
Quinta ronda de conversações Líbano-Israel arranca em Washington após memorando EUA-Irão
Mediadas pelos Estados Unidos, as negociações visam um acordo de paz abrangente, mas a desconfiança em Beirute e o reforço do Hezbollah pelo acordo com Teerão condicionam as perspetivas de progresso.
O quinto ciclo de negociações diretas entre o Líbano e Israel teve início esta terça-feira em Washington, na sede do Departamento de Estado norte-americano, com sessões militares e políticas separadas após uma reunião conjunta inicial. Um responsável dos EUA afirmou que o objetivo comum é «pôr fim definitivamente ao ciclo de violência» e permitir que os dois Estados soberanos encontrem um caminho para a paz e a segurança. As delegações mantêm a composição das rondas anteriores, e os trabalhos prosseguirão nos próximos dias com vista a um acordo abrangente, adiantou a mesma fonte.
A presidência libanesa, pela voz de Joseph Aoun, classificou esta ronda como potencialmente «decisiva» e reiterou que Beirute «não aceitará nada menos do que o fim completo da ocupação israelita do sul do Líbano e o colapso simultâneo de toda a tutela estrangeira», numa alusão implícita a Teerão. Uma autoridade libanesa disse à Reuters que o Líbano exigirá um calendário «razoável» para a retirada das tropas israelitas, descrevendo-o como a única hipótese de gerar impulso negocial. Contudo, a mesma fonte manifestou ceticismo quanto a progressos concretos, apontando um «problema fundamental de confiança» e a rejeição mútua de exigências. Do lado israelita, o porta-voz do governo, David Mencer, declarou que o objetivo é «desarmar o Hezbollah e alcançar um acordo de paz genuíno», identificando o grupo armado como o único obstáculo.
As conversações decorrem sob o efeito do memorando de entendimento assinado eletronicamente a 18 de junho pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, que entrou em vigor na mesma semana e inclui disposições vinculativas sobre o respeito pela soberania e integridade territorial libanesa. O acordo EUA-Irão permitiu uma pausa nos combates — a mais longa desde o recrudescer da violência em 2 de março —, mas, segundo fontes libanesas e estrangeiras citadas pela Reuters, retirou apoio político ao Estado libanês e fortaleceu o Hezbollah, que rejeita as negociações e aposta no Irão. O mecanismo de desescalada acordado entre Washington e Teerão na segunda-feira visa assegurar o cumprimento do fim das operações militares no Líbano, embora Israel mantenha que as suas tropas permanecerão indefinidamente no sul e se reserve o direito de responder a ataques.
Para as capitais lusófonas, o dossiê tem implicações diretas. O Brasil comanda a Força-Tarefa Marítima da UNIFIL, a missão de paz da ONU no Líbano, e observadores em Brasília notam que a reconfiguração de forças no terreno — com a presença israelita prolongada e a influência iraniana reforçada — pode alterar as condições de segurança para os capacetes azuis. Portugal, que mantém um contingente na UNIFIL e laços históricos com o Líbano, acompanha as negociações a partir de Lisboa com a expectativa de que a via diplomática prevaleça, mas com reservas quanto à eficácia de um processo negocial que decorre em paralelo com o entendimento direto entre Washington e Teerão.
As conversações estão previstas para durar três dias, e o responsável norte-americano indicou que mais pormenores serão anunciados em breve. O desfecho permanece incerto: enquanto a administração Trump se apresenta como mediadora capaz de «resolver problemas muito rapidamente», nas palavras do presidente, a fragilidade do cessar-fogo e a divergência de objetivos entre as partes — desarmamento do Hezbollah para Israel, retirada total e fim da tutela externa para o Líbano — colocam em dúvida a possibilidade de um acordo abrangente nesta ronda.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A quinta rodada de negociações está em risco devido a um novo entendimento EUA-Irã que alterou o equilíbrio regional, fortalecendo o Hezbollah e enfraquecendo a alavancagem de Beirute. Autoridades israelenses alertam que as conversas correm o risco de descarrilar, pois o acordo encoraja a milícia e mina a posição do governo libanês.
As novas negociações entre Líbano e Israel começam sob a sombra do acordo EUA-Irã. Beirute exige um cronograma para a retirada israelense, enquanto o Hezbollah rejeita as conversas e aposta no Irã. O acordo redesenha os equilíbrios, complicando o caminho para uma fronteira estável.
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