, exclui extrema direita a pedido da família e faz discurso com alusões ao cenário eleitoral de 2027.
O historiador e resistente Marc Bloch e sua esposa Simonne foram simbolicamente entronizados no Panteão de Paris em 23 de junho de 2026, por decisão do presidente Emmanuel Macron. A cerimônia, a sexta do mandato de Macron, ocorreu com cenotáfios contendo objetos pessoais, já que a família optou por manter os restos mortais no local original. A pedido dos descendentes, representantes da extrema direita foram excluídos do evento, o que gerou reações políticas imediatas.
Segundo o Palácio do Eliseu, a escolha de Bloch — historiador medieval, cofundador da Escola dos Annales e fuzilado pela Gestapo em 1944 — visou celebrar "seu trabalho, seu ensino e sua coragem" e seu apego à verdade. No discurso, Macron recorreu à obra "A Estranha Derrota", de Bloch, para traçar um paralelo entre o "espírito de derrota" dos anos 1930 e discursos políticos atuais, acusando "aqueles que se proclamam mais franceses que vós" de sacrificarem a França a interesses estrangeiros e de alimentarem um "veneno lento da vida pública". A alusão, sem nomear partidos, foi interpretada por analistas políticos em Paris como um ataque ao Reagrupamento Nacional (RN) e à Reconquête, formações de direita nacionalista.
A exclusão da extrema direita, solicitada pela família Bloch, provocou um embate entre Jordan Bardella, presidente do RN, e Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa. Bardella publicou uma homenagem a Bloch como "cidadão-soldado", mas Mélenchon rebateu lembrando que os fundadores do RN gritavam "Hitler em vez da Frente Popular". Bardella, por sua vez, evocou que Bloch foi denunciado por um ex-comunista que aderiu ao colaboracionismo. Na imprensa europeia, observadores notam que a panteonização se insere na estratégia de Macron de consolidar um legado republicano e, ao mesmo tempo, enfraquecer adversários à direita e à esquerda, num contexto em que o presidente, impedido de concorrer em 2027, busca um "terceiro homem" para seu campo político.
A panteonização de Bloch eleva para nove o número de personalidades honradas por Macron, superando François Mitterrand e estabelecendo um recorde na Quinta República. Fontes do Eliseu sublinham uma coerência temática: combatentes da Primeira Guerra, figuras de avanços sociais (Simone Veil, Robert Badinter) e agora um resistente e intelectual. A cerimônia reacendeu o debate sobre o perfil dos "grandes homens" da República: desde 1995, seis mulheres foram panteonizadas, e a noção ampliou-se para incluir cientistas, resistentes e ativistas. Com o fim do segundo mandato de Macron à vista, esta deve ser a última panteonização de sua presidência, enquanto o legado de Bloch permanece como referência no discurso político francês às vésperas da eleição presidencial de 2027.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A pantheonização de Marc Bloch celebra seu legado intelectual e heroísmo na Resistência, mas a decisão de Macron alimenta o debate sobre a instrumentalização política da memória nacional. A cerimônia combina tributo genuíno com cálculo estratégico para o pós-2027.
Em Paris, uma cerimônia simbólica levou o historiador e resistente Marc Bloch ao Panteão, por decisão de Macron. A imprensa russa relata o evento com distanciamento, notando a honra ao seu trabalho e coragem, sem ênfase política.
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