
Catar prevê retoma da produção de GNL em semanas após acordo provisório entre EUA e Irão
O primeiro-ministro catariano anunciou que a QatarEnergy retomará a produção normal de gás natural liquefeito, exceto numa unidade danificada, assim que a navegação no Estreito de Ormuz for restabelecida.
O Catar deverá retomar a produção de gás natural liquefeito (GNL) ao nível anterior à crise dentro de poucas semanas, exceto numa instalação que sofreu danos diretos, declarou o primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, em entrevista ao Financial Times. A QatarEnergy mantém o estado de emergência e só cancelará a declaração de força maior quando estiver garantida a segurança das operações. Para os mercados globais de energia, a sinalização reduz o risco de um choque prolongado de oferta, uma vez que o país representa cerca de 20% das exportações mundiais de GNL.
A retoma está condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz, cuja navegação deverá regressar à normalidade no prazo de 30 dias após a assinatura do memorando de entendimento provisório entre Washington e Teerão. O mecanismo central acordado nas conversações de Bürgenstock, na Suíça, é uma linha de comunicação direta entre as duas capitais, concebida para verificar ameaças a navios, contrariar desinformação e permitir a passagem segura durante a operação de desminagem. O primeiro-ministro sublinhou que qualquer modelo de gestão do estreito terá de ser discutido com o Irão, Omã e os Estados do Golfo Pérsico, e que o Catar se oporá a planos de cobrança de taxas de trânsito.
Na perspetiva de Lisboa e de Brasília, a normalização do fornecimento catariano alivia a pressão sobre os preços spot de GNL, que se mantiveram elevados desde os ataques iranianos de março às instalações de Ras Laffan. O Catar, que mediou as conversações ao lado do Paquistão, insiste que a confiança levará mais tempo a recompor-se do que a logística, e que os efeitos da crise — incluindo perturbações nos mercados de fertilizantes, ureia, produtos petrolíferos e hélio — ainda se farão sentir em setembro e outubro.
Paralelamente, Doha confirmou a existência de um mecanismo de prevenção de escalada no Líbano, com verificação do cessar-fogo envolvendo Beirute, o Comando Central dos EUA, o Irão e os mediadores. O primeiro-ministro criticou a atuação de Israel como “desproporcionada” e contrária à desescalada. O objetivo regional mais amplo, afirmou, é criar um novo quadro de segurança entre os países da região e o Irão, eventualmente apoiado por um fundo de investimento de 300 mil milhões de dólares. O próximo marco factual será a retoma efetiva da navegação comercial no Estreito de Ormuz e o levantamento da força maior pela QatarEnergy, previstos para as próximas semanas, enquanto as negociações para um acordo permanente entre EUA e Irão permanecem numa fase inicial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A região busca um quadro de segurança com o Irã. O primeiro-ministro catari confirmou que o estreito não será fechado novamente e destacou a importância da linha direta Washington-Teerã para a desminagem e o combate à desinformação. A produção de GNL só será retomada quando operações seguras forem garantidas.
O primeiro-ministro catari condenou a resposta israelense como desproporcional e contrária à desescalada. Ele revelou um mecanismo de verificação do cessar-fogo no Líbano envolvendo o Líbano, o Comando Central dos EUA, o Irã e mediadores. A reabertura do Estreito de Ormuz depende da linha direta EUA-Irã.
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