
Trump ordena investigação sobre preços de gasolina e acusa petrolíferas de especulação
Presidente dos EUA alega que queda do petróleo não chegou às bombas e instrui Departamento de Justiça a investigar, em meio a pressão eleitoral e alívio geopolítico no Estreito de Ormuz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou na madrugada de quarta-feira que o Departamento de Justiça (DOJ) investigue as grandes companhias petrolíferas por não terem reduzido os preços dos combustíveis na proporção da forte queda do petróleo bruto. Numa publicação na rede Truth Social, Trump acusou as empresas de “especulação” contra os consumidores e exigiu que os preços da gasolina comecem a cair “muito mais depressa”. Até ao momento, nem a Casa Branca nem o DOJ confirmaram a abertura formal de um inquérito, e nenhuma empresa foi nominalmente visada.
A ordem surge dias depois de os Estados Unidos e o Irão terem assinado um memorando de entendimento provisório que pôs fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde transitava um quinto da oferta mundial de petróleo antes do conflito. O alívio geopolítico fez o barril de Brent recuar para menos de 77 dólares e o WTI para abaixo de 73 dólares, uma descida superior a 36% face aos picos de abril. Contudo, o preço médio da gasolina nos EUA, embora tenha caído para 3,93 dólares por galão (cerca de 3,8 litros), recuou apenas 13% no mesmo período. Analistas do setor, citados pela imprensa norte-americana, atribuem a divergência às margens de refinação e ao desfasamento habitual entre a cotação do bruto e o retalho, estimando que o regresso aos níveis anteriores à guerra — abaixo de 3 dólares por galão — poderá demorar meses.
A pressão sobre os preços tem uma dimensão eleitoral imediata. Observadores em Washington notam que o encarecimento dos combustíveis, somado à inflação, ameaça penalizar os republicanos nas eleições intercalares de novembro, nas quais o partido tenta preservar maiorias escassas no Congresso. Na perspetiva de Teerão, veiculada pela imprensa iraniana, a subida dos preços é consequência direta da “agressão ilegal” dos EUA e de Israel contra o território iraniano, iniciada em 28 de fevereiro. Para países lusófonos importadores de petróleo, como Brasil e Portugal, a trajetória das cotações internacionais é acompanhada com atenção, ainda que a investigação antitruste nos EUA tenha impacto apenas indireto sobre a formação dos preços globais.
O dossiê permanece em aberto. Não há indicação de que o DOJ tenha iniciado diligências, e o entendimento provisório entre Washington e Teerão ainda enfrenta incertezas — as partes divergem publicamente sobre se o Irão aceitou inspeções da ONU ao seu programa nuclear. Enquanto as negociações para um acordo definitivo prosseguem, o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz começa a normalizar-se, mas operadores logísticos estimam que a retoma total pode levar semanas. A expectativa dos mercados é de que os preços dos combustíveis nos EUA continuem a ceder gradualmente, sem regressar a curto prazo aos valores anteriores ao conflito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O presidente Trump ordenou uma investigação federal sobre os preços da gasolina, acusando as grandes petrolíferas de não repassarem a queda do petróleo bruto aos consumidores. O anúncio foi feito nas redes sociais, sem citar empresas específicas.
Furioso, Trump ordena uma investigação urgente sobre os preços da gasolina, depois que sua própria política de tensão ilegal contra o Irã elevou os custos de energia. Agora ele acusa as empresas de especulação, mas o prejuízo aos consumidores americanos decorre de suas próprias provocações.
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