
Trump acusa aliados de abandono na guerra com o Irão e Rutte tenta mitigar crispação
Encontro na Casa Branca expõe fissuras transatlânticas antes da cimeira de Ancara, com Itália a contestar versão do secretário-geral da NATO sobre uso de bases.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu na quarta-feira o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, e reiterou a sua deceção com os aliados europeus que, segundo Washington, não prestaram apoio político ou militar à operação “Epic Fury” contra o Irão. Trump afirmou que os Estados Unidos “foram abandonados” pelo Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Espanha, embora tenha sublinhado que não necessitava de ajuda militar. Na perspetiva da Casa Branca, a ausência de um gesto de solidariedade por parte dos parceiros da Aliança Atlântica constituiu uma falha de lealdade, num momento em que Washington revê a sua presença militar na Europa e condiciona o empenho na defesa coletiva ao aumento das despesas dos aliados.
Rutte tentou conter a crispação com uma estratégia dupla: elogiou o impacto de Trump no crescimento dos orçamentos de defesa — exibindo cartazes com o chamado “Trump Trillion”, que contabiliza mais de um bilião de dólares de acréscimo desde 2017 — e defendeu que os aliados europeus prestaram apoio logístico e técnico relevante durante o conflito. O secretário-geral afirmou que entre quatro mil e cinco mil aviões norte-americanos operaram a partir de bases na Europa, incluindo quinhentos que descolaram de instalações dos EUA em Itália. A declaração gerou uma reação imediata de Roma: o Ministério da Defesa italiano classificou a reconstrução de Rutte como “totalmente falaciosa”, sublinhando que apenas foram autorizados voos de natureza técnica e logística, nunca missões cinéticas, e que os pedidos fora desse âmbito foram recusados. Uma porta-voz da NATO clarificou posteriormente que Rutte se referia a apoio logístico ou técnico, no quadro dos acordos bilaterais existentes.
A controvérsia extravasou o eixo transatlântico. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão considerou as palavras de Rutte uma “admissão clara e condenatória da cumplicidade ativa da NATO numa guerra de agressão ilegal contra um Estado-membro soberano das Nações Unidas”. Teerão exigiu que Itália e Roménia — esta última também mencionada por Rutte devido à utilização do aeroporto de Bucareste para reabastecimento — expliquem a sua participação e alertou para a violação de normas imperativas do direito internacional. A tensão diplomática insere-se num quadro mais amplo de contestação à operação militar lançada por Washington e Israel a 28 de fevereiro, que os aliados europeus não foram consultados previamente e cuja necessidade vários questionaram.
O encontro ocorre a duas semanas da cimeira da NATO em Ancara, agendada para 7 e 8 de julho, que se perfila como um teste à coesão da aliança. Trump confirmou a presença e elogiou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, por se ter mantido à margem do conflito, sugerindo que poderá responder favoravelmente aos pedidos de Ancara por caças F-35 e motores a jato. Em paralelo, o Pentágono anunciou uma revisão de seis meses do destacamento de tropas na Europa, enquanto as negociações para um cessar-fogo com o Irão prosseguem. Em Roma, o ministro da Defesa, Guido Crosetto, declarou-se disponível para prestar esclarecimentos ao parlamento sobre a utilização das bases italianas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Ao encontrar Rutte, Trump voltou a queixar-se da falta de participação europeia na agressão contra o Irão, sinalizando frustração com o apoio insuficiente. O Irão observa com satisfação as divisões transatlânticas que enfraquecem a frente de guerra.
Trump elogiou Rutte mas criticou os aliados da NATO pelo apoio insuficiente na guerra do Irão, enquanto emergem divisões europeias sobre o uso de bases. A Itália terá cedido bases para a ofensiva, mas Roma desmente, e a Espanha recusa, evidenciando a distância crescente entre Washington e a aliança.
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