
Japão revê fundo cultural falido enquanto lança plano de investimento de 370 biliões de ienes
Governo Takaichi apresenta nova política económica com meta de investimento público-privado e visita à Índia, mas enfrenta escândalo de financiamento político e ceticismo sobre a gestão de fundos estatais.
O Governo japonês apresentou um esboço da nova Política Básica de Gestão Económica e Fiscal que prevê mais de 370 biliões de ienes em investimentos público-privados para reforçar o potencial de crescimento e garantir a segurança dos cidadãos. A iniciativa, discutida no Conselho de Política Económica e Fiscal presidido pela primeira-ministra Sanae Takaichi, inclui a criação de uma nova rubrica orçamental para gestão de crises e investimento no crescimento. Em simultâneo, o executivo compromete-se a reduzir a dependência de orçamentos suplementares e a gerir o saldo primário numa lógica plurianual, afastando-se da fixação mecânica de metas anuais de excedente.
A visita oficial de Takaichi a Nova Deli, entre 1 e 3 de julho, constitui a primeira concretização externa desta estratégia. Na 16.ª Cimeira Anual Índia-Japão, os dois países deverão rever o conjunto da cooperação bilateral, com destaque para a meta de 10 biliões de ienes (68 mil milhões de dólares) em investimento privado japonês na Índia ao longo de uma década, definida na cimeira de Tóquio em 2025. A agenda inclui ainda a mobilidade de talentos — o plano de ação conjunto prevê o intercâmbio de mais de 500 mil profissionais em cinco anos — e a cooperação em tecnologias digitais, terras raras e segurança no Indo-Pacífico. Para observadores em Brasília e Lisboa, o reforço da Parceria Estratégica Global Especial Índia-Japão é acompanhado com interesse, dado o seu impacto nas cadeias de valor que ligam a Ásia à África lusófona e à América do Sul.
Internamente, porém, a primeira-ministra enfrenta pressões contraditórias. Um painel do Conselho do Sistema Fiscal alertou que o otimismo quanto ao crescimento e às taxas de juro, sem uma perspetiva de médio e longo prazo, pode minar a confiança dos mercados nas finanças públicas. O mesmo órgão defendeu a redução da carga da segurança social sobre as gerações ativas e a elaboração de um roteiro para aumentar para 30% a taxa de coparticipação nos cuidados de saúde dos maiores de 70 anos. Ao mesmo tempo, uma queixa-crime apresentada por um académico acusa Takaichi de falsificar declarações de financiamento político, alegando que donativos de 2,1 milhões de ienes correspondiam, na verdade, a pagamentos por bilhetes para eventos partidários.
A tensão entre ambição investidora e disciplina financeira é ilustrada pela revisão do Cool Japan Fund, fundo público-privado criado em 2013 para projetar a cultura japonesa no exterior. Com perdas acumuladas de quase 334 milhões de dólares, o fundo será alvo de uma auditoria e de uma provável fusão, segundo a imprensa japonesa. Um alto funcionário governamental resumiu a avaliação em Tóquio: «O Cool Japan está acabado. Mesmo que se juntem organizações fracas, continuarão fracas». A nova política económica prevê, ainda assim, investimentos de 152 mil milhões de dólares em videojogos, 20,4 mil milhões em anime e 9,9 mil milhões em manga até 2033. A compilação final da política está prevista para julho, enquanto a queixa contra Takaichi aguarda decisão do Ministério Público.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O enorme plano de investimento público-privado do governo é apresentado como um motor de crescimento, mas as dúvidas sobre a disciplina orçamental e um escândalo de financiamento político envolvendo a primeira-ministra toldam as perspetivas. A narrativa equilibra a ambição da estratégia económica com as crescentes preocupações de governação.
As grandes ambições de investimento do Japão são vistas através do fracasso do Cool Japan Fund, agora em reestruturação após 334 milhões de dólares em perdas. A implicação é clara: outra grande iniciativa estatal corre o risco de repetir erros passados e minar a disciplina orçamental.
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