
França e Itália articulam coalizão para substituir missão da ONU no sul do Líbano
Iniciativa de Macron e Meloni visa evitar vácuo de segurança após o fim do mandato da UNIFIL, previsto para dezembro de 2026, e conta com o apoio do presidente libanês.
O presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, anunciaram na quinta-feira (25) a intenção de formar uma coalizão multinacional para suceder a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), cujo mandato se encerra em 31 de dezembro de 2026. A iniciativa, comunicada após encontro bilateral em Antibes, no sul da França, visa, segundo os dois governantes, evitar um “vácuo de segurança” no sul do Líbano e reforçar a soberania do país e das suas Forças Armadas. A proposta surge num momento em que o futuro da missão de paz está condicionado por pressões de Washington e Telavive, que consideram a UNIFIL ineficaz para conter o Hezbollah.
O presidente libanês, Joseph Aoun, saudou a iniciativa franco-italiana, classificando-a como “uma expressão sincera do compromisso internacional com o apoio à soberania e estabilidade do Líbano”. Em comunicado divulgado pela presidência libanesa e repercutido pela imprensa local, Aoun sublinhou que o Exército libanês é “a única garantia real para a segurança do sul” e manifestou abertura a “qualquer fórmula internacional que reforce as capacidades das forças armadas, preserve a integridade territorial e impeça que o país se transforme em palco de tensões regionais”. A posição de Beirute alinha-se com a visão de Paris e Roma de que a futura coalizão deve apoiar as instituições estatais libanesas, em vez de as substituir.
A UNIFIL está presente no sul do Líbano desde 1978 e conta atualmente com cerca de 7.500 capacetes azuis de quase 50 países. O seu mandato foi reforçado após a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, com a Resolução 1701 do Conselho de Segurança, que exigia o desarmamento do grupo xiita e a sua retirada para norte do rio Litani — exigência nunca cumprida. Em agosto de 2025, sob pressão dos Estados Unidos, o Conselho de Segurança decidiu pôr fim à missão no final de 2026. Fontes diplomáticas em Washington e Telavive têm argumentado que a força da ONU não conseguiu impedir o rearmamento do Hezbollah nem a escalada de tensões na fronteira, enquanto observadores europeus alertam para o risco de um vazio de segurança numa zona já marcada por frágeis cessar-fogos.
A coligação proposta por França e Itália — dois dos maiores contribuintes de tropas para a UNIFIL — encontra-se ainda em fase preparatória. Não foram anunciados mandato preciso, composição ou calendário operacional. Macron mencionou a coordenação com a União Europeia e as Nações Unidas, e Meloni referiu a possibilidade de uma conferência internacional dedicada ao dossiê libanês. Na perspetiva de capitais europeias, a iniciativa procura preservar uma presença internacional organizada que evite que o sul do Líbano se torne uma plataforma para a escalada regional, ao mesmo tempo que responde às críticas de Washington sobre a eficácia da missão atual. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já apresentou opções para uma missão de acompanhamento mais reduzida, com efetivos entre 2.000 e 5.500 homens, mas a proposta enfrenta oposição dos EUA e de Israel. O dossier deverá avançar nos próximos meses, com a possível convocação de uma conferência internacional para definir os contornos da nova força.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Paris e Roma assumem a liderança na definição do futuro do Líbano após a UNIFIL, propondo uma coalizão multinacional para evitar um perigoso vácuo de segurança. A iniciativa, anunciada durante uma cúpula bilateral, visa fortalecer a soberania libanesa e as suas forças armadas. As duas capitais europeias sublinham a urgência de evitar uma retirada precipitada que poderia desestabilizar a região.
Moscou vê com cautela o impulso franco-italiano por uma coalizão pós-UNIFIL, interpretando-o como uma tentativa ocidental de remodelar a arquitetura de segurança no Líbano fora do quadro da ONU. Observadores russos alertam que contornar o mandato da ONU pode corroer o consenso internacional e transformar o Líbano em um foco de escalada regional. A proposta é enquadrada como um empreendimento arriscado que pode aprofundar divisões em vez de estabilizar o país.
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