
Irão e Hamas coordenam posições após memorando de cessar-fogo com Washington
Conversa telefónica entre o chefe da diplomacia iraniana e um membro do bureau político do Hamas abordou as negociações com os EUA e a situação em Gaza, omitida no texto do acordo.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, manteve na quarta-feira uma conversa telefónica com Basem Naeem, membro do gabinete político do Hamas, para discutir os "últimos desenvolvimentos" nas negociações entre Teerão e Washington e a situação na Palestina, com destaque para a Faixa de Gaza. O contacto ocorre uma semana após a assinatura de um memorando de entendimento entre o Irão e os Estados Unidos que prevê "a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano", mas que não menciona explicitamente Gaza. A chamada foi noticiada pela televisão estatal iraniana e por meios de comunicação palestinianos e libaneses.
Segundo a imprensa estatal iraniana, Naeem transmitiu saudações da liderança do Hamas à direção da República Islâmica e felicitou Teerão pela assinatura do memorando, elogiando a "resistência firme" do Irão face ao que descreveu como agressões norte-americanas e israelitas. O responsável do Hamas sublinhou a importância de manter o apoio iraniano, sobretudo em Gaza, onde, apesar do cessar-fogo acordado em outubro passado em Sharm el-Sheikh, prosseguem as operações militares israelitas. Araghchi, por seu lado, agradeceu as posições de apoio do Hamas e reiterou o compromisso de Teerão com a causa palestiniana "até à plena realização dos seus legítimos direitos nacionais", de acordo com a transcrição divulgada. O ministro iraniano afirmou ainda que a liderança do país continua a levantar a questão das violações israelitas em Gaza em todos os fóruns internacionais e junto dos mediadores e da parte norte-americana durante as atuais negociações.
A omissão de Gaza no texto do memorando é interpretada por observadores em Beirute como um indício de que as conversações se concentram, numa primeira fase, na frente libanesa. Com efeito, o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano tem-se mantido "em grande parte", segundo o porta-voz das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, embora a Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) continue a registar "atividades terrestres e aéreas" israelitas, incluindo fogo de metralhadora e disparos de carros de combate. A imprensa libanesa noticia que Israel e o Líbano discutem, com o apoio dos EUA, um projeto-piloto para a retirada parcial das forças israelitas de algumas zonas do sul e a transferência do controlo para o exército libanês, sob supervisão e treino norte-americanos. Paralelamente, o Comando Central dos EUA foi incumbido de criar uma sala de operações militares para monitorizar a situação no sul do Líbano.
A conversa entre Araghchi e Naeem insere-se num contexto diplomático mais amplo. O Irão fez da causa palestiniana um pilar da sua política externa desde a Revolução Islâmica de 1979, e o Hamas tem sido um dos principais beneficiários desse apoio. O ministro iraniano acompanhou na terça-feira o Presidente Masoud Pezeshkian numa visita ao Paquistão, país que tem atuado como mediador nas conversações entre Teerão e Washington. Na perspetiva de Brasília e de outras capitais lusófonas que acompanham o dossiê, a coordenação entre o Irão e o Hamas sublinha a centralidade da questão palestiniana para a arquitetura de segurança regional que se tenta reconstruir, ao mesmo tempo que evidencia a complexidade de um cessar-fogo que não abrange todas as frentes de conflito.
O estado atual do dossiê aponta para a continuação das negociações em Washington, onde as delegações israelita e libanesa trabalham na definição das zonas-piloto e no reforço do cessar-fogo. A pressão internacional para que o acordo traga estabilidade também a Gaza deverá intensificar-se, com o Irão a sinalizar que manterá a questão no centro da sua agenda diplomática. Os próximos passos incluem a operacionalização da sala de operações norte-americana e a verificação do cumprimento do memorando, enquanto a situação humanitária em Gaza permanece como um dos principais pontos de tensão não resolvidos pelo atual quadro negocial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Irã e Hamas conversaram por telefone sobre o acordo-quadro com Washington. O Hamas parabenizou Teerã e elogiou seu apoio inabalável à causa palestina, interpretando o pacto como uma vitória do eixo da resistência. A ligação reafirmou a aliança estratégica e o papel do Irã como patrono firme da luta palestina.
O chanceler iraniano discutiu com um dirigente do Hamas o memorando de entendimento com os EUA. O texto não menciona Gaza, mas prevê um cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes, incluindo o Líbano. O Hamas saudou o acordo e manifestou esperança de que ele ajude a acabar com a violência também em Gaza.
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